Amor – Parte 1

Dr. Sergio Klepacz da Clínica TotalBalance fala a respeito do amor.

Neste vídeo você irá conferir:

  • o que é o amor;
  • porque o amor é uma força estabilizadora;
  • definições de amor por Stephen Levine;
  • os predicados do amor.

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Transcrição

Boas, pessoal. Tive aqui pensando em tentar trazer pra vocês alguma coisa bastante significativa, né? Assim, algo que impacta muito o nosso dia a dia, e que a gente observa aqui na prática clínica que tem um significado muito grande, que é um dos grandes motivos de queixa, é um dos grandes motivos que trazem as pessoas aqui para… para os psiquiatras. Isso chama-se amor. Né?

A gente sabe que o amor, ele constrói, amor traz coisas muito boas para as pessoas, mas pode ter o efeito contrário quando ele se desfaz, né? Quando a gente perde alguém, a gente perde um objeto que a gente ama, a gente perde a pessoa que a gente ama, em geral, o psiquiatra precisa dar o apoio. Né? Então, o amor é a grande força estabilizadora e desestabilizadora.

Basicamente falando, nós não somos diferentes de um bando de zebras numa savana da África, por exemplo. Em que temos que estar todos juntos, né? Uma zebra isolada, ou um animal que tá… que é gregário, né, nós somos animais gregários, se estiver vivendo sozinho ou estiver desgarrado, ele vai pelo menos sofrer um grande impacto em termos de estresse. E por isso que as pessoas querem todas morar nas grandes cidades, né? Que concentram grande parte da população. A gente tem o espaço enorme, mas ninguém, na verdade, quer morar sozinho, né? É praticamente uma coisa difícil. Algumas pessoas conseguem ser eremitas, né? Mas é uma tarefa muito difícil. A gente precisa, realmente, das pessoas.

O nosso relacionamento, ele é capaz de acalmar, ele é capaz de equilibrar e tirar a sensação de estresse. Uma pessoa isolada, se você prende uma pessoa, por exemplo, na cadeia, coloca ela num outro ambiente, você vai provocar uma depressão e um estresse enorme. Por quê? O teu nível de cortisol vai subir demais quando você rompe os relacionamentos que você tá acostumado. Existe uma… um antagonismo, em que o hormônio do amor, qual que é o hormônio do amor? Ele chama-se ocitocina.

Hoje em dia, a gente fala muito ocitocina, e o cortisol que é o hormônio de estresse. Quando você rompe a ocitocina, você perde alguém que te… que você… um rosto amigável, um rosto, que você libera ocitocina, quando você perde esse contato, você tem um aumento do hormônio do estresse meio que automático, né? Então, conviver bons relacionamentos com pessoas que a gente ama, é fundamental pro equilíbrio. E aí, eu vou passar pra vocês agora, -podia até explicar basicamente, é uma coisa estranha de explicar, mas existe sim, trabalhos que demonstram e tentam explicar-, o que é o amor e por que que o amor tem um impacto tão grande na nossa vida. 

Mas afinal, o que é o amor? Eu vou usar pra vocês aqui a definição desse autor aqui, o (Stephen Levine), que é um psiquiatra especializado em relacionamento, né? E ele coloca assim, como um modo de entender o amor, pra gente poder compreender a dimensão do amor, ele coloca os… ele denomina os oito ou nove predicados do amor. São itens que compõem o sentimento do amor. Obviamente, é um sentimento…

O amor é um sentimento subjetivo, e transitório, ninguém ama o tempo todo uma pessoa. Isso é um conceito importante, né? Tem dia que a gente não ama. Tem dia que a gente ama mais. Então, pra gente entender o amor, às vezes precisa do tempo e precisa às vezes olhar de longe. Falar: “Puxa, esta pessoa é a pessoa que eu amo”. Né?

O primeiro predicado que ele coloca, é que o amor é uma ambição idealizada. É uma ambição de amar alguém e uma ambição de ser amado. E dentro dessa ambição, a gente tem a ambição de viver em harmonia, viver em felicidade, e que esse relacionamento seja bom e que a gente vá construir coisas juntos, né? Esse é o primeiro conceito fundamental do amor. Outra coisa, o segundo pronome, né?

O segundo predicado: o amor é um contrato. Né? Nos dias de hoje, os termos do contrato, por vezes, não são muito bem… não estão claros. A gente só começa a entender qual era o nosso contrato, mediante as grandes crises de relacionamento ou mesmo nos divórcios. Aí a gente tem que fazer o acerto do contrato, né, que a gente achou que sabia qual que era, mas não sabia. Em algumas culturas, ainda hoje, ou antigamente, era comum que os pais dos noivos fizessem o contrato, né? Os noivos praticamente não participavam e iam ter sim, que aceitar o contrato. Tá? Isso é uma coisa que a gente conhece bem ainda dos avós, provavelmente, né?

O que a gente sabe que os relacionamentos, o amor assim, ele dura, -ele pode ser renovado-, mas esse contrato, em geral, dentro das pessoas, ele dura ao redor de sete anos. Depois de sete anos, parece que as coisas deixam de fazer aquele sentido que faziam no início. Então, pra isso, tem que haver uma reformulação desse contrato. Esse contrato tem que ser refeito. Se ele consegue ser refeito em bons termos para ambos, então, o relacionamento, possivelmente, pode prosseguir.

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Publicado por Dr. Sergio Klepacz

Dr. Sergio Klepacz CRM 39099 – Médico psiquiatra desde 1983 pela Santa Casa de São Paulo, mestrado em psicofarmacologia pela Unifesp. Diretor da clinica TotalBalance Medicina Integrada.

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