Programa Pergunte Ao Psiquiatra – S1E2 – Somente Áudio

Clínica TotalBalance
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Programa Pergunte ao Psiquiatra Episódio 2: Serotonina

Hoje no programa Pergunte Ao Psiquiatra, Dr. Sergio Klepacz da Clínica TotalBalance bate um papo com a apresentadora Juliana Haas sobre a serotonina.

Nesta entrevista, você vai aprender:

– O que é a serotonina.
– O mapa 3D da depressão.
– As funções da serotonina.
– Relação da serotonina e a depressão.
– Estudos sobre a serotonina.
– O papel do stress.

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Transcrição


Juliana Haas – Olá. Sejam bem-vindos ao Programa Pergunte ao Psiquiatra. Hoje com o doutor Sérgio Klepac, atual então, diretor da Clínica Total Balance

Juliana Haas – E a serotonina, que falam também? Me explica como que é esse mecanismo. Porque ouvimos falar e acaba confundindo tudo, é cortisol, é serotonina.
Drº Sergio Klepacz – É verdade. É muito difícil entender a depressão. O leigo, às vezes até dentro da minha área, é difícil. Porque eu vejo, assim, para abordarmos a depressão, temos que ter uma visão, de certa forma, 3D. Hoje se fala de 3D. Tudo é 3D. Você tem um aspecto neurotransmissor, que é a química do cérebro; isso leva ao funcionamento do cérebro, quer dizer, como é que o cérebro… um computador, a que modo que funciona, como é que funciona? E aí você tem a parte do hormônio, que é o que eu estava explicando, a questão do hormônio de estresse, por exemplo, cortisol. Uma coisa leva à outra, que leva à outra, que leva à outra. Você pode começar com um desequilíbrio e aí você tem vários desequilíbrios. Por exemplo, serotonina. Serotonina, historicamente, foi um dos primeiros atributos, quer dizer, foi a primeira química atribuída à depressão. Isso aconteceu na década de 50, quando pessoas que faziam tratamento para tuberculose estavam em asilos de tuberculosos naquela época, e uma das medicações que se usava, a Isoniazida, ela tem uma ação que aumentava a serotonina. E aí observava-se que essas pessoas ficavam mais alegres e felizes, apesar de toda a situação da doença crônica, etc. Começou-se observar que medicamentos que aumentavam a serotonina eram úteis para o tratamento de depressão. Aí surgiram os antidepressivos. O que que faz os antidepressivos? Aumentam a disponibilidade de neurotransmissores, principalmente a serotonina. Boa parte dos antidepressivos, não são todos, tem vários tipos de antidepressivos, mas uma boa parte aumenta a disponibilidade de serotonina. A serotonina tem várias ações pelo corpo, não tem uma ação só. Eu sempre brinco e digo assim: Deus foi meio que econômico e botou uma chave para abrir várias portas. Boa parte da serotonina está circulando no sangue, no corpo, ela está fora do cérebro. Apenas uma pequena parte, digamos, de 1,5 a 3%, aproximadamente, que está dentro do cérebro, está circulando dentro do cérebro. Uma boa parte é usada, por exemplo, para movimentar o intestino e o estômago, não sei se você sabia disso.

Juliana Haas – Não, não sabia.
Drº Sergio Klepacz – Uma grande fábrica de serotonina…

Juliana Haas – E às vezes podemos até estar com o intestino preso, outros problemas que têm a ver com isso, e a gente não sabe.
Drº Sergio Klepacz – Sim. Claro. Por isso que sabemos que quem tem problema de intestino, tem mais chance de ter problema de depressão.

Juliana Haas – Tem tudo a ver.
Drº Sergio Klepacz – Existe uma conexão. O sistema imunitário também depende de serotonina. A serotonina participa do controle da imunidade. Tem várias funções no corpo. Não pode estar sozinha circulante em grandes quantidades. Por isso que ela está dentro das plaquetas, que é aquele elemento, quando se faz o hemograma, você vê lá plaquetas, etc., que são pequenos corpúceos circulantes, que não deixa a serotonina ficar livre. Se você tiver uma liberação enorme de serotonina, você pode ter uma coisa que chama-se choque anafilático. A serotonina pode ser vasoconstritor.

Juliana Haas – O corpo literalmente tem que estar em equilíbrio, não é?
Drº Sergio Klepacz – Tem que estar em equilíbrio, é importante, para o intestino, estômago, imunidade, etc. Por isso que conexão, a pessoa, às vezes, com alergia também tem mais tendência à depressão. Alergia e depressão, problema intestinal com depressão. Tem uma conexão. Se olharmos por aí, vemos os trabalhos científicos, vemos uma conexão, o próprio médico vê essa ligação que existe. No cérebro, a serotonina é usada como mensageiro entre áreas. É produzida numa área perto do tronco, uma área central, e é projetada, como se fosse um rio, uma circulação, para áreas conscientes, áreas pré-frontais, ou áreas emocionais.

Juliana Haas – E quando a pessoa está com sintoma de depressão, está com esse nível baixo de serotonina?
Drº Sergio Klepacz – Não. Veja bem, a depressão, não existe uma causa só, como eu estava falando para você. Alguns pacientes têm a serotonina baixa. Por exemplo: depressão é uma das principais causas de suicídio, e existe um trabalho clássico da década de 70, feito na Suécia, que essa pesquisadora fez a dosagem do produto final da metabolização da serotonina em pessoas que morreram por suicídio, e observou que estaria mais baixo. Ou seja, essas pessoas que cometeram suicídio teriam serotonina, no cérebro, mais baixo. Isso chamou muito a atenção, foi um grande achado. Assim, a indústria começou a impulsionar uma série de medicamentos, que, no fundo, o que eles fazem é simplesmente aumentar a disponibilidade de serotonina no cérebro. Como muita gente fala assim, “puxa, mas eu estou tomando, doutor, deu enjoo, dor de barriga”, às vezes diarreia, isso porque ela começa a agir antes fora do cérebro e aumenta a disponibilidade, por exemplo, no intestino, em outras áreas. Depois aquilo acaba, digamos, espirrando para o cérebro. A serotonina é um negócio bastante interessante. Como é que a gente entende para que que serve a serotonina? Ela tem várias funções. Vamos tentar olhar os animais. Teve um pesquisador que pegou, fez uma pequena selva com vários macacos e ficou observando os macacos. E olha que interessante: ele observou que existia, obviamente, uma comunidade de macacos, talvez como em uma comunidade humana, vai existir sempre o líder e os seguidores do líder, vamos supor, os hierarquicamente inferiores e o macaco alfa e os macacos betas…

Juliana Haas – Sempre tem, não é?
Drº Sergio Klepacz – Sempre tem. E aí olha que interessante: ele observou que os macacos que não são líderes, os macacos submissos ao líder, era o macaco que mais tinha serotonina no cérebro, um maior turnover, uma maior circulação de serotonina. Já os lideres, menos. E existia sempre aquele macaco provocador, que causava conflito no bando, porque provocava demais o líder e vivia o tempo todo provocando o líder, que era o que tinha um bloqueio muito grande de serotonina, a serotonina muito baixa, e acabava sendo hostilizado pelos outros macacos. Vemos que a serotonina tem uma ação muito complexa, inclusive até na posição que a gente ocupa. Agora você vai falar assim: “mas o que isso tem a ver com depressão?”. Olha o quão complexo, isto é, e quão difícil de entender.

Juliana Haas – Sim, é muito complexo.
Drº Sergio Klepacz – Mas vamos pensar assim: serotonina baixa é igual depressão? Não, não obrigatoriamente.

Juliana Haas – E eu já achei que era. Por isso que é muito complexo.
Drº Sergio Klepacz – É complexo. Foram feitos alguns trabalhos científicos de dosagem, de (metabólito) serotonina, por exemplo, em prisões, em pessoas cumprindo pena por crimes violentos. Quanto mais violento eram os crimes, menor o nível de serotonina.

Juliana Haas – Eles são mais agressivos?
Drº Sergio Klepacz – A serotonina, de certa forma, é uma forma de controle: um controle social, controle de impulso. Você imagina uma pessoa que está em depressão, a serotonina também está ruim. O que que é o suicídio? É o total bloqueio do seu impulso agressivo. Imagina uma pessoa que está em depressão, que tem uma agressividade muito grande, mas a sociedade não permita que ela coloque essa agressividade. Às vezes, entender o conflito todo, quer dizer, como isso faz parte da depressão. É uma coisa interessantíssima, não é?

Juliana Haas – É. É um ciclo, uma coisa que vai puxando a outra.
Drº Sergio Klepacz – Exatamente. Imagina isso numa época pré-civilização, uma pessoa com serotonina baixa, ia lá e matava o outro. A gente não pode fazer isso hoje em dia. ((risos))

Juliana Haas – E isso é uma coisa que nasce, está na genética dela.
Drº Sergio Klepacz – O que mexe, o que muda o perfil da serotonina? Por exemplo: tem pessoas que têm um perfil genético desfavorável à circulação ou à produção de serotonina no cérebro. São pessoas que têm uma história familiar de depressão ou síndrome do pânico. Agora você vê assim, agora tem aquelas pessoas, – observamos sempre no geral -, pessoas que realmente estão em uma fase de estresse grande, que o próprio aumento do cortisol leva à uma diminuição da serotonina. Existe uma conexão cortisol/serotonina. No meu blog eu coloco bem essa explicação em um diagrama. Você pode ter, de certa forma, duas causas, ou o intermediário disso: uma pessoa que tem uma forte tendência ou um forte desfavorecimento genético, um pequeno estresse traz uma depressão. Já ao passo que a pessoa que não tem uma predisposição genética, mas aí precisa de um forte estresse para ter uma depressão, entendeu?

Juliana Haas – É isso aí. Por hoje é isso. Espero que vocês tenham gostado da nossa conversa aqui com o doutor Sérgio. Trouxemos algumas dúvidas dos nossos seguidores, e vocês podem deixar todas as dúvidas aqui nas redes sociais. Eu vou pedir um like para quem gostar do vídeo, se inscreve no canal, ativa o sininho para receber as notificações. Nos acompanhe nas redes sociais, aqui na Total Balance, que é o Instagram da clínica. Se quiserem seguir o meu também, é ju_haas, que eu sou apresentadora, influencer, estou passando por um monte de coisa também desses nossos estresses aí do mundo digital. E é isso. Obrigada pela entrevista e até na próxima semana.
Drº Sergio Klepacz – Até.

Juliana Haas – Um beijo, tchau.

Publicado por Dr. Sergio Klepacz

Dr. Sergio Klepacz CRM 39099 – Médico psiquiatra desde 1983 pela Santa Casa de São Paulo, mestrado em psicofarmacologia pela Unifesp. Diretor da clinica TotalBalance Medicina Integrada.

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