8 Situações que Apenas Parecem Depressão

Depressão já é a doença do século, com números cada vez maiores de indivíduos acometidos. Os sintomas podem ser bem variados, assim como sua etiologia.

Alguns pacientes sentem angústia, dor no peito, outros uma ansiedade incontrolável, muitos padecem de um desânimo intenso, cansaço e falta de energia, bem como alteração do ritmo circadiano e apetite.

Mas esses sintomas podem ser referentes a outras patologias, o que pode confundir o paciente e o próprio médico, fazendo algumas pessoas a aderirem a tratamentos com antidepressivos, sem nenhum resultado. Entre essas condições, podemos citar:

1 – Anemia por deficiência de ferro e de vitaminas

O sangue leva oxigênio pelos tecidos do corpo através dos glóbulos vermelhos (hemácias) e hemoglobina, que contém a hemoglobina responsável por esse transporte.

O individuo que apresenta anemia, ou seja, baixos níveis de hemoglobina ou de hemácias, pode ter essa capacidade cerebral diminuída, por insuficiente aporte de oxigênio para os neurônios.

Existem áreas do cérebro que são particularmente sensíveis à falta de oxigenação, como é o caso do hipocampo, região importante no controle do humor. Nos dias atuais muitas pessoas podem apresentar baixas contagens de glóbulos vermelhos e hemácias. Alguns exemplos que podemos citar são as pessoas de hábito vegano, os que se submeteram a cirurgia bariátrica, mulheres com excesso de sangramento nos períodos menstruais, etc. Por vezes um simples hemograma pode revelar o quadro e orientar o tratamento.

2 – Hipotensão arterial

Alguns indivíduos sofrem com baixos níveis de pressão arterial, a chamada hipotensão arterial de modo permanente, o que dificulta a chegada do sangue a áreas cerebrais superiores por questões puramente físicas.

Por se situar acima do coração, o sangue deve ser impulsionado para o cérebro com uma pressão suficientemente adequada, para atingir áreas, tais como o córtex pré-frontal, situado bem distante do coração, e que são responsáveis pelo controle da ansiedade e do medo, e de boa parte dos processos cognitivos.

De um modo geral essas pessoas sentem muito cansaço e indisposição, principalmente quando se levantam, dando preferencia por permanecerem deitados durante o dia todo, o que pode ser tomado por um individuo que sofre de um estado permanente de depressão.

Esse processo é mais comum em indivíduos jovens, e geralmente as causas dessa hipotensão arterial são indeterminadas.

3 – Desidratação

Comum em indivíduos idosos principalmente durante o verão.

Os sintomas da desidratação são de extremo cansaço e desanimo, podendo ou não ser acompanhado de queda da pressão arterial.

Por vezes esses pacientes mal conseguem se locomover, sendo trazidos por familiares. Os idosos são extremamente vulneráveis a este quadro pois normalmente já tem dificuldade de reter a agua dentro das células, e frequentemente são rotulados como estarem num quadro depressivo.

Por vezes esses pacientes mal conseguem se locomover, sendo trazidos por familiares. Os idosos são extremamente vulneráveis a este quadro pois normalmente já tem dificuldade de reter a agua dentro das células, condição típica daquela fase, e frequentemente são rotulados como estarem num quadro depressivo grave.

Os sinais podem ser difíceis de se detectar, mas olhos secos, boca seca, pele sem turgor podem estar presentes nesses indivíduos.

Dias muito quentes, idosos que não bebem água, ou usam casacos no calor, episódios de diarreia, ou vômitos que antecedem esse quadro, podem também serem dicas importantes para o diagnostico do quadro. 

Um simples soro injetado via endovenosa pode ser suficiente para resolver o quadro.

4 – Distúrbios do sono

Muitas pessoas tem problemas com a qualidade de sono e frequentemente não se dão conta disso.

Sentem muito desanimo, irritação, dores de cabeça, dores pelo corpo, e muito cansaço, e frequentemente procuram os médicos com queixas depressivas que não melhoram com os tratamentos tradicionais.

O sono é a melhor forma de restabelecer o equilíbrio do sistema nervoso central, e se ele não consegue exercer essa função, devido a falhas na sua continuidade, os quadro psiquiátricos surgem de forma dramática, tendo inclusive aumentado a chance desses pacientes tentarem o suicídio.

São muitas as condições que causam sono de baixa eficiência, sendo que a apneia de sono uma das mais frequentes. Nesse caso os pacientes tem dificuldade em se manterem dormindo devido a paradas respiratórias frequentes durante a noite, causando micro despertares que passam desapercebidos pelo paciente.

No geral essa condição acomete pessoas com desvio do septo nasal, ou indivíduos obesos e nesse caso a condição piora quando se alimentam tarde da noite. A presença de ronco pode ser uma “dica”, mas o exame do sono (a polissonografia) pode com certeza revelar essa condição, e um aparelho que ajuda a respiração (o CEPAP) pode ser a solução.

5 – Síndrome das pernas inquietas

É uma condição que afeta a continuidade do sono provocando sensação de cansaço, desanimo semelhante a apneia do sono. Mas nesse caso são os movimentos nas pernas que aparecem durante o sono que impedem o paciente de manter um sono de boa qualidade, causando micro despertares, e impedindo o sono de realizar a função restauradora primordial.

Esses pacientes costumam apresentar uma longa historia de depressão, sem melhora com os tratamentos tradicionais. Esse quadro costuma estar associado a uma deficiência do sistema dopaminergico, e em alguns casos só melhora com medicamentos específicos.

Uma outra situação que envolve a falha da dopamina é a deficiência de ferro, ou ferritina baixa, uma vez que o ferro é um elemento fundamental para a formação da dopamina pelos neurônios da chamada substancia negra (área do cérebro que acumula o ferro). Nesse ultimo caso, indivíduos com baixa ingesta, uso de antiácidos (acidez é importante para a absorção do ferro) ou mulheres com excessivo sangramento menstrual, podem ser acometidos pela síndrome.

Existe também uma tendência hereditária no acometimento pela síndrome, sendo que indivíduos de uma mesma família podem ser comprometidos.

6 – Inflamação

Processos inflamatórios podem ter sintomas semelhantes a depressão como falta de energia e dificuldade de concentração e insônia.

Processos virais agudos (gripe, dengue, herpes, etc..), doenças autoimunes, e outras podem vir acompanhadas de depressão psíquica causada pelas alterações provocadas pela própria química do processo inflamatório. Esses quadros costumam melhorar com a própria evolução da doença.

Nos casos de inflamação aguda de grande intensidade, a  insônia está frequentemente presente, uma vez que a formação da melatonina (hormônio do sono) pode estar sendo bloqueada pelo próprio processo inflamatório, sendo que a sua reposição pode melhorar esse tipo de insônia.

7 – Câncer

Alguns tipos de câncer podem se manifestar inicialmente como depressão.

A possível causa poderia estar ligada ao processo inflamatório que acompanha a doença. O câncer do pâncreas pode ter a depressão como um dos primeiros sintomas, e somente a analise de marcadores tumorais pode eventualmente dar a dica da presença dessa patologia.

Pela minha experiência, uma vez detectado o problema de forma precoce, e sendo o paciente submetido a cirurgia para remoção do tumor, o sintoma depressivo se resolve por si só.

8 – Hipotireoidismo

Entre as doenças que se parecem com depressão, o hipotireoidismo é a que possui um quadro mais semelhante.

O hormônio tireoidiano é o responsável pela velocidade com que as células do corpo produzem energia, sendo que os neurônios são extremamente dependentes do estimulo desse hormônio, que quando deficiente resulta em sintomas de desanimo, dificuldade de raciocínio, tal como no distúrbio depressivo.

Os pacientes podem apresentar no caso no hipotireoidismo, intolerância ao frio, aumento de peso, retenção de mixedema (material que se parece com gordura) nos braços, rosto e costas. Podem também sofrer com quedas de pressão arterial e perda de cabelos e unhas quebradiças.

Como muitos  desses sintomas são também comuns nos quadros depressivos, o diagnostico diferencial pode ser bastante problemático, por vezes.

O exame laboratorial pode não ser suficiente para esclarecer o diagnostico, havendo casos em que os números se mostram limítrofes, e muitos pacientes podem sofrer por longos períodos, até que a dosagem do hormônio tireoideano se mostre efetivamente baixa.

Publicado por Dr. Sergio Klepacz

Dr. Sergio Klepacz CRM 39099 – Médico psiquiatra pela Santa Casa de São Paulo desde 1980, mestrado em psicofarmacologia pela Unifesp. Diretor da clinica TotalBalance Medicina Integrada.

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