Gorduras Boas e Ruins para o Cérebro

Dr. Sergio Klepacz, da Clínica TotalBalance, explica quais são as gorduras boas e ruins para o cérebro.

Neste vídeo você irá conferir:

  • A importância das gorduras para o cérebro
  • Quais são as diferenças entre as gorduras boas e ruins
  • Os alimentos que você deve consumir e evitar para o equilíbrio emocional

Siga o programa no Instagram.

Transcrição

Bom dia. Queria abordar com vocês um tema, tentar explicar pra vocês de um jeito simplificado, tá?

Porque eu acho que a gente tem que entender as bases da coisa, e a importância de um determinado assunto. Vou falar sobre gorduras.

Bom, o que que tem que ver gordura com questões psíquicas, com o sistema emocional? Na verdade, tem tudo a ver. O cérebro, ele é feito de gordura. E eu vou explicar pra vocês que tipo de gordura, e como isso aí acontece, tá?

Vou tentar ser de um jeito sintético e simplificado, porque envolve as questões químicas, que eu não vou ficar falando muito. Então, eu vou colocar aqui. É uma aulinha sobre gorduras. Então, aqui, nós temos essa aulinha que eu vou dar sobre gorduras. Na verdade, quando a gente fala gordura, a gente fala ácido graxo, que é a mesma coisa de gordura. Então, não se espante, que vocês vão ver esse nome aqui.

Então, na verdade, a gente tem aquele preconceito contra gordura.

Gordura é uma coisa ruim, é uma coisa que afeta, deixa a pessoa gorda, etc., etc.”.

Mas, na verdade, gordura não é bem assim. Gordura… existem gorduras importantíssimas, que, sem ela, a gente não teria evoluído e se transformado em Homo sapiens. Olha que interessante. Eu vou contar essa história pra vocês. Então, por que que a gordura é importante?

Porque como você pode ver, isso aqui é a célula, a membrana de um neurônio, é a parte da célula onde… que divide o exterior com o interior, ou como se fosse a pele do neurônio, e essa camadinha aqui marrom escura, aqui, e junto com essa parte mais clara, na verdade, são gorduras que ficam uma juntinho da outra, formando a chamada membrana do neurônio.

E é nessa membrana que existem esses poros, essas moléculas todas aí, que fazem todo o trabalho de excitar o neurônio, desexcitar, acalmar. Então, todos os processos mentais passam por essa… pelo impulso nervoso, na verdade. Você mexe uma mão, né, você tá acionando um impulso nervoso.

Então, esse aqui é o neurônio. Então, na verdade, é como se fosse um fio elétrico. E esse braço do neurônio chamado axônio, é que corre o chamado impulso nervoso, ou nada mais é do que uma espécie de eletricidade, que, obviamente, com uma corrente muito pequenininha, né? Com potencial muito pequenininho, mas que dá até pra medir eletricamente.

Quando a gente faz um eletroencefalograma, a gente, na verdade, tá medindo esse tipo de eletricidade que passa pelo neurônio. Então, como eu falei pra vocês, a célula do neurônio, aonde passa a eletricidade, existem… ele é feito de gordura. Então, aqui, eu tô dando um exemplo, por que que tem gorduras boas e gorduras ruins, na verdade, pro cérebro. Então, gordura saturada, -eu vou falar da gordura saturada-, que é a gordura da carne, aquela gordura quando você come uma picanha, você vai comer a gordura saturada. E aqui é a gordura insaturada ou monoinsaturada, que é a gordura que vem do peixe, aquele chamada gordura ômega 3, que seríamos, digamos assim, a gordura boa.

Então, você vê aqui, no primeiro caso, uma gordura rígida, muito bem encaixadinha uma na outra, então, o impulso nervoso não corre tão fluido, tão rápido. Já ao passo que no caso da gordura insaturada, -essa que é toda bagunçada-, mas ela é mais líquida, não é rígida, o que dá uma melhora no processo de transmissão do impulso nervoso, portanto, melhora o funcionamento do cérebro. Então, como eu tava falando pra vocês, muita gente tem preconceito a gorduras, né? Pessoas têm pânico de engordar.

“Não como gordura de jeito nenhum, doutor. Jamais vou comer uma gordura”.

Mas nem todas as gorduras são ruins. Aqui, a gente tem as gorduras insaturadas ou poli ou mono saturadas, que são as gorduras boas. Essas gorduras, na verdade, são essenciais. Ou seja, sem elas, o indivíduo fica doente. Tá? Então, a gente tem duas classes de gorduras: uma, é a gordura chamada ômega…

Na verdade, existem mais, mas eu tô falando as mais importantes pra gente. O ômega 6 e o ômega 3. Então, como a gente sabe que é essencial? Se você tirar isso do indivíduo, ele apresenta alguns sintomas de doença, apresenta deficiência. Sintomas, né? E deficiência.

No caso do ômega 6, é uma deficiência muito rara de ver, porque praticamente a gente vai ver que o ômega 6 está em todos os tipos de… quando você compra um óleo de soja, ele já tem ômega 6. Então, é uma coisa muito comum. Então, quando… acho que no caso de… descobriu-se bebês que tiveram… que tavam tomando só leite desnatado, tiveram diarreia, prurido na pele, e, principalmente, fica com a pele muito seca, porque a pele também incorpora ômega 6. Eczemas e pele muito seca.

Já o ômega 3, é difícil de detectar, e é mais comum a falta, devido, -como vocês vão entender-, ao nosso padrão de dieta hoje em dia. Então, a gente tem… quando a gente tem deficiência de ômega 3, a gente tem alteração já da parte de comportamento, porque o cérebro, ele usa demais o ômega 3 em termos de estrutura. Então, estrutura do cérebro humano, ela é, basicamente… ela tem uma importância muito grande do ômega 3 nessa estrutura do cérebro.

Então, a gente vai ter… quando a gente tem falta do ômega 3, que a gente vai encontrar no peixe, nos peixes de água fria, água profunda. Então, a gente vai ter alteração do humor, dificuldade de concentração, prejuízo no aprendizado, intolerância ao etanol, ao álcool, a pessoa bebe álcool, já fica bêbada rapidinho, dificuldades visuais. Por quê? Porque o ômega 3 é muito comum na retina, nos olhos. Então, a gente vai ver que a pessoa também tem problemas com a visão.

E por que que isso pode acontecer? Por que que hoje muitas pessoas… A gente vê, de acordo com os sintomas que eu mostrei pra vocês há pouco tempo atrás, agora, no slide anterior, vocês vão ver que existe uma diferença entre essas gorduras, na verdade, e por que que é difícil você ter falta de uma e falta da outra. Porque o ômega 6, você tem que ter, basicamente… pra cada quatro porções de ômega 6 que você ingere, você tem que uma de ômega 3.

Ômega 3 é mais difícil, porque vem, principalmente, no peixe, em algumas oleaginosas, tipo óleo de linhaça, etc. Já o ômega 6, é comum em todas as frituras, todas as coisas que a gente come. Então, eu botei um exemplo aqui, um McDonald’s versus uma porção de arenque, que é muito rica em ômega 3. Então, por isso que a gente percebe quanto é difícil, hoje, você ter… então por isso que o ômega 3… a gente, basicamente, suplementa mais o ômega 3.

Essa foto aqui mostra minha família antigamente, minha mãe, avós, etc. E por que que eu pus essa foto? Essa foto me lembra muito ômega 3, porque a minha vó era da Polônia, e na Polônia, se consumia… essa senhora aqui é a minha vó, né? Era a minha vó. E lá, naquela época, -até hoje, possivelmente-, se consome muitos peixes da região do (Balto 08:22), que são… é uma região fria, e é uma água bem fria, e tem alguns peixes, tipo o arenque, animais (do Norte), bacalhau, que são peixes ricos em ômega 3.

Então, eu me lembro do ômega 3 na minha infância. A gente comia muito o arenque, e lá na Polônia ou na… na Alemanha, se chama-se de hering. Então isso aqui é uma porção que eu comprei outro dia aí pra me deliciar, e repor ômega 3. Já ômega 6, como eu falei, é muito comum em óleo de soja, milho, granola, amendoim, etc. Então, dificilmente vai faltar. É uma deficiência muito rara. Quando você… alguns casos específicos, você pode, alguns tipos de ômega 6, por exemplo, o ácido gama-linolênico, aquele que é usado para tratar algumas condições, por exemplo, TPM e inflamações geral, né? E a gente pode ver, aqui, onde tem esse tipo de produto. A gente vai ver, no óleo de linhaça, tem ômega 6.

O óleo de prímula e óleo de borragem, que tem também o ômega 9, mas eu não vou falar do ômega 9, por enquanto. O ácido gama-linolênico, eu tava falando, que é um ômega 6 que a gente, às vezes, suplementa, que pode ser… pode ser usado pra problemas de inflamação, como doenças… algumas doenças inflamatórias. Ou, no caso, por exemplo, que ele melhora questão da inflamação. E ele pode ser usado na síndrome pré-menstrual, famosa TPM. Algumas mulheres usam, alguns ginecologistas prescrevem. E alguma outra função dele é que ele impede o ganho de peso em pessoas obesas que emagreceram, e, em geral, costumam ganhar novamente aquele peso que perderam. Bom, e aí, a gente vai ver uma coisa muito interessante quando a gente fala do ômega 3. Tá? Ômega 3 seria essa estrutura aí que vocês estão vendo aí, e o ômega 3 tá diretamente ligado à própria história da humanidade. Olha que interessante. Há um milhão e meio de anos atrás, uma mutação… o que que é uma mutação?

Um acidente de replicação genética deu origem a um gene diferente, esse gene chama-se ARHGAP11B. Tá? E que que acontece com esse gene? Então, um daqueles hominídeos, aqueles homens primitivos, os homos, né, primitivos, Australopithecus, seres primitivos pré-homem, antes da gente existir como espécie. Alguns desses animais, em algum momento, teve essa mutação e isso faz esse gene, -ARHGAP11B-, faz com que o cérebro cresça demais, se desenvolva demais. Então, se você… é um trabalho… eu tenho um trabalho muito interessante, e é um trabalho até meio polêmico e alguma coisa até meio perigosa, né?

Não é nem ficção científica, é realidade. Se você injetar, por exemplo, no cérebro de macaco, o embrião no cérebro de macaco, -só funciona na fase embrionária-, esse gene, você pode, hoje em dia, fazer essas engenharias genéticas, todo mundo já sabe fazer isso aí.

Não vou dizer como é que é, mas é muito simples, né? Simples, né? Isso dá pra ser feito. Se você… olha se você pegar um cérebro do embrião de macaco e colocar esse gene, olha o que acontece com o cérebro. O cérebro se desenvolve demais. Isso aconteceu e nos fez humanos. Só que quando você faz a experiência, você tem que parar na fase embrionária, você não pode deixar nascer um macaco com um cérebro extremamente avantajado.

É uma coisa bem complicada eticamente falando, em termos de ética da ciência. Então, aqui está o que acontece com esse gene ARHGAP, tá? 11B. Ele cresce muito essas zonas de reprodução… essas zonas de neurônio. Então, ele tem o dobro mais de neurônio e o cérebro fica muito maior. E aí, o que acontece? Mas, você tem o estímulo, que é o gene, faltava a matéria-prima, e a matéria-prima é o ômega 3. Esse lugar aqui é um lugar que eu fui conhecer um tempo atrás, em que existem várias cavernas em frente ao oceano, no caso, Oceano Índico, lá na África do Sul. Essa cidade se chama (Knysna 13:21).

E eu achei interessante porque essa foto eu mesmo tirei. Formam-se lagoas e muitas grutas em frente às lagoas de água marinha. Então, provavelmente, aqui, tem uma quantidade de frutos do mar, de conchas, etc., ostras, mariscos, etc., muito grande. Em algum momento, algum desses indivíduos, que já tavam desenvolvendo o cérebro, resolvem comer esse tipo de alimento. Foi uma época que uma parte do Homo sapiens foi empurrado pro sul da África por questões climáticas, e aí, ele começou a comer esse tipo… essa fonte de ômega 3, que são frutos do mar. E aí, o cérebro tinha o estímulo, tinha a matéria-prima, não adianta você ter só a mão de obra sem matéria-prima. Então, tinha aquele monte de gente pra construir, demos o tijolo e virou esse cérebro que nós conhecemos, que é o cérebro humano, que, com todos os defeitos que ele tem, mas ele ainda é o mais sofisticado de todos os cérebros de todos os animais.

Nós temos dois tipos de ômega 3: o EPA e o DHA. Com características diferentes, um pouco, discretamente diferente, mas eles podem se intercambiar. O DHA, ácido docosahexaenóico é muito importante, porque ele é necessário para o crescimento e ele tem o presente… ele que é presente em grandes quantidades no cérebro, nas membranas, e ele é fundamental para a estrutura da formação do cérebro, e ele é mais líquido e fluido.

Então, importante: nós podemos usar o ômega 3 em prevenção em psiquiatria. A gente sabe que as doenças psiquiátricas são complexas e difíceis de tratar, por vezes. E se a gente sabe que a suplementação com os ácidos graxos essenciais, ou gordura essencial, principalmente ômega 3, pode ser usada na prevenção. Isso aqui são alguns trabalhos que eu tô mostrando, prevenção dos distúrbios psíquicos, tá? Então, eu vou dar as dicas quais são os alimentos que contêm.

São os peixes de água profunda e fria, como o salmão. Talvez não aquele salmão do Chile, aquele lá, ele é alimentado com ômega 6, principalmente milho, coisas assim. Então, não sei se tem. Tem que ser salmão selvagens; cavalinha, ostra, arenque, sardinha, atum, etc. Algumas sementes oleaginosas e óleo de linhaça. Já, agora falando sobre as gorduras ruins. Nós temos a gordura saturada, tá? São as gorduras de origem animal ou dos laticínios, queijo, etc., óleo de coco, azeite de dendê. Eles têm alta densidade calórica, ou seja, eles… esses daí engordam sim, o ômega 3 não engorda, e podem aumentar o colesterol. Então, quando a gente vai comer lá uma picanha, aquela parte lá é gordura saturada. Mas não confunda com uma gordura que é pior, que é a gordura trans.

O que que acontece quando você come demais as gorduras ruins? O cérebro fica em prejuízo. Então, preju… isso aqui alguns trabalhos mostrando que o excesso de gordura saturada pode aumentar ansiedade, depressão, etc., dificuldade de transmissão nervosa, de readaptação do cérebro. Então, por isso que é muito importante, em termos de prevenção das questões psíquicas, uma boa… um bom tipo de alimentação.

Finalmente, a gordura trans, que é a gordura que tem nesses alimentos industrializados, é uma gordura extremamente perigosa, que tem que ser consumida muito pouquinho, porque essa ainda é pior do que a saturada, né? Em termos de bloqueio do cérebro. No máximo 10% da dieta, e ela libera produtos muito pro-inflamatórios. E o grande… aqui, no caso, a gente tá falando do McDonald’s, de fast-food, aliás, de alimento… de algumas comidas chamadas dieta ocidental, né? Do fast-food, esses onde tem bastante gordura trans. Então, aumenta a incidência de depressão e alterações emocionais. Bom, espero que expliquei algumas dicas importantes aí, pra gente poder… a gente poder ter cuidado aí na nossa alimentação, em termos de equilíbrio do emocional

Até logo. 

Publicado por Dr. Sergio Klepacz

Dr. Sergio Klepacz CRM 39099 – Médico psiquiatra desde 1983 pela Santa Casa de São Paulo, mestrado em psicofarmacologia pela Unifesp. Diretor da clinica TotalBalance Medicina Integrada.