Situações de Risco para Suicídio

A morte por suicídio deixa um legado traumático, de incompreensão e inconformismo entre os familiares daqueles que se foram. As estatísticas são preocupantes, em termos de crescimento de casos mundo afora, e pela tenra idade de suas vitimas.

O suicídio é uma epidemia que de algum modo tem que ser contida, via prevenção, que seria a única possibilidade. Apresentaremos a seguir 5 grupos de risco para suicídio:

1 – Os indivíduos que sofrem de transtorno bipolar são os que estão entre o maior grupo de risco para o suicídio. A depressão que se apresenta nesses casos é extremamente grave, com prejuízo, por vezes até da própria percepção da realidade, de modo que esses pacientes se veem, durante as crises, como não merecedoras da atenção que recebem dos amigos e familiares, e amargam culpa pela preocupação que causam.

Por vezes esses pacientes suspendem as medicações que os controlam sem avisarem o medico ou os familiares, e se colocam em risco de suicídio, por isso o ideal seria sempre uma boa monitorização das medicações desses pacientes. Por vezes o risco se encontra quando ocorrem trocas ou introduções de novos antidepressivos em indivíduos com depressões graves, e isso acontece porque a motivação melhora antes do humor, o que pode encorajar o ato em si.


2 – Pessoas dependentes de álcool ou drogas estão entre os importantes grupos de risco de suicídio. O baixo nível de consciência e os altos níveis de depressão e ansiedade que acompanham esses indivíduos são a mistura que pode desaguar no suicídio.

Indivíduos que morem só, ou que tenham uma vida com poucos relacionamentos interpessoais tem um risco aumentado. Os riscos vão piorando no decorrer do processo de tolerância aos efeitos do álcool e das drogas, as quais o paciente se tornou dependente, num ciclo de aumento de doses e piora do quadro de depressão, bem como da frustração de ver o seu mundo desmoronar com perda de trabalho, amigos, e relacionamentos. Nesses casos, uma internação em clinica psiquiátrica pode ser a única alternativa.

3 – O mesmo processo descrito no item 2 pode acontecer com drogas licitas, prescritas ou não por médicos. As drogas usadas para indução rápida do sono ou como ansiolíticas (as chamadas de benzodiazepínicos ou faixa pretas, bem como as “z drugs”, tipo o zolpidem e etc) são as grandes causas dos casos de “tentativas de suicídio” que são atendidas nos pronto socorros diariamente.

Esses pacientes vão adquirindo tolerância ao efeito hipnótico e acabam ingerindo doses toxicas do medicamento, e por vezes adicionam álcool como potencializador. Em geral esses pacientes não tem a intenção clara do suicídio, mas podem acidentalmente vir a falecer.

4 – Pessoas que estejam vivenciando grandes perdas financeiras, luto, doenças graves, desilusões amorosa, principalmente em adolescentes, mesmo que não tenham antecedentes de problemas psiquiátricos, devem ser monitorizadas.

Uma conversa franca e sincera pode ser reveladora de ideias ou planos para o suicídio. Nunca devemos ter medo de tocar nesse assunto com alguém que esteja em sofrimento, achando que isso iria “levantar a ideia do suicídio”. Esse tipo de receio, pode revelar mais o nosso medo em ter que atuar numa situação bastante complexa, que é o risco de alguém que convivemos cometa o suicídio. Uma vez que tal assunto seja mencionado, o ideal é encaminhar essa pessoa para um psiquiatra, que é o profissional habilitado para lidar com essas situações.

5 – Cartas de despedidas, mensagens de agradecimento, doações de objetos pessoais ou valores para amigos ou familiares podem ser pistas importantes. Existem casos em que não há, praticamente nenhuma dica de que determinada pessoa esteja planejando o suicídio, principalmente quando falamos de adolescentes ou jovens em geral, mas na grande maioria dos casos o suicídio pode ser evitado, desde que possamos conversar abertamente com a pessoa da qual suspeitamos, e jamais minimizar do potencial suicida de alguém.

Publicado por Dr. Sergio Klepacz

Dr. Sergio Klepacz CRM 39099 – Médico psiquiatra pela Santa Casa de São Paulo desde 1980, mestrado em psicofarmacologia pela Unifesp. Diretor da clinica TotalBalance Medicina Integrada.

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