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		<title>Pergunte ao Psiquiatra - Dicas Sobre Saúde &amp; Bem-Estar</title>
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	<title>Gorduras Boas e Ruins para o Cérebro</title>
	<link>https://totalbalance.com.br/podcast/gorduras-boas-e-ruins-para-o-cerebro/</link>
	<pubDate></pubDate>
	<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
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	<description><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Dr. Sergio Klepacz, da Clínica TotalBalance, explica quais são as gorduras boas e ruins para o cérebro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste vídeo você irá conferir:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>A importância das gorduras para o cérebro</li><li>Quais são as diferenças entre as gorduras boas e ruins</li><li>Os alimentos que você deve consumir e evitar para o equilíbrio emocional</li></ul>



<p class="wp-block-paragraph">Siga o <a href="https://www.instagram.com/clinicatotalbalance">programa no Instagram</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Transcrição</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Bom dia. Queria abordar com vocês um tema, tentar explicar pra vocês de um jeito simplificado, tá?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque eu acho que a gente tem que entender as bases da coisa, e a importância de um determinado assunto. Vou falar sobre gorduras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bom, o que que tem que ver gordura com questões psíquicas, com o sistema emocional? Na verdade, tem tudo a ver. O cérebro, ele é feito de gordura. E eu vou explicar pra vocês que tipo de gordura, e como isso aí acontece, tá?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vou tentar ser de um jeito sintético e simplificado, porque envolve as questões químicas, que eu não vou ficar falando muito. Então, eu vou colocar aqui. É uma aulinha sobre gorduras. Então, aqui, nós temos essa aulinha que eu vou dar sobre gorduras. Na verdade, quando a gente fala gordura, a gente fala ácido graxo, que é a mesma coisa de gordura. Então, não se espante, que vocês vão ver esse nome aqui.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, na verdade, a gente tem aquele preconceito contra gordura. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Gordura é uma coisa ruim, é uma coisa que afeta, deixa a pessoa gorda, etc., etc.".</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, na verdade, gordura não é bem assim. Gordura... existem gorduras importantíssimas, que, sem ela, a gente não teria evoluído e se transformado em <em>Homo sapiens</em>. Olha que interessante. Eu vou contar essa história pra vocês. Então, por que que a gordura é importante?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque como você pode ver, isso aqui é a célula, a membrana de um neurônio, é a parte da célula onde... que divide o exterior com o interior, ou como se fosse a pele do neurônio, e essa camadinha aqui marrom escura, aqui, e junto com essa parte mais clara, na verdade, são gorduras que ficam uma juntinho da outra, formando a chamada membrana do neurônio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E é nessa membrana que existem esses poros, essas moléculas todas aí, que fazem todo o trabalho de excitar o neurônio, desexcitar, acalmar. Então, todos os processos mentais passam por essa... pelo impulso nervoso, na verdade. Você mexe uma mão, né, você tá acionando um impulso nervoso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, esse aqui é o neurônio. Então, na verdade, é como se fosse um fio elétrico. E esse braço do neurônio chamado axônio, é que corre o chamado impulso nervoso, ou nada mais é do que uma espécie de eletricidade, que, obviamente, com uma corrente muito pequenininha, né? Com potencial muito pequenininho, mas que dá até pra medir eletricamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a gente faz um eletroencefalograma, a gente, na verdade, tá medindo esse tipo de eletricidade que passa pelo neurônio. Então, como eu falei pra vocês, a célula do neurônio, aonde passa a eletricidade, existem... ele é feito de gordura. Então, aqui, eu tô dando um exemplo, por que que tem gorduras boas e gorduras ruins, na verdade, pro cérebro. Então, gordura saturada, -eu vou falar da gordura saturada-, que é a gordura da carne, aquela gordura quando você come uma picanha, você vai comer a gordura saturada. E aqui é a gordura insaturada ou monoinsaturada, que é a gordura que vem do peixe, aquele chamada gordura ômega 3, que seríamos, digamos assim, a gordura boa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, você vê aqui, no primeiro caso, uma gordura rígida, muito bem encaixadinha uma na outra, então, o impulso nervoso não corre tão fluido, tão rápido. Já ao passo que no caso da gordura insaturada, -essa que é toda bagunçada-, mas ela é mais líquida, não é rígida, o que dá uma melhora no processo de transmissão do impulso nervoso, portanto, melhora o funcionamento do cérebro. Então, como eu tava falando pra vocês, muita gente tem preconceito a gorduras, né? Pessoas têm pânico de engordar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">"Não como gordura de jeito nenhum, doutor. Jamais vou comer uma gordura”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas nem todas as gorduras são ruins. Aqui, a gente tem as gorduras insaturadas ou poli ou mono saturadas, que são as gorduras boas. Essas gorduras, na verdade, são essenciais. Ou seja, sem elas, o indivíduo fica doente. Tá? Então, a gente tem duas classes de gorduras: uma, é a gordura chamada ômega... </p>



<p class="wp-block-paragraph">Na verdade, existem mais, mas eu tô falando as mais importantes pra gente. O ômega 6 e o ômega 3. Então, como a gente sabe que é essencial? Se você tirar isso do indivíduo, ele apresenta alguns sintomas de doença, apresenta deficiência. Sintomas, né? E deficiência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso do ômega 6, é uma deficiência muito rara de ver, porque praticamente a gente vai ver que o ômega 6 está em todos os tipos de... quando você compra um óleo de soja, ele já tem ômega 6. Então, é uma coisa muito comum. Então, quando... acho que no caso de... descobriu-se bebês que tiveram... que tavam tomando só leite desnatado, tiveram diarreia, prurido na pele, e, principalmente, fica com a pele muito seca, porque a pele também incorpora ômega 6. Eczemas e pele muito seca.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já o ômega 3, é difícil de detectar, e é mais comum a falta, devido, -como vocês vão entender-, ao nosso padrão de dieta hoje em dia. Então, a gente tem... quando a gente tem deficiência de ômega 3, a gente tem alteração já da parte de comportamento, porque o cérebro, ele usa demais o ômega 3 em termos de estrutura. Então, estrutura do cérebro humano, ela é, basicamente... ela tem uma importância muito grande do ômega 3 nessa estrutura do cérebro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, a gente vai ter... quando a gente tem falta do ômega 3, que a gente vai encontrar no peixe, nos peixes de água fria, água profunda. Então, a gente vai ter alteração do humor, dificuldade de concentração, prejuízo no aprendizado, intolerância ao etanol, ao álcool, a pessoa bebe álcool, já fica bêbada rapidinho, dificuldades visuais. Por quê? Porque o ômega 3 é muito comum na retina, nos olhos. Então, a gente vai ver que a pessoa também tem problemas com a visão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E por que que isso pode acontecer? Por que que hoje muitas pessoas... A gente vê, de acordo com os sintomas que eu mostrei pra vocês há pouco tempo atrás, agora, no slide anterior, vocês vão ver que existe uma diferença entre essas gorduras, na verdade, e por que que é difícil você ter falta de uma e falta da outra. Porque o ômega 6, você tem que ter, basicamente... pra cada quatro porções de ômega 6 que você ingere, você tem que uma de ômega 3.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ômega 3 é mais difícil, porque vem, principalmente, no peixe, em algumas oleaginosas, tipo óleo de linhaça, etc. Já o ômega 6, é comum em todas as frituras, todas as coisas que a gente come. Então, eu botei um exemplo aqui, um McDonald's versus uma porção de arenque, que é muito rica em ômega 3. Então, por isso que a gente percebe quanto é difícil, hoje, você ter... então por isso que o ômega 3... a gente, basicamente, suplementa mais o ômega 3.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa foto aqui mostra minha família antigamente, minha mãe, avós, etc. E por que que eu pus essa foto? Essa foto me lembra muito ômega 3, porque a minha vó era da Polônia, e na Polônia, se consumia... essa senhora aqui é a minha vó, né? Era a minha vó. E lá, naquela época, -até hoje, possivelmente-, se consome muitos peixes da região do (Balto 08:22), que são... é uma região fria, e é uma água bem fria, e tem alguns peixes, tipo o arenque, animais (do Norte), bacalhau, que são peixes ricos em ômega 3.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, eu me lembro do ômega 3 na minha infância. A gente comia muito o arenque, e lá na Polônia ou na... na Alemanha, se chama-se de hering. Então isso aqui é uma porção que eu comprei outro dia aí pra me deliciar, e repor ômega 3. Já ômega 6, como eu falei, é muito comum em óleo de soja, milho, granola, amendoim, etc. Então, dificilmente vai faltar. É uma deficiência muito rara. Quando você... alguns casos específicos, você pode, alguns tipos de ômega 6, por exemplo, o ácido gama-linolênico, aquele que é usado para tratar algumas condições, por exemplo, TPM e inflamações geral, né? E a gente pode ver, aqui, onde tem esse tipo de produto. A gente vai ver, no óleo de linhaça, tem ômega 6.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O óleo de prímula e óleo de borragem, que tem também o ômega 9, mas eu não vou falar do ômega 9, por enquanto. O ácido gama-linolênico, eu tava falando, que é um ômega 6 que a gente, às vezes, suplementa, que pode ser... pode ser usado pra problemas de inflamação, como doenças... algumas doenças inflamatórias. Ou, no caso, por exemplo, que ele melhora questão da inflamação. E ele pode ser usado na síndrome pré-menstrual, famosa TPM. Algumas mulheres usam, alguns ginecologistas prescrevem. E alguma outra função dele é que ele impede o ganho de peso em pessoas obesas que emagreceram, e, em geral, costumam ganhar novamente aquele peso que perderam. Bom, e aí, a gente vai ver uma coisa muito interessante quando a gente fala do ômega 3. Tá? Ômega 3 seria essa estrutura aí que vocês estão vendo aí, e o ômega 3 tá diretamente ligado à própria história da humanidade. Olha que interessante. Há um milhão e meio de anos atrás, uma mutação... o que que é uma mutação?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um acidente de replicação genética deu origem a um gene diferente, esse gene chama-se ARHGAP11B. Tá? E que que acontece com esse gene? Então, um daqueles hominídeos, aqueles homens primitivos, os homos, né, primitivos, Australopithecus, seres primitivos pré-homem, antes da gente existir como espécie. Alguns desses animais, em algum momento, teve essa mutação e isso faz esse gene, -ARHGAP11B-, faz com que o cérebro cresça demais, se desenvolva demais. Então, se você... é um trabalho... eu tenho um trabalho muito interessante, e é um trabalho até meio polêmico e alguma coisa até meio perigosa, né?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não é nem ficção científica, é realidade. Se você injetar, por exemplo, no cérebro de macaco, o embrião no cérebro de macaco, -só funciona na fase embrionária-, esse gene, você pode, hoje em dia, fazer essas engenharias genéticas, todo mundo já sabe fazer isso aí.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não vou dizer como é que é, mas é muito simples, né? Simples, né? Isso dá pra ser feito. Se você... olha se você pegar um cérebro do embrião de macaco e colocar esse gene, olha o que acontece com o cérebro. O cérebro se desenvolve demais. Isso aconteceu e nos fez humanos. Só que quando você faz a experiência, você tem que parar na fase embrionária, você não pode deixar nascer um macaco com um cérebro extremamente avantajado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É uma coisa bem complicada eticamente falando, em termos de ética da ciência. Então, aqui está o que acontece com esse gene ARHGAP, tá? 11B. Ele cresce muito essas zonas de reprodução... essas zonas de neurônio. Então, ele tem o dobro mais de neurônio e o cérebro fica muito maior. E aí, o que acontece? Mas, você tem o estímulo, que é o gene, faltava a matéria-prima, e a matéria-prima é o ômega 3. Esse lugar aqui é um lugar que eu fui conhecer um tempo atrás, em que existem várias cavernas em frente ao oceano, no caso, Oceano Índico, lá na África do Sul. Essa cidade se chama (Knysna 13:21).</p>



<p class="wp-block-paragraph">E eu achei interessante porque essa foto eu mesmo tirei. Formam-se lagoas e muitas grutas em frente às lagoas de água marinha. Então, provavelmente, aqui, tem uma quantidade de frutos do mar, de conchas, etc., ostras, mariscos, etc., muito grande. Em algum momento, algum desses indivíduos, que já tavam desenvolvendo o cérebro, resolvem comer esse tipo de alimento. Foi uma época que uma parte do <em>Homo sapiens </em>foi empurrado pro sul da África por questões climáticas, e aí, ele começou a comer esse tipo... essa fonte de ômega 3, que são frutos do mar. E aí, o cérebro tinha o estímulo, tinha a matéria-prima, não adianta você ter só a mão de obra sem matéria-prima. Então, tinha aquele monte de gente pra construir, demos o tijolo e virou esse cérebro que nós conhecemos, que é o cérebro humano, que, com todos os defeitos que ele tem, mas ele ainda é o mais sofisticado de todos os cérebros de todos os animais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nós temos dois tipos de ômega 3: o EPA e o DHA. Com características diferentes, um pouco, discretamente diferente, mas eles podem se intercambiar. O DHA, ácido docosahexaenóico é muito importante, porque ele é necessário para o crescimento e ele tem o presente... ele que é presente em grandes quantidades no cérebro, nas membranas, e ele é fundamental para a estrutura da formação do cérebro, e ele é mais líquido e fluido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, importante: nós podemos usar o ômega 3 em prevenção em psiquiatria. A gente sabe que as doenças psiquiátricas são complexas e difíceis de tratar, por vezes. E se a gente sabe que a suplementação com os ácidos graxos essenciais, ou gordura essencial, principalmente ômega 3, pode ser usada na prevenção. Isso aqui são alguns trabalhos que eu tô mostrando, prevenção dos distúrbios psíquicos, tá? Então, eu vou dar as dicas quais são os alimentos que contêm.</p>



<p class="wp-block-paragraph">São os peixes de água profunda e fria, como o salmão. Talvez não aquele salmão do Chile, aquele lá, ele é alimentado com ômega 6, principalmente milho, coisas assim. Então, não sei se tem. Tem que ser salmão selvagens; cavalinha, ostra, arenque, sardinha, atum, etc. Algumas sementes oleaginosas e óleo de linhaça. Já, agora falando sobre as gorduras ruins. Nós temos a gordura saturada, tá? São as gorduras de origem animal ou dos laticínios, queijo, etc., óleo de coco, azeite de dendê. Eles têm alta densidade calórica, ou seja, eles... esses daí engordam sim, o ômega 3 não engorda, e podem aumentar o colesterol. Então, quando a gente vai comer lá uma picanha, aquela parte lá é gordura saturada. Mas não confunda com uma gordura que é pior, que é a gordura trans.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que que acontece quando você come demais as gorduras ruins? O cérebro fica em prejuízo. Então, preju... isso aqui alguns trabalhos mostrando que o excesso de gordura saturada pode aumentar ansiedade, depressão, etc., dificuldade de transmissão nervosa, de readaptação do cérebro. Então, por isso que é muito importante, em termos de prevenção das questões psíquicas, uma boa... um bom tipo de alimentação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Finalmente, a gordura trans, que é a gordura que tem nesses alimentos industrializados, é uma gordura extremamente perigosa, que tem que ser consumida muito pouquinho, porque essa ainda é pior do que a saturada, né? Em termos de bloqueio do cérebro. No máximo 10% da dieta, e ela libera produtos muito pro-inflamatórios. E o grande... aqui, no caso, a gente tá falando do McDonald's, de fast-food, aliás, de alimento... de algumas comidas chamadas dieta ocidental, né? Do fast-food, esses onde tem bastante gordura trans. Então, aumenta a incidência de depressão e alterações emocionais. Bom, espero que expliquei algumas dicas importantes aí, pra gente poder... a gente poder ter cuidado aí na nossa alimentação, em termos de equilíbrio do emocional</p>



<p class="wp-block-paragraph"> Até logo. </p>]]></description>
	<itunes:subtitle><![CDATA[Dr. Sergio Klepacz, da Clínica TotalBalance, explica quais são as gorduras boas e ruins para o cérebro.



Neste vídeo você irá conferir:



A importância das gorduras para o cérebroQuais são as diferenças entre as gorduras boas e ruinsOs alimentos que v]]></itunes:subtitle>
	<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Dr. Sergio Klepacz, da Clínica TotalBalance, explica quais são as gorduras boas e ruins para o cérebro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste vídeo você irá conferir:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>A importância das gorduras para o cérebro</li><li>Quais são as diferenças entre as gorduras boas e ruins</li><li>Os alimentos que você deve consumir e evitar para o equilíbrio emocional</li></ul>



<p class="wp-block-paragraph">Siga o <a href="https://www.instagram.com/clinicatotalbalance">programa no Instagram</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Transcrição</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Bom dia. Queria abordar com vocês um tema, tentar explicar pra vocês de um jeito simplificado, tá?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque eu acho que a gente tem que entender as bases da coisa, e a importância de um determinado assunto. Vou falar sobre gorduras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bom, o que que tem que ver gordura com questões psíquicas, com o sistema emocional? Na verdade, tem tudo a ver. O cérebro, ele é feito de gordura. E eu vou explicar pra vocês que tipo de gordura, e como isso aí acontece, tá?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vou tentar ser de um jeito sintético e simplificado, porque envolve as questões químicas, que eu não vou ficar falando muito. Então, eu vou colocar aqui. É uma aulinha sobre gorduras. Então, aqui, nós temos essa aulinha que eu vou dar sobre gorduras. Na verdade, quando a gente fala gordura, a gente fala ácido graxo, que é a mesma coisa de gordura. Então, não se espante, que vocês vão ver esse nome aqui.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, na verdade, a gente tem aquele preconceito contra gordura. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Gordura é uma coisa ruim, é uma coisa que afeta, deixa a pessoa gorda, etc., etc.".</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, na verdade, gordura não é bem assim. Gordura... existem gorduras importantíssimas, que, sem ela, a gente não teria evoluído e se transformado em <em>Homo sapiens</em>. Olha que interessante. Eu vou contar essa história pra vocês. Então, por que que a gordura é importante?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque como você pode ver, isso aqui é a célula, a membrana de um neurônio, é a parte da célula onde... que divide o exterior com o interior, ou como se fosse a pele do neurônio, e essa camadinha aqui marrom escura, aqui, e junto com essa parte mais clara, na verdade, são gorduras que ficam uma juntinho da outra, formando a chamada membrana do neurônio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E é nessa membrana que existem esses poros, essas moléculas todas aí, que fazem todo o trabalho de excitar o neurônio, desexcitar, acalmar. Então, todos os processos mentais passam por essa... pelo impulso nervoso, na verdade. Você mexe uma mão, né, você tá acionando um impulso nervoso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, esse aqui é o neurônio. Então, na verdade, é como se fosse um fio elétrico. E esse braço do neurônio chamado axônio, é que corre o chamado impulso nervoso, ou nada mais é do que uma espécie de eletricidade, que, obviamente, com uma corrente muito pequenininha, né? Com potencial muito pequenininho, mas que dá até pra medir eletricamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a gente faz um eletroencefalograma, a gente, na verdade, tá medindo esse tipo de eletricidade que passa pelo neurônio. Então, como eu falei pra vocês, a célula do neurônio, aonde passa a eletricidade, existem... ele é feito de gordura. Então, aqui, eu tô dando um exemplo, por que que tem gorduras boas e gorduras ruins, na verdade, pro cérebro. Então, gordura saturada, -eu vou falar da gordura saturada-, que é a gordura da carne, aquela gordura quando você come uma picanha, você vai comer a gordura saturada. E aqui é a gordura insaturada ou monoinsaturada, que é a gordura que vem do peixe, aquele chamada gordura ômega 3, que seríamos, digamos assim, a gordura boa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, você vê aqui, no primeiro caso, uma gordura rígida, muito bem encaixadinha uma na outra, então, o impulso nervoso não corre tão fluido, tão rápido. Já ao passo que no caso da gordura insaturada, -essa que é toda bagunçada-, mas ela é mais líquida, não é rígida, o que dá uma melhora no processo de transmissão do impulso nervoso, portanto, melhora o funcionamento do cérebro. Então, como eu tava falando pra vocês, muita gente tem preconceito a gorduras, né? Pessoas têm pânico de engordar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">"Não como gordura de jeito nenhum, doutor. Jamais vou comer uma gordura”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas nem todas as gorduras são ruins. Aqui, a gente tem as gorduras insaturadas ou poli ou mono saturadas, que são as gorduras boas. Essas gorduras, na verdade, são essenciais. Ou seja, sem elas, o indivíduo fica doente. Tá? Então, a gente tem duas classes de gorduras: uma, é a gordura chamada ômega... </p>



<p class="wp-block-paragraph">Na verdade, existem mais, mas eu tô falando as mais importantes pra gente. O ômega 6 e o ômega 3. Então, como a gente sabe que é essencial? Se você tirar isso do indivíduo, ele apresenta alguns sintomas de doença, apresenta deficiência. Sintomas, né? E deficiência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso do ômega 6, é uma deficiência muito rara de ver, porque praticamente a gente vai ver que o ômega 6 está em todos os tipos de... quando você compra um óleo de soja, ele já tem ômega 6. Então, é uma coisa muito comum. Então, quando... acho que no caso de... descobriu-se bebês que tiveram... que tavam tomando só leite desnatado, tiveram diarreia, prurido na pele, e, principalmente, fica com a pele muito seca, porque a pele também incorpora ômega 6. Eczemas e pele muito seca.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já o ômega 3, é difícil de detectar, e é mais comum a falta, devido, -como vocês vão entender-, ao nosso padrão de dieta hoje em dia. Então, a gente tem... quando a gente tem deficiência de ômega 3, a gente tem alteração já da parte de comportamento, porque o cérebro, ele usa demais o ômega 3 em termos de estrutura. Então, estrutura do cérebro humano, ela é, basicamente... ela tem uma importância muito grande do ômega 3 nessa estrutura do cérebro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, a gente vai ter... quando a gente tem falta do ômega 3, que a gente vai encontrar no peixe, nos peixes de água fria, água profunda. Então, a gente vai ter alteração do humor, dificuldade de concentração, prejuízo no aprendizado, intolerância ao etanol, ao álcool, a pessoa bebe álcool, já fica bêbada rapidinho, dificuldades visuais. Por quê? Porque o ômega 3 é muito comum na retina, nos olhos. Então, a gente vai ver que a pessoa também tem problemas com a visão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E por que que isso pode acontecer? Por que que hoje muitas pessoas... A gente vê, de acordo com os sintomas que eu mostrei pra vocês há pouco tempo atrás, agora, no slide anterior, vocês vão ver que existe uma diferença entre essas gorduras, na verdade, e por que que é difícil você ter falta de uma e falta da outra. Porque o ômega 6, você tem que ter, basicamente... pra cada quatro porções de ômega 6 que você ingere, você tem que uma de ômega 3.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ômega 3 é mais difícil, porque vem, principalmente, no peixe, em algumas oleaginosas, tipo óleo de linhaça, etc. Já o ômega 6, é comum em todas as frituras, todas as coisas que a gente come. Então, eu botei um exemplo aqui, um McDonald's versus uma porção de arenque, que é muito rica em ômega 3. Então, por isso que a gente percebe quanto é difícil, hoje, você ter... então por isso que o ômega 3... a gente, basicamente, suplementa mais o ômega 3.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa foto aqui mostra minha família antigamente, minha mãe, avós, etc. E por que que eu pus essa foto? Essa foto me lembra muito ômega 3, porque a minha vó era da Polônia, e na Polônia, se consumia... essa senhora aqui é a minha vó, né? Era a minha vó. E lá, naquela época, -até hoje, possivelmente-, se consome muitos peixes da região do (Balto 08:22), que são... é uma região fria, e é uma água bem fria, e tem alguns peixes, tipo o arenque, animais (do Norte), bacalhau, que são peixes ricos em ômega 3.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, eu me lembro do ômega 3 na minha infância. A gente comia muito o arenque, e lá na Polônia ou na... na Alemanha, se chama-se de hering. Então isso aqui é uma porção que eu comprei outro dia aí pra me deliciar, e repor ômega 3. Já ômega 6, como eu falei, é muito comum em óleo de soja, milho, granola, amendoim, etc. Então, dificilmente vai faltar. É uma deficiência muito rara. Quando você... alguns casos específicos, você pode, alguns tipos de ômega 6, por exemplo, o ácido gama-linolênico, aquele que é usado para tratar algumas condições, por exemplo, TPM e inflamações geral, né? E a gente pode ver, aqui, onde tem esse tipo de produto. A gente vai ver, no óleo de linhaça, tem ômega 6.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O óleo de prímula e óleo de borragem, que tem também o ômega 9, mas eu não vou falar do ômega 9, por enquanto. O ácido gama-linolênico, eu tava falando, que é um ômega 6 que a gente, às vezes, suplementa, que pode ser... pode ser usado pra problemas de inflamação, como doenças... algumas doenças inflamatórias. Ou, no caso, por exemplo, que ele melhora questão da inflamação. E ele pode ser usado na síndrome pré-menstrual, famosa TPM. Algumas mulheres usam, alguns ginecologistas prescrevem. E alguma outra função dele é que ele impede o ganho de peso em pessoas obesas que emagreceram, e, em geral, costumam ganhar novamente aquele peso que perderam. Bom, e aí, a gente vai ver uma coisa muito interessante quando a gente fala do ômega 3. Tá? Ômega 3 seria essa estrutura aí que vocês estão vendo aí, e o ômega 3 tá diretamente ligado à própria história da humanidade. Olha que interessante. Há um milhão e meio de anos atrás, uma mutação... o que que é uma mutação?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um acidente de replicação genética deu origem a um gene diferente, esse gene chama-se ARHGAP11B. Tá? E que que acontece com esse gene? Então, um daqueles hominídeos, aqueles homens primitivos, os homos, né, primitivos, Australopithecus, seres primitivos pré-homem, antes da gente existir como espécie. Alguns desses animais, em algum momento, teve essa mutação e isso faz esse gene, -ARHGAP11B-, faz com que o cérebro cresça demais, se desenvolva demais. Então, se você... é um trabalho... eu tenho um trabalho muito interessante, e é um trabalho até meio polêmico e alguma coisa até meio perigosa, né?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não é nem ficção científica, é realidade. Se você injetar, por exemplo, no cérebro de macaco, o embrião no cérebro de macaco, -só funciona na fase embrionária-, esse gene, você pode, hoje em dia, fazer essas engenharias genéticas, todo mundo já sabe fazer isso aí.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não vou dizer como é que é, mas é muito simples, né? Simples, né? Isso dá pra ser feito. Se você... olha se você pegar um cérebro do embrião de macaco e colocar esse gene, olha o que acontece com o cérebro. O cérebro se desenvolve demais. Isso aconteceu e nos fez humanos. Só que quando você faz a experiência, você tem que parar na fase embrionária, você não pode deixar nascer um macaco com um cérebro extremamente avantajado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É uma coisa bem complicada eticamente falando, em termos de ética da ciência. Então, aqui está o que acontece com esse gene ARHGAP, tá? 11B. Ele cresce muito essas zonas de reprodução... essas zonas de neurônio. Então, ele tem o dobro mais de neurônio e o cérebro fica muito maior. E aí, o que acontece? Mas, você tem o estímulo, que é o gene, faltava a matéria-prima, e a matéria-prima é o ômega 3. Esse lugar aqui é um lugar que eu fui conhecer um tempo atrás, em que existem várias cavernas em frente ao oceano, no caso, Oceano Índico, lá na África do Sul. Essa cidade se chama (Knysna 13:21).</p>



<p class="wp-block-paragraph">E eu achei interessante porque essa foto eu mesmo tirei. Formam-se lagoas e muitas grutas em frente às lagoas de água marinha. Então, provavelmente, aqui, tem uma quantidade de frutos do mar, de conchas, etc., ostras, mariscos, etc., muito grande. Em algum momento, algum desses indivíduos, que já tavam desenvolvendo o cérebro, resolvem comer esse tipo de alimento. Foi uma época que uma parte do <em>Homo sapiens </em>foi empurrado pro sul da África por questões climáticas, e aí, ele começou a comer esse tipo... essa fonte de ômega 3, que são frutos do mar. E aí, o cérebro tinha o estímulo, tinha a matéria-prima, não adianta você ter só a mão de obra sem matéria-prima. Então, tinha aquele monte de gente pra construir, demos o tijolo e virou esse cérebro que nós conhecemos, que é o cérebro humano, que, com todos os defeitos que ele tem, mas ele ainda é o mais sofisticado de todos os cérebros de todos os animais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nós temos dois tipos de ômega 3: o EPA e o DHA. Com características diferentes, um pouco, discretamente diferente, mas eles podem se intercambiar. O DHA, ácido docosahexaenóico é muito importante, porque ele é necessário para o crescimento e ele tem o presente... ele que é presente em grandes quantidades no cérebro, nas membranas, e ele é fundamental para a estrutura da formação do cérebro, e ele é mais líquido e fluido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, importante: nós podemos usar o ômega 3 em prevenção em psiquiatria. A gente sabe que as doenças psiquiátricas são complexas e difíceis de tratar, por vezes. E se a gente sabe que a suplementação com os ácidos graxos essenciais, ou gordura essencial, principalmente ômega 3, pode ser usada na prevenção. Isso aqui são alguns trabalhos que eu tô mostrando, prevenção dos distúrbios psíquicos, tá? Então, eu vou dar as dicas quais são os alimentos que contêm.</p>



<p class="wp-block-paragraph">São os peixes de água profunda e fria, como o salmão. Talvez não aquele salmão do Chile, aquele lá, ele é alimentado com ômega 6, principalmente milho, coisas assim. Então, não sei se tem. Tem que ser salmão selvagens; cavalinha, ostra, arenque, sardinha, atum, etc. Algumas sementes oleaginosas e óleo de linhaça. Já, agora falando sobre as gorduras ruins. Nós temos a gordura saturada, tá? São as gorduras de origem animal ou dos laticínios, queijo, etc., óleo de coco, azeite de dendê. Eles têm alta densidade calórica, ou seja, eles... esses daí engordam sim, o ômega 3 não engorda, e podem aumentar o colesterol. Então, quando a gente vai comer lá uma picanha, aquela parte lá é gordura saturada. Mas não confunda com uma gordura que é pior, que é a gordura trans.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que que acontece quando você come demais as gorduras ruins? O cérebro fica em prejuízo. Então, preju... isso aqui alguns trabalhos mostrando que o excesso de gordura saturada pode aumentar ansiedade, depressão, etc., dificuldade de transmissão nervosa, de readaptação do cérebro. Então, por isso que é muito importante, em termos de prevenção das questões psíquicas, uma boa... um bom tipo de alimentação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Finalmente, a gordura trans, que é a gordura que tem nesses alimentos industrializados, é uma gordura extremamente perigosa, que tem que ser consumida muito pouquinho, porque essa ainda é pior do que a saturada, né? Em termos de bloqueio do cérebro. No máximo 10% da dieta, e ela libera produtos muito pro-inflamatórios. E o grande... aqui, no caso, a gente tá falando do McDonald's, de fast-food, aliás, de alimento... de algumas comidas chamadas dieta ocidental, né? Do fast-food, esses onde tem bastante gordura trans. Então, aumenta a incidência de depressão e alterações emocionais. Bom, espero que expliquei algumas dicas importantes aí, pra gente poder... a gente poder ter cuidado aí na nossa alimentação, em termos de equilíbrio do emocional</p>



<p class="wp-block-paragraph"> Até logo. </p>]]></content:encoded>
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	<itunes:summary><![CDATA[Dr. Sergio Klepacz, da Clínica TotalBalance, explica quais são as gorduras boas e ruins para o cérebro.



Neste vídeo você irá conferir:



A importância das gorduras para o cérebroQuais são as diferenças entre as gorduras boas e ruinsOs alimentos que você deve consumir e evitar para o equilíbrio emocional



Siga o programa no Instagram.



Transcrição



Bom dia. Queria abordar com vocês um tema, tentar explicar pra vocês de um jeito simplificado, tá?



Porque eu acho que a gente tem que entender as bases da coisa, e a importância de um determinado assunto. Vou falar sobre gorduras.



Bom, o que que tem que ver gordura com questões psíquicas, com o sistema emocional? Na verdade, tem tudo a ver. O cérebro, ele é feito de gordura. E eu vou explicar pra vocês que tipo de gordura, e como isso aí acontece, tá?



Vou tentar ser de um jeito sintético e simplificado, porque envolve as questões químicas, que eu não vou ficar falando muito. Então, eu vou colocar aqui. É uma aulinha sobre gorduras. Então, aqui, nós temos essa aulinha que eu vou dar sobre gorduras. Na verdade, quando a gente fala gordura, a gente fala ácido graxo, que é a mesma coisa de gordura. Então, não se espante, que vocês vão ver esse nome aqui.



Então, na verdade, a gente tem aquele preconceito contra gordura. 



Gordura é uma coisa ruim, é uma coisa que afeta, deixa a pessoa gorda, etc., etc.".



Mas, na verdade, gordura não é bem assim. Gordura... existem gorduras importantíssimas, que, sem ela, a gente não teria evoluído e se transformado em Homo sapiens. Olha que interessante. Eu vou contar essa história pra vocês. Então, por que que a gordura é importante?



Porque como você pode ver, isso aqui é a célula, a membrana de um neurônio, é a parte da célula onde... que divide o exterior com o interior, ou como se fosse a pele do neurônio, e essa camadinha aqui marrom escura, aqui, e junto com essa parte mais clara, na verdade, são gorduras que ficam uma juntinho da outra, formando a chamada membrana do neurônio.



E é nessa membrana que existem esses poros, essas moléculas todas aí, que fazem todo o trabalho de excitar o neurônio, desexcitar, acalmar. Então, todos os processos mentais passam por essa... pelo impulso nervoso, na verdade. Você mexe uma mão, né, você tá acionando um impulso nervoso.



Então, esse aqui é o neurônio. Então, na verdade, é como se fosse um fio elétrico. E esse braço do neurônio chamado axônio, é que corre o chamado impulso nervoso, ou nada mais é do que uma espécie de eletricidade, que, obviamente, com uma corrente muito pequenininha, né? Com potencial muito pequenininho, mas que dá até pra medir eletricamente.



Quando a gente faz um eletroencefalograma, a gente, na verdade, tá medindo esse tipo de eletricidade que passa pelo neurônio. Então, como eu falei pra vocês, a célula do neurônio, aonde passa a eletricidade, existem... ele é feito de gordura. Então, aqui, eu tô dando um exemplo, por que que tem gorduras boas e gorduras ruins, na verdade, pro cérebro. Então, gordura saturada, -eu vou falar da gordura saturada-, que é a gordura da carne, aquela gordura quando você come uma picanha, você vai comer a gordura saturada. E aqui é a gordura insaturada ou monoinsaturada, que é a gordura que vem do peixe, aquele chamada gordura ômega 3, que seríamos, digamos assim, a gordura boa.



Então, você vê aqui, no primeiro caso, uma gordura rígida, muito bem encaixadinha uma na outra, então, o impulso nervoso não corre tão fluido, tão rápido. Já ao passo que no caso da gordura insaturada, -essa que é toda bagunçada-, mas ela é mais líquida, não é rígida, o que dá uma melhora no processo de transmissão do impulso nervoso, portanto, melhora o funcionamento do cérebro. Então, como eu tava falando pra vocês, muita gente tem preconceito a gorduras, né? Pessoas têm pânico de engordar.



"Não como gordura de jeito nenhum, doutor. Jamais vou comer uma gordura”.



Mas nem todas as gorduras são ruins. Aqui, a gente tem as gorduras insaturad]]></itunes:summary>
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		<title>Gorduras Boas e Ruins para o Cérebro</title>
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Neste vídeo você irá conferir:



A importância das gorduras para o cérebroQuais são as diferenças entre as gorduras boas e ruinsOs alimentos que você deve consumir e evitar para o equilíbrio emocional



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Transcrição



Bom dia. Queria abordar com vocês um tema, tentar explicar pra vocês de um jeito simplificado, tá?



Porque eu acho que a gente tem que entender as bases da coisa, e a importância de um determinado assunto. Vou falar sobre gorduras.



Bom, o que que tem que ver gordura com questões psíquicas, com o sistema emocional? Na verdade, tem tudo a ver. O cérebro, ele é feito de gordura. E eu vou explicar pra vocês que tipo de gordura, e como isso aí acontece, tá?



Vou tentar ser de um jeito sintético e simplificado, porque envolve as questões químicas, que eu não vou ficar falando muito. Então, eu vou colocar aqui. É uma aulinha sobre ]]></googleplay:description>
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	<title>Por que Sofremos com Distúrbios Psíquicos?</title>
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	<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
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	<description><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Dr. Sergio Klepacz, da Clínica TotalBalance, explica porque sofremos com distúrbios psíquicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste vídeo você irá conferir:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>Por que chegamos neste ponto?</li><li>Porque a depressão teve uma função no passado</li><li>Qual é a função do cérebro</li></ul>



<p class="wp-block-paragraph">Siga o <a href="https://www.instagram.com/clinicatotalbalance">programa no Instagram</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Transcrição</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Pessoas sofrem com distúrbios psíquicos, distúrbios mentais. Digamos que é a grande sina da humanidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ser humano conquistou o planeta, estamos aí fazendo o que quiser com o planeta, nossa casa. Mas a gente paga um preço, né? A gente vê hoje, <a href="https://totalbalance.com.br/depressao-ja-e-uma-epidemia/" data-type="post" data-id="1881">depressão</a> como uma das principais de morbidade ou de sofrimento no homem, né? Mas por que isso?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando você pega, por exemplo, um animal, você vê um animalzinho, você vê a tranquilidade, parece que eles estão sempre tranquilo. Os problemas deles se referem sempre ao aqui, agora, né? Você vê um animal estressado porque alguma coisa não está bem, está faltando alguma coisa pra ele. Você resolve aquele problema e ele está livre deste... da sua depressão, da sua ansiedade, né? Se a gente pode chamar isso no reino animal. É sempre um problema pontual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas o ser humano, não. Ele fica com a questão, ele fica com o problema, ele desenvolve ansiedade, ele desenvolve síndrome do pânico, ele desenvolve depressão, que é uma das grandes causas, como eu disse, de morbidade hoje, né? Mas por que isso é assim? Por que que isso acontece? Por que que a gente chegou nesse ponto? Vamos pensar o seguinte: vamos imaginar que a história da humanidade, ou do ser humano, ou do hominídeo, dos primórdios, como a gente chegou a ficar como a gente é hoje, né? Um ser humano, o <em>Homo sapiens.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Se isso... toda essa história, fosse contada em 24 horas, tá? O aparecimento do <em>Homo sapiens</em>, o aparecimento do homem inteligente, do homem que tem a consciência, seria, dessas 24 horas, possivelmente, os últimos minutos, né? Se a gente, pensar, por exemplo, a civilização moderna, a gente vai ver nos últimos segundos dessas 24 horas. Só pra você ter uma ideia, por exemplo, o aparecimento da internet seria os últimos 10 segundos dessa história, e hoje, a gente vive na pressão de internet, das mídias sociais, dessa coisa toda, né? Então, isso tudo é muito novo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A própria humanidade, a civilização que a gente fala hoje, -a gente chama civilização que começa há três mil anos, aproximadamente-, é nada! Então, a gente carrega a sobrevivência com a gente. Então, muitos pacientes falam:</p>



<p>"Mas, doutor, por que eu sofro tanto, né? Por que que eu tô sofrendo com uma coisa que eu sei que é absurda?".</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na verdade, você... isso que é absurdo, serviu pra gente chegar aonde chegou, por isso que, geneticamente, é um gene bem arraigado no ser humano, né? Então, o gene da depressão é muito arraigado, o gene da síndrome do pânico, a gente vê que não pula gerações; o gene da fobia social, daquele excesso de timidez, que faz muito as pessoas sofrerem, né? E como é que a gente entende isso dentro desse processo evolutivo?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A força que isso tem, a força de cinco milhões de anos atrás, né? A gente tenta comparar, por exemplo, como você vai tratar um indivíduo de depressão. Então, você começa com o experimento animal, em geral isso foi feito nos últimos... nas últimas décadas, buscar o modelo animal, e através desse modelo animal, a gente consegue entender um pouco dessa força da natureza. Por exemplo, como é que você provoca uma depressão num rato? Rato, possivelmente, não costuma ter depressão, assim, como um ser humano, mas a depressão no rato, você vai provocar através, por exemplo, da natação forçada. Você joga um rato em uma bacia de água, e aquele momento de desespero em que ele para de nadar, seria a depressão no rato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E aí, você dá um depressivo, se ele for um bom antidepressivo, o rato vai ficar pouco tempo nessa situação de desespero, chamada depressão no rato. E, como essas doenças, então, têm a ver com essa evolução? Imagina, assim, depressão, né? Muita gente sofre de depressão.</p>



<p>“Doutor, mas eu sofro de depressão. É muito sofrimento, tal”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No passado, a depressão teve a sua função, como a gente viu no rato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quantas pessoas se esconderam nas cavernas fugindo de predadores, de tigres-dentes-de-sabre, de leões, de tigres, né? E entraram no desespero, fingindo-se de mortos para não serem devorados por um animal desse, por um predador nesse. Hoje, o nosso predador não é mais o tigre, mas é nosso estilo de vida. É a consciência que a gente tem, né? O ser humano desenvolveu a consciência, e isso trouxe um problema, problema que os filósofos sempre estão tentando resolver, que é a consciência da morte, que a gente sabe que vai morrer. Então, o desespero de imaginar que a gente um dia vai morrer, e a gente sabe disso. Os animais não sabem, não têm essa consciência da morte. Por mais inteligente que seja um cão ou um animal que a gente convive, ele não tem a consciência da morte, né? Pelo menos nos últimos... durante a vida dele, não. Ele não tem a consciência, e a gente tem. Então, quando você vê um indivíduo com síndrome do pânico, que ele fala... ou um quadro de ansiedade generalizada, ele fala:</p>



<p>"Doutor, eu vou ficar doente, eu vou morrer, eu tô sentindo mal".</p>



<p class="wp-block-paragraph"> Isso já foi útil no passado. Então, aquela pessoa com síndrome do pânico, quantos antepassados dele se salvaram de animais, salvaram de intempéries da natureza, fugindo, adaptando o organismo rapidamente à fuga? E isso aconteceu, com certeza. Por isso que, hoje, eles carregam esse gene. E, hoje, não existe mais essa função. Você não tá sendo perseguido na natureza por animais predadores, né? A não ser o homem, que seria o predador do próprio homem. E quando você vê, por exemplo, indivíduo com fobia de social, que sofre com a presença de pessoas estranhas, essas pessoas, no passado, né? Os seus antepassados estariam fugindo de indivíduos perigosos, que estariam... que poderiam ameaçar a vida. Tá?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, na verdade, quando você vê, por exemplo, a bipolaridade, indivíduos que têm períodos de depressões muito intenso e períodos de euforia, será que não seria uma... um modo de sobreviver a intempéries do clima? São indivíduos que, durante o inverno, estariam se hibernando, né? A depressão seria uma forma de hibernação, e a euforia seria uma forma de tirar o tempo perdido e se reproduzir, né? O grande objetivo do ser humano, eu falo, o grande objetivo do cérebro, não é <a href="https://totalbalance.com.br/porque-a-dopamina-faz-voce-sentir-se-feliz/">fazer a gente feliz</a>. Isso é uma função que nós temos que administrar. O grande objetivo é manter a espécie viva. Então, tudo é feito para nos garantir até a sobrevivência, até a reprodução, a nossa sobrevivência até reprodução.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E o objetivo é deixar os descendentes que, a gente serve, no fundo, no fundo pra isso. Os filósofos, aí, buscam uma existência, alguma outra... algum outro objetivo, né? Mas, na verdade, na verdade, é isso, né? Então, hoje, o ser humano sofre, sofre com questões mentais, sofre com questões psíquicas, não vai resolver. A gente não deve esperar, assim, muito do <a href="https://totalbalance.com.br/10-fatos-interessantes-que-voce-precisa-saber-sobre-a-serotonina/">nosso cérebro</a> essa ajuda, né?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para vivermos muito calmo e tranquilos, tá? Ele não vai deixar. Cabe à gente mesmo, né? Tentar, de algum modo, trabalhar a consciência, a consciência da morte dentro da gente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E a gente tem mecanismos pra isso, tipo aquela coisa:</p>



<p>"Ah, eu vou morrer um dia, mas vai demorar muito. Eu nem vou tá aqui quando eu morrer".</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, eu acho que isso aí serve mais como um esclarecimento aí, pra você</p>]]></description>
	<itunes:subtitle><![CDATA[Dr. Sergio Klepacz, da Clínica TotalBalance, explica porque sofremos com distúrbios psíquicos.



Neste vídeo você irá conferir:



Por que chegamos neste ponto?Porque a depressão teve uma função no passadoQual é a função do cérebro



Siga o programa no]]></itunes:subtitle>
	<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Dr. Sergio Klepacz, da Clínica TotalBalance, explica porque sofremos com distúrbios psíquicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste vídeo você irá conferir:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>Por que chegamos neste ponto?</li><li>Porque a depressão teve uma função no passado</li><li>Qual é a função do cérebro</li></ul>



<p class="wp-block-paragraph">Siga o <a href="https://www.instagram.com/clinicatotalbalance">programa no Instagram</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Transcrição</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Pessoas sofrem com distúrbios psíquicos, distúrbios mentais. Digamos que é a grande sina da humanidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ser humano conquistou o planeta, estamos aí fazendo o que quiser com o planeta, nossa casa. Mas a gente paga um preço, né? A gente vê hoje, <a href="https://totalbalance.com.br/depressao-ja-e-uma-epidemia/" data-type="post" data-id="1881">depressão</a> como uma das principais de morbidade ou de sofrimento no homem, né? Mas por que isso?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando você pega, por exemplo, um animal, você vê um animalzinho, você vê a tranquilidade, parece que eles estão sempre tranquilo. Os problemas deles se referem sempre ao aqui, agora, né? Você vê um animal estressado porque alguma coisa não está bem, está faltando alguma coisa pra ele. Você resolve aquele problema e ele está livre deste... da sua depressão, da sua ansiedade, né? Se a gente pode chamar isso no reino animal. É sempre um problema pontual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas o ser humano, não. Ele fica com a questão, ele fica com o problema, ele desenvolve ansiedade, ele desenvolve síndrome do pânico, ele desenvolve depressão, que é uma das grandes causas, como eu disse, de morbidade hoje, né? Mas por que isso é assim? Por que que isso acontece? Por que que a gente chegou nesse ponto? Vamos pensar o seguinte: vamos imaginar que a história da humanidade, ou do ser humano, ou do hominídeo, dos primórdios, como a gente chegou a ficar como a gente é hoje, né? Um ser humano, o <em>Homo sapiens.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Se isso... toda essa história, fosse contada em 24 horas, tá? O aparecimento do <em>Homo sapiens</em>, o aparecimento do homem inteligente, do homem que tem a consciência, seria, dessas 24 horas, possivelmente, os últimos minutos, né? Se a gente, pensar, por exemplo, a civilização moderna, a gente vai ver nos últimos segundos dessas 24 horas. Só pra você ter uma ideia, por exemplo, o aparecimento da internet seria os últimos 10 segundos dessa história, e hoje, a gente vive na pressão de internet, das mídias sociais, dessa coisa toda, né? Então, isso tudo é muito novo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A própria humanidade, a civilização que a gente fala hoje, -a gente chama civilização que começa há três mil anos, aproximadamente-, é nada! Então, a gente carrega a sobrevivência com a gente. Então, muitos pacientes falam:</p>



<p>"Mas, doutor, por que eu sofro tanto, né? Por que que eu tô sofrendo com uma coisa que eu sei que é absurda?".</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na verdade, você... isso que é absurdo, serviu pra gente chegar aonde chegou, por isso que, geneticamente, é um gene bem arraigado no ser humano, né? Então, o gene da depressão é muito arraigado, o gene da síndrome do pânico, a gente vê que não pula gerações; o gene da fobia social, daquele excesso de timidez, que faz muito as pessoas sofrerem, né? E como é que a gente entende isso dentro desse processo evolutivo?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A força que isso tem, a força de cinco milhões de anos atrás, né? A gente tenta comparar, por exemplo, como você vai tratar um indivíduo de depressão. Então, você começa com o experimento animal, em geral isso foi feito nos últimos... nas últimas décadas, buscar o modelo animal, e através desse modelo animal, a gente consegue entender um pouco dessa força da natureza. Por exemplo, como é que você provoca uma depressão num rato? Rato, possivelmente, não costuma ter depressão, assim, como um ser humano, mas a depressão no rato, você vai provocar através, por exemplo, da natação forçada. Você joga um rato em uma bacia de água, e aquele momento de desespero em que ele para de nadar, seria a depressão no rato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E aí, você dá um depressivo, se ele for um bom antidepressivo, o rato vai ficar pouco tempo nessa situação de desespero, chamada depressão no rato. E, como essas doenças, então, têm a ver com essa evolução? Imagina, assim, depressão, né? Muita gente sofre de depressão.</p>



<p>“Doutor, mas eu sofro de depressão. É muito sofrimento, tal”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No passado, a depressão teve a sua função, como a gente viu no rato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quantas pessoas se esconderam nas cavernas fugindo de predadores, de tigres-dentes-de-sabre, de leões, de tigres, né? E entraram no desespero, fingindo-se de mortos para não serem devorados por um animal desse, por um predador nesse. Hoje, o nosso predador não é mais o tigre, mas é nosso estilo de vida. É a consciência que a gente tem, né? O ser humano desenvolveu a consciência, e isso trouxe um problema, problema que os filósofos sempre estão tentando resolver, que é a consciência da morte, que a gente sabe que vai morrer. Então, o desespero de imaginar que a gente um dia vai morrer, e a gente sabe disso. Os animais não sabem, não têm essa consciência da morte. Por mais inteligente que seja um cão ou um animal que a gente convive, ele não tem a consciência da morte, né? Pelo menos nos últimos... durante a vida dele, não. Ele não tem a consciência, e a gente tem. Então, quando você vê um indivíduo com síndrome do pânico, que ele fala... ou um quadro de ansiedade generalizada, ele fala:</p>



<p>"Doutor, eu vou ficar doente, eu vou morrer, eu tô sentindo mal".</p>



<p class="wp-block-paragraph"> Isso já foi útil no passado. Então, aquela pessoa com síndrome do pânico, quantos antepassados dele se salvaram de animais, salvaram de intempéries da natureza, fugindo, adaptando o organismo rapidamente à fuga? E isso aconteceu, com certeza. Por isso que, hoje, eles carregam esse gene. E, hoje, não existe mais essa função. Você não tá sendo perseguido na natureza por animais predadores, né? A não ser o homem, que seria o predador do próprio homem. E quando você vê, por exemplo, indivíduo com fobia de social, que sofre com a presença de pessoas estranhas, essas pessoas, no passado, né? Os seus antepassados estariam fugindo de indivíduos perigosos, que estariam... que poderiam ameaçar a vida. Tá?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, na verdade, quando você vê, por exemplo, a bipolaridade, indivíduos que têm períodos de depressões muito intenso e períodos de euforia, será que não seria uma... um modo de sobreviver a intempéries do clima? São indivíduos que, durante o inverno, estariam se hibernando, né? A depressão seria uma forma de hibernação, e a euforia seria uma forma de tirar o tempo perdido e se reproduzir, né? O grande objetivo do ser humano, eu falo, o grande objetivo do cérebro, não é <a href="https://totalbalance.com.br/porque-a-dopamina-faz-voce-sentir-se-feliz/">fazer a gente feliz</a>. Isso é uma função que nós temos que administrar. O grande objetivo é manter a espécie viva. Então, tudo é feito para nos garantir até a sobrevivência, até a reprodução, a nossa sobrevivência até reprodução.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E o objetivo é deixar os descendentes que, a gente serve, no fundo, no fundo pra isso. Os filósofos, aí, buscam uma existência, alguma outra... algum outro objetivo, né? Mas, na verdade, na verdade, é isso, né? Então, hoje, o ser humano sofre, sofre com questões mentais, sofre com questões psíquicas, não vai resolver. A gente não deve esperar, assim, muito do <a href="https://totalbalance.com.br/10-fatos-interessantes-que-voce-precisa-saber-sobre-a-serotonina/">nosso cérebro</a> essa ajuda, né?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para vivermos muito calmo e tranquilos, tá? Ele não vai deixar. Cabe à gente mesmo, né? Tentar, de algum modo, trabalhar a consciência, a consciência da morte dentro da gente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E a gente tem mecanismos pra isso, tipo aquela coisa:</p>



<p>"Ah, eu vou morrer um dia, mas vai demorar muito. Eu nem vou tá aqui quando eu morrer".</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, eu acho que isso aí serve mais como um esclarecimento aí, pra você</p>]]></content:encoded>
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	<itunes:summary><![CDATA[Dr. Sergio Klepacz, da Clínica TotalBalance, explica porque sofremos com distúrbios psíquicos.



Neste vídeo você irá conferir:



Por que chegamos neste ponto?Porque a depressão teve uma função no passadoQual é a função do cérebro



Siga o programa no Instagram.



Transcrição



Pessoas sofrem com distúrbios psíquicos, distúrbios mentais. Digamos que é a grande sina da humanidade.



O ser humano conquistou o planeta, estamos aí fazendo o que quiser com o planeta, nossa casa. Mas a gente paga um preço, né? A gente vê hoje, depressão como uma das principais de morbidade ou de sofrimento no homem, né? Mas por que isso?



Quando você pega, por exemplo, um animal, você vê um animalzinho, você vê a tranquilidade, parece que eles estão sempre tranquilo. Os problemas deles se referem sempre ao aqui, agora, né? Você vê um animal estressado porque alguma coisa não está bem, está faltando alguma coisa pra ele. Você resolve aquele problema e ele está livre deste... da sua depressão, da sua ansiedade, né? Se a gente pode chamar isso no reino animal. É sempre um problema pontual.



Mas o ser humano, não. Ele fica com a questão, ele fica com o problema, ele desenvolve ansiedade, ele desenvolve síndrome do pânico, ele desenvolve depressão, que é uma das grandes causas, como eu disse, de morbidade hoje, né? Mas por que isso é assim? Por que que isso acontece? Por que que a gente chegou nesse ponto? Vamos pensar o seguinte: vamos imaginar que a história da humanidade, ou do ser humano, ou do hominídeo, dos primórdios, como a gente chegou a ficar como a gente é hoje, né? Um ser humano, o Homo sapiens.



Se isso... toda essa história, fosse contada em 24 horas, tá? O aparecimento do Homo sapiens, o aparecimento do homem inteligente, do homem que tem a consciência, seria, dessas 24 horas, possivelmente, os últimos minutos, né? Se a gente, pensar, por exemplo, a civilização moderna, a gente vai ver nos últimos segundos dessas 24 horas. Só pra você ter uma ideia, por exemplo, o aparecimento da internet seria os últimos 10 segundos dessa história, e hoje, a gente vive na pressão de internet, das mídias sociais, dessa coisa toda, né? Então, isso tudo é muito novo.



A própria humanidade, a civilização que a gente fala hoje, -a gente chama civilização que começa há três mil anos, aproximadamente-, é nada! Então, a gente carrega a sobrevivência com a gente. Então, muitos pacientes falam:



"Mas, doutor, por que eu sofro tanto, né? Por que que eu tô sofrendo com uma coisa que eu sei que é absurda?".



Na verdade, você... isso que é absurdo, serviu pra gente chegar aonde chegou, por isso que, geneticamente, é um gene bem arraigado no ser humano, né? Então, o gene da depressão é muito arraigado, o gene da síndrome do pânico, a gente vê que não pula gerações; o gene da fobia social, daquele excesso de timidez, que faz muito as pessoas sofrerem, né? E como é que a gente entende isso dentro desse processo evolutivo?



A força que isso tem, a força de cinco milhões de anos atrás, né? A gente tenta comparar, por exemplo, como você vai tratar um indivíduo de depressão. Então, você começa com o experimento animal, em geral isso foi feito nos últimos... nas últimas décadas, buscar o modelo animal, e através desse modelo animal, a gente consegue entender um pouco dessa força da natureza. Por exemplo, como é que você provoca uma depressão num rato? Rato, possivelmente, não costuma ter depressão, assim, como um ser humano, mas a depressão no rato, você vai provocar através, por exemplo, da natação forçada. Você joga um rato em uma bacia de água, e aquele momento de desespero em que ele para de nadar, seria a depressão no rato.



E aí, você dá um depressivo, se ele for um bom antidepressivo, o rato vai ficar pouco tempo nessa situação de desespero, chamada depressão no rato. E, como essas doenças, então, têm a ver com essa evolução? Imagina, assim, depressão, né? Muita gente sofre de depressão.



“Doutor, mas eu sofro de depressão. É muito sofrimento, t]]></itunes:summary>
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		<title>Por que Sofremos com Distúrbios Psíquicos?</title>
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	<itunes:author><![CDATA[]]></itunes:author>	<googleplay:description><![CDATA[Dr. Sergio Klepacz, da Clínica TotalBalance, explica porque sofremos com distúrbios psíquicos.



Neste vídeo você irá conferir:



Por que chegamos neste ponto?Porque a depressão teve uma função no passadoQual é a função do cérebro



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Transcrição



Pessoas sofrem com distúrbios psíquicos, distúrbios mentais. Digamos que é a grande sina da humanidade.



O ser humano conquistou o planeta, estamos aí fazendo o que quiser com o planeta, nossa casa. Mas a gente paga um preço, né? A gente vê hoje, depressão como uma das principais de morbidade ou de sofrimento no homem, né? Mas por que isso?



Quando você pega, por exemplo, um animal, você vê um animalzinho, você vê a tranquilidade, parece que eles estão sempre tranquilo. Os problemas deles se referem sempre ao aqui, agora, né? Você vê um animal estressado porque alguma coisa não está bem, está faltando alguma coisa pra ele. Você resolve aquele problema e ele está livre deste... da sua depressão, da sua ]]></googleplay:description>
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	<title>Depressão Pós-COVID</title>
	<link>https://totalbalance.com.br/podcast/depressao-pos-covid/</link>
	<pubDate></pubDate>
	<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
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	<description><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Dr. Sergio Klepacz da Clínica TotalBalance fala a respeito da depressão pós-COVID.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste vídeo você irá conferir:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>Quais são os sintomas e o que é esta síndrome pós-COVID.</li><li>As principais queixas que podem afetar as pessoas no pós-COVID.</li><li>Como age o sistema serotonérgico.</li></ul>



<p class="wp-block-paragraph">Siga o <a href="https://www.instagram.com/clinicatotalbalance">programa no Instagram</a>.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Transcrição</h3>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Drº Sergio Klepacz</strong> - Bom, hoje eu vou falar de um tema bem interessante, a questão da <a href="https://totalbalance.com.br/depressao-ja-e-uma-epidemia/">depressão</a> pós-Covid.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É um assunto que tem aparecido muito em termos... principalmente pelos psiquiatras, né, a gente tá observando. As pessoas que pegaram Covid, principalmente as pessoas que pegaram grave ou que evoluíram de forma grave, com internação, têm se queixado dessa... a chamada Síndrome Pós-Covid, em que existe um desânimo muito grande, uma fraqueza, uma... que a gente chama, uma astenia, principalmente um desinteresse pelas coisas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu peguei o Covid grave, tá? Há um mês e pouco atrás, e eu passei por isso. Eu me lembro que eu sempre me interessei... sempre gostei muito do mar, gosto muito de atividades náuticas, esportes náuticos. Eu me lembro que eu fui convalescer lá no litoral, e eu olhava o mar assim, e aquilo parece que não tinha mais prazer. Antigamente, eu olhava o mar, falava:</p>



<p>"Nossa, eu quero fazer atividade, esportes náuticos".</p>



<p class="wp-block-paragraph">E, de repente, é como se eu não tivesse mais vontade, olhava o mar assim, não significava mais nada pra mim. Ainda bem que isso durou pouco. Em uma semana eu comecei a retomar essa sensação de prazer pelas coisas. Mas por que que isso está acontecendo? Por que que a gente tem recebido esses casos? Ninguém sabe exatamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pode haver uma vertente física e uma vertente psicológica. Então, se você é internado, se pega Covid grave, -como foi o meu caso-, começa a vim a ideia da morte, a possibilidade de morrer, que, obviamente, que é uma coisa que... é um game-changing no teu emocional, né, muda muito o emocional da pessoa. Mas eu, pessoalmente, desconfio que não é só isso. Quer dizer, alguns trabalhos científicos mostram que pessoas que estão tomando <a href="https://totalbalance.com.br/os-antidepressivos-causam-dependencia/">antidepressivos</a> e pegam o Covid, têm uma evolução melhor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, eu desconfio, pessoalmente, assim, que existem duas questões: uma questão é uma possível interferência do Covid diretamente no cérebro, o que pode ser justificado pela questão do olfato, o paladar, afetando áreas centrais ou áreas que recebem esses estímulos no cérebro. É uma espécie de mini encefalite por Covid.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É comum os vírus terem esse comportamento e alterarem, por exemplo... Nesses casos, quando há um comprometimento do próprio vírus no cérebro, possivelmente, as pessoas vão se queixar de falta de capacidade de atenção ou deficiência de memória. Também é uma outra questão que parece que tá afetando as pessoas no pós-Covid. Mas eu tô me focando aqui mais na questão do psíquico-depressivo, né? Essa sensação de desânimo, às vezes até de astenia ou de fraqueza, e de desinteresse, essa coisa toda.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Eu suspeito que existe uma interferência do sistema serotoninérgico</h2>



<p class="wp-block-paragraph">É como se a <a href="https://totalbalance.com.br/10-fatos-interessantes-que-voce-precisa-saber-sobre-a-serotonina/">serotonina</a> fosse mobilizada durante o processo do Covid. Mas o que que tem que ver uma coisa com outra? Eu vou explicar pra vocês. Mas isso é uma teoria minha, ninguém sabe exatamente. O sistema serotoninérgico, ele existe tanto no cérebro quanto circulando no sangue periférico, com funções distintas, mas intercaladas. O sistema serotoninérgico, ele age, através das suas ramificações ali, a serotonina, o triptofano pode virar serotonina, pode virar quinurenina, então tem uma série de particularidades bioquímicas aí que são meio complexas, que eu não vou falar, mas, de algum modo, ele participa da defesa quanto ao excesso de inflamação. Possivelmente, quando você pega um Covid, o seu corpo reage com uma inflamação muito forte, muito exagerada, tá?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Possivelmente, isso faz com que o seu sistema serotoninérgico, pelo menos a parte periférica, seja mobilizada para te defender desse bombardeio de citoquinas ou desse bombardeio de inflamação, tá? Então pode ser que esse sistema serotoninérgico acabe se desequilibrando ou faltando alguns elementos por excesso de uso, e isso explicaria essa depressão pós-Covid também.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Qual seria o tratamento?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em geral, ela melhora... algumas pessoas se queixam que até por três meses, se a pessoa não fizer nada, ela fica... esses sintomas permanecem. Em alguns casos é necessário realmente uma interferência mesmo, no sentido de reequilibrar esse sistema através de medicamentos, suplementos e coisas assim, e isso, eu acredito que vai ser uma... vai haver algumas experiências, algumas descobertas aí e a gente vai poder falar melhor sobre isso, mas que está acontecendo, está.</p>]]></description>
	<itunes:subtitle><![CDATA[Dr. Sergio Klepacz da Clínica TotalBalance fala a respeito da depressão pós-COVID.



Neste vídeo você irá conferir:



Quais são os sintomas e o que é esta síndrome pós-COVID.As principais queixas que podem afetar as pessoas no pós-COVID.Como age o sist]]></itunes:subtitle>
	<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Dr. Sergio Klepacz da Clínica TotalBalance fala a respeito da depressão pós-COVID.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste vídeo você irá conferir:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>Quais são os sintomas e o que é esta síndrome pós-COVID.</li><li>As principais queixas que podem afetar as pessoas no pós-COVID.</li><li>Como age o sistema serotonérgico.</li></ul>



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<h3 class="wp-block-heading">Transcrição</h3>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Drº Sergio Klepacz</strong> - Bom, hoje eu vou falar de um tema bem interessante, a questão da <a href="https://totalbalance.com.br/depressao-ja-e-uma-epidemia/">depressão</a> pós-Covid.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É um assunto que tem aparecido muito em termos... principalmente pelos psiquiatras, né, a gente tá observando. As pessoas que pegaram Covid, principalmente as pessoas que pegaram grave ou que evoluíram de forma grave, com internação, têm se queixado dessa... a chamada Síndrome Pós-Covid, em que existe um desânimo muito grande, uma fraqueza, uma... que a gente chama, uma astenia, principalmente um desinteresse pelas coisas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu peguei o Covid grave, tá? Há um mês e pouco atrás, e eu passei por isso. Eu me lembro que eu sempre me interessei... sempre gostei muito do mar, gosto muito de atividades náuticas, esportes náuticos. Eu me lembro que eu fui convalescer lá no litoral, e eu olhava o mar assim, e aquilo parece que não tinha mais prazer. Antigamente, eu olhava o mar, falava:</p>



<p>"Nossa, eu quero fazer atividade, esportes náuticos".</p>



<p class="wp-block-paragraph">E, de repente, é como se eu não tivesse mais vontade, olhava o mar assim, não significava mais nada pra mim. Ainda bem que isso durou pouco. Em uma semana eu comecei a retomar essa sensação de prazer pelas coisas. Mas por que que isso está acontecendo? Por que que a gente tem recebido esses casos? Ninguém sabe exatamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pode haver uma vertente física e uma vertente psicológica. Então, se você é internado, se pega Covid grave, -como foi o meu caso-, começa a vim a ideia da morte, a possibilidade de morrer, que, obviamente, que é uma coisa que... é um game-changing no teu emocional, né, muda muito o emocional da pessoa. Mas eu, pessoalmente, desconfio que não é só isso. Quer dizer, alguns trabalhos científicos mostram que pessoas que estão tomando <a href="https://totalbalance.com.br/os-antidepressivos-causam-dependencia/">antidepressivos</a> e pegam o Covid, têm uma evolução melhor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, eu desconfio, pessoalmente, assim, que existem duas questões: uma questão é uma possível interferência do Covid diretamente no cérebro, o que pode ser justificado pela questão do olfato, o paladar, afetando áreas centrais ou áreas que recebem esses estímulos no cérebro. É uma espécie de mini encefalite por Covid.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É comum os vírus terem esse comportamento e alterarem, por exemplo... Nesses casos, quando há um comprometimento do próprio vírus no cérebro, possivelmente, as pessoas vão se queixar de falta de capacidade de atenção ou deficiência de memória. Também é uma outra questão que parece que tá afetando as pessoas no pós-Covid. Mas eu tô me focando aqui mais na questão do psíquico-depressivo, né? Essa sensação de desânimo, às vezes até de astenia ou de fraqueza, e de desinteresse, essa coisa toda.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Eu suspeito que existe uma interferência do sistema serotoninérgico</h2>



<p class="wp-block-paragraph">É como se a <a href="https://totalbalance.com.br/10-fatos-interessantes-que-voce-precisa-saber-sobre-a-serotonina/">serotonina</a> fosse mobilizada durante o processo do Covid. Mas o que que tem que ver uma coisa com outra? Eu vou explicar pra vocês. Mas isso é uma teoria minha, ninguém sabe exatamente. O sistema serotoninérgico, ele existe tanto no cérebro quanto circulando no sangue periférico, com funções distintas, mas intercaladas. O sistema serotoninérgico, ele age, através das suas ramificações ali, a serotonina, o triptofano pode virar serotonina, pode virar quinurenina, então tem uma série de particularidades bioquímicas aí que são meio complexas, que eu não vou falar, mas, de algum modo, ele participa da defesa quanto ao excesso de inflamação. Possivelmente, quando você pega um Covid, o seu corpo reage com uma inflamação muito forte, muito exagerada, tá?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Possivelmente, isso faz com que o seu sistema serotoninérgico, pelo menos a parte periférica, seja mobilizada para te defender desse bombardeio de citoquinas ou desse bombardeio de inflamação, tá? Então pode ser que esse sistema serotoninérgico acabe se desequilibrando ou faltando alguns elementos por excesso de uso, e isso explicaria essa depressão pós-Covid também.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Qual seria o tratamento?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em geral, ela melhora... algumas pessoas se queixam que até por três meses, se a pessoa não fizer nada, ela fica... esses sintomas permanecem. Em alguns casos é necessário realmente uma interferência mesmo, no sentido de reequilibrar esse sistema através de medicamentos, suplementos e coisas assim, e isso, eu acredito que vai ser uma... vai haver algumas experiências, algumas descobertas aí e a gente vai poder falar melhor sobre isso, mas que está acontecendo, está.</p>]]></content:encoded>
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	<itunes:summary><![CDATA[Dr. Sergio Klepacz da Clínica TotalBalance fala a respeito da depressão pós-COVID.



Neste vídeo você irá conferir:



Quais são os sintomas e o que é esta síndrome pós-COVID.As principais queixas que podem afetar as pessoas no pós-COVID.Como age o sistema serotonérgico.



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Transcrição



Drº Sergio Klepacz - Bom, hoje eu vou falar de um tema bem interessante, a questão da depressão pós-Covid.



É um assunto que tem aparecido muito em termos... principalmente pelos psiquiatras, né, a gente tá observando. As pessoas que pegaram Covid, principalmente as pessoas que pegaram grave ou que evoluíram de forma grave, com internação, têm se queixado dessa... a chamada Síndrome Pós-Covid, em que existe um desânimo muito grande, uma fraqueza, uma... que a gente chama, uma astenia, principalmente um desinteresse pelas coisas.



Eu peguei o Covid grave, tá? Há um mês e pouco atrás, e eu passei por isso. Eu me lembro que eu sempre me interessei... sempre gostei muito do mar, gosto muito de atividades náuticas, esportes náuticos. Eu me lembro que eu fui convalescer lá no litoral, e eu olhava o mar assim, e aquilo parece que não tinha mais prazer. Antigamente, eu olhava o mar, falava:



"Nossa, eu quero fazer atividade, esportes náuticos".



E, de repente, é como se eu não tivesse mais vontade, olhava o mar assim, não significava mais nada pra mim. Ainda bem que isso durou pouco. Em uma semana eu comecei a retomar essa sensação de prazer pelas coisas. Mas por que que isso está acontecendo? Por que que a gente tem recebido esses casos? Ninguém sabe exatamente.



Pode haver uma vertente física e uma vertente psicológica. Então, se você é internado, se pega Covid grave, -como foi o meu caso-, começa a vim a ideia da morte, a possibilidade de morrer, que, obviamente, que é uma coisa que... é um game-changing no teu emocional, né, muda muito o emocional da pessoa. Mas eu, pessoalmente, desconfio que não é só isso. Quer dizer, alguns trabalhos científicos mostram que pessoas que estão tomando antidepressivos e pegam o Covid, têm uma evolução melhor.



Então, eu desconfio, pessoalmente, assim, que existem duas questões: uma questão é uma possível interferência do Covid diretamente no cérebro, o que pode ser justificado pela questão do olfato, o paladar, afetando áreas centrais ou áreas que recebem esses estímulos no cérebro. É uma espécie de mini encefalite por Covid.



É comum os vírus terem esse comportamento e alterarem, por exemplo... Nesses casos, quando há um comprometimento do próprio vírus no cérebro, possivelmente, as pessoas vão se queixar de falta de capacidade de atenção ou deficiência de memória. Também é uma outra questão que parece que tá afetando as pessoas no pós-Covid. Mas eu tô me focando aqui mais na questão do psíquico-depressivo, né? Essa sensação de desânimo, às vezes até de astenia ou de fraqueza, e de desinteresse, essa coisa toda.



Eu suspeito que existe uma interferência do sistema serotoninérgico



É como se a serotonina fosse mobilizada durante o processo do Covid. Mas o que que tem que ver uma coisa com outra? Eu vou explicar pra vocês. Mas isso é uma teoria minha, ninguém sabe exatamente. O sistema serotoninérgico, ele existe tanto no cérebro quanto circulando no sangue periférico, com funções distintas, mas intercaladas. O sistema serotoninérgico, ele age, através das suas ramificações ali, a serotonina, o triptofano pode virar serotonina, pode virar quinurenina, então tem uma série de particularidades bioquímicas aí que são meio complexas, que eu não vou falar, mas, de algum modo, ele participa da defesa quanto ao excesso de inflamação. Possivelmente, quando você pega um Covid, o seu corpo reage com uma inflamação muito forte, muito exagerada, tá?



Possivelmente, isso faz com que o seu sistema serotoninérgico, pelo menos a parte periférica, seja mobilizada para te defender desse bombardeio de citoquinas ou desse bombardeio de inflamação, tá? Então pode ser que esse siste]]></itunes:summary>
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		<title>Depressão Pós-COVID</title>
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Neste vídeo você irá conferir:



Quais são os sintomas e o que é esta síndrome pós-COVID.As principais queixas que podem afetar as pessoas no pós-COVID.Como age o sistema serotonérgico.



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Transcrição



Drº Sergio Klepacz - Bom, hoje eu vou falar de um tema bem interessante, a questão da depressão pós-Covid.



É um assunto que tem aparecido muito em termos... principalmente pelos psiquiatras, né, a gente tá observando. As pessoas que pegaram Covid, principalmente as pessoas que pegaram grave ou que evoluíram de forma grave, com internação, têm se queixado dessa... a chamada Síndrome Pós-Covid, em que existe um desânimo muito grande, uma fraqueza, uma... que a gente chama, uma astenia, principalmente um desinteresse pelas coisas.



Eu peguei o Covid grave, tá? Há um mês e pouco atrás, e eu passei por isso. Eu me lembro que eu sempre me interessei... sempre gostei m]]></googleplay:description>
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	<title>Alcoólatra, eu?</title>
	<link>https://totalbalance.com.br/podcast/alcoolatra-eu/</link>
	<pubDate></pubDate>
	<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
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	<description><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Dr. Sergio Klepacz da Clínica TotalBalance fala a respeito do alcoolismo na pandemia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste vídeo você irá conferir:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>preciso rever meus conceitos sobre o álcool?</li><li>Como saber se tenho um problema com o álcool?</li><li>Quais são os sinais de alerta que devo me atentar?</li></ul>



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<h3 class="wp-block-heading">Transcrição</h3>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Drº Sergio Klepacz</strong> - Durante a pandemia muitas pessoas têm se queixado ou têm referido momento significativo do consumo de álcool, então a pessoa tá em casa, toma um vinho, cerveja, etc, etc.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em geral o ócio é um dos grandes instrumentos que favorecem o consumo de álcool. Mas como a gente pode definir e que dica gente pode dar que tá na hora de você rever os seus conceitos sobre o álcool?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Primeiro lugar assim, vamos entender: como funciona o álcool? O que que ele faz? O álcool, ele basicamente é um depressor. Então chega um ponto que a pessoa bebe e a pessoa dorme; ele é um depressor do Sistema Nervoso Central e, ao mesmo tempo, um euforizante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A princípio se dizia que ele inibia a inibição e, portanto, você teria uma resposta euforizante, mas, na verdade, a coisa é um pouquinho mais complexa. Algumas pessoas, que são as pessoas que têm muito risco de se tornar dependentes do álcool, tenham um prazer maior do que outras em beber, por liberação de um opiáceo que chama-se dinorfina. Tanto é que os tratamentos modernos usam bloqueadores de opiáceos pra gente poder tirar esse craving de álcool de algumas pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas como saber se a gente tem um problema com álcool? Muita gente diz:</p>



<p>"Não, eu não tenho problema com álcool, eu não sou alcoólatra, eu não preciso beber todo dia, eu não tomo pinga, eu só tomo cerveja ou eu só tomo vinho".</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cada um tem a sua desculpa.</p>



<p>"Eu não cheguei no fundo do poço".</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então as pessoas têm por conceito o alcoolismo como alguma coisa assim que você passa na rua e vê aquele alcoólatra terminal, aquela fase terminal da doença, que ele tá jogado na rua com uma garrafa de pinga, aquela coisa clássica.</p>



<p>"Ah, eu não tenho nada disso".</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sim, não quer dizer que você vai chegar nesse ponto, mas você pode ter prejuízos relacionados ao álcool.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem tem problema com álcool antes? Como é que a gente poderia definir, antes de qualquer coisa? São aquelas pessoas que têm qualquer prejuízo relacionado ao álcool, pode ser, por exemplo, um aumento de enzimas hepáticas, então a pessoa não tem nada, mas tem as enzimas hepáticas aumentadas num exame de rotina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu tenho visto muito isso. Você olha assim, você não diz que a pessoa tem qualquer tipo de problema:</p>



<p>"Não, eu bebo todo dia uma dose de whisky, bebo duas doses, etc., etc.".</p>



<p class="wp-block-paragraph">É, mas seu fígado tá em sofrimento, ou às vezes não, depende do metabolismo de cada pessoa. Outras pessoas têm problemas de relacionamento, então quando bebe, é clássico aquele indivíduo que bebe, chega em casa e agride os filhos, agride a mulher, etc, ou a mulher que chega em casa ou bebe numa festa e faz coisas que não devia ou depois se arrepende de ter feito. Então isso é um sintoma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro sintoma clássico são ressacas muito fortes, a pessoa, no dia seguinte, domingo de manhã... tem até aquela música, né, que o cara diz que chega de passar mal no domingo de manhã. Então essas pessoas têm um problema com álcool.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Às vezes elas chegam a ter a Síndrome de Dependência do Álcool, seria o primeiro estágio do alcoolismo, que é quando a pessoa já começa a beber basicamente sozinha, a pessoa começa a disfarçar, esconde garrafa no armário, isso é uma coisa clássica também, esconder garrafa no armário, jura que não tá bebendo, e tá bebendo, a família, o cônjuge já tá meio preocupado, a pessoa começa a mudar um pouco, já começa a ser alguma coisa que ela não era. Isso já indica um problema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Às vezes a pessoa fica muito tempo nesse estágio, e dentro dela tem sempre aquela necessidade de beber, ela não consegue conceber um momento de não beber. Às vezes fica lá uma semana sem beber:</p>



<p>"Tá vendo? Eu fico uma semana, não tenho problema nenhum".</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aí na outra semana ela vai beber quase que descontando, ou fim de semana, né, aquela pessoa de fim semana precisa beber demais. São pessoas que têm um problema com álcool, e quando eles chegam na fase da Síndrome da Dependência de Álcool, a pessoa não consegue pensar em outra coisa que não seja beber, precisa beber pra ser feliz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como eu disse, essas pessoas às vezes têm liberação de opiáceos, da dinorfina, que é um mediador da felicidade, então a pessoa, pra ela ser feliz, é beber, isso é um dos principais sinais, e quando ela para, ela fica nervosa e sente-se, por vezes até, mal. Quais os sinais de que o álcool pode estar sendo realmente prejudicial, pode tá machucando principalmente o seu cérebro? Isso é uma coisa que chama-se palimpsesto alcoólico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que que é isso? É quando a pessoa não lembra absolutamente nada do que fez na noite anterior, quando a pessoa bebeu, passou do limite. Isso é um mau sinal porque já indica que o hipocampo, que é uma área relacionada à memória, que é relacionada ao bem-estar, é uma área, digamos, antidepressiva, que, quando ela funciona bem, dificilmente a pessoa vai entrar em depressão, está sendo afetada. Isso é um mau sinal, é sinal de que o álcool está prejudicando o cérebro, que é um dos principais órgãos alvos do álcool. Então ele tem um limite, existe um limite tênue do que faz bem, existem alguns trabalhos que mostram.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muita gente fala:</p>



<p>"Não, beber vinho, beber um pouquinho".</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sim, beber um pouquinho, uma dose muito limitada pode ser saudável, a partir de um ponto ela passa a ser prejudicial mesmo. E outra questão que quem tem problema com álcool não percebe, mas acaba enfrentando é o problema da tolerância que o álcool causa. Então como eu disse no começo, o álcool é um sedativo, é um depressor do sistema nervoso, porém conforme a pessoa vai bebendo, ela já vai se tornando tolerante a este efeito, e aí a pessoa bebe pra dormir, pra relaxar, e aí bebe e não consegue dormir. É um efeito muito rápido, a tolerância é muito rápida com o álcool.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então aí a pessoa não consegue dormir e a pessoa começa a ficar com insônia e aí, consequentemente, aumenta a ansiedade, porque ela fica tolerante ao efeito ansiolítico do álcool, e finalmente cai na depressão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitas pessoas procuram, em caso de depressão, estão em depressão, e, no fundo, no fundo, tudo foi causado pelo excesso de álcool. Então insônia, depressão, isso é uma causa, a pessoa tá bebendo mais ou tá bebendo muito, é hora de repensar os conceitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O alcoolismo é um problema, uma doença tolerada, o consumo é tolerado pela sociedade, pela maior parte das sociedades, mas existe uma linha tênue entre o que é saudável e o que é patológico. Então tá na hora, às vezes, de você rever os seus conceitos.Se você tem dúvida, dá um mês sem beber e você vai saber realmente se seus problemas tão ligados a isso ou não. Boa sorte.</p>]]></description>
	<itunes:subtitle><![CDATA[Dr. Sergio Klepacz da Clínica TotalBalance fala a respeito do alcoolismo na pandemia.



Neste vídeo você irá conferir:



preciso rever meus conceitos sobre o álcool?Como saber se tenho um problema com o álcool?Quais são os sinais de alerta que devo me ]]></itunes:subtitle>
	<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Dr. Sergio Klepacz da Clínica TotalBalance fala a respeito do alcoolismo na pandemia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste vídeo você irá conferir:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>preciso rever meus conceitos sobre o álcool?</li><li>Como saber se tenho um problema com o álcool?</li><li>Quais são os sinais de alerta que devo me atentar?</li></ul>



<p class="wp-block-paragraph">Siga o <a href="https://www.instagram.com/clinicatotalbalance">programa no Instagram</a>.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Transcrição</h3>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Drº Sergio Klepacz</strong> - Durante a pandemia muitas pessoas têm se queixado ou têm referido momento significativo do consumo de álcool, então a pessoa tá em casa, toma um vinho, cerveja, etc, etc.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em geral o ócio é um dos grandes instrumentos que favorecem o consumo de álcool. Mas como a gente pode definir e que dica gente pode dar que tá na hora de você rever os seus conceitos sobre o álcool?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Primeiro lugar assim, vamos entender: como funciona o álcool? O que que ele faz? O álcool, ele basicamente é um depressor. Então chega um ponto que a pessoa bebe e a pessoa dorme; ele é um depressor do Sistema Nervoso Central e, ao mesmo tempo, um euforizante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A princípio se dizia que ele inibia a inibição e, portanto, você teria uma resposta euforizante, mas, na verdade, a coisa é um pouquinho mais complexa. Algumas pessoas, que são as pessoas que têm muito risco de se tornar dependentes do álcool, tenham um prazer maior do que outras em beber, por liberação de um opiáceo que chama-se dinorfina. Tanto é que os tratamentos modernos usam bloqueadores de opiáceos pra gente poder tirar esse craving de álcool de algumas pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas como saber se a gente tem um problema com álcool? Muita gente diz:</p>



<p>"Não, eu não tenho problema com álcool, eu não sou alcoólatra, eu não preciso beber todo dia, eu não tomo pinga, eu só tomo cerveja ou eu só tomo vinho".</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cada um tem a sua desculpa.</p>



<p>"Eu não cheguei no fundo do poço".</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então as pessoas têm por conceito o alcoolismo como alguma coisa assim que você passa na rua e vê aquele alcoólatra terminal, aquela fase terminal da doença, que ele tá jogado na rua com uma garrafa de pinga, aquela coisa clássica.</p>



<p>"Ah, eu não tenho nada disso".</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sim, não quer dizer que você vai chegar nesse ponto, mas você pode ter prejuízos relacionados ao álcool.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem tem problema com álcool antes? Como é que a gente poderia definir, antes de qualquer coisa? São aquelas pessoas que têm qualquer prejuízo relacionado ao álcool, pode ser, por exemplo, um aumento de enzimas hepáticas, então a pessoa não tem nada, mas tem as enzimas hepáticas aumentadas num exame de rotina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu tenho visto muito isso. Você olha assim, você não diz que a pessoa tem qualquer tipo de problema:</p>



<p>"Não, eu bebo todo dia uma dose de whisky, bebo duas doses, etc., etc.".</p>



<p class="wp-block-paragraph">É, mas seu fígado tá em sofrimento, ou às vezes não, depende do metabolismo de cada pessoa. Outras pessoas têm problemas de relacionamento, então quando bebe, é clássico aquele indivíduo que bebe, chega em casa e agride os filhos, agride a mulher, etc, ou a mulher que chega em casa ou bebe numa festa e faz coisas que não devia ou depois se arrepende de ter feito. Então isso é um sintoma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro sintoma clássico são ressacas muito fortes, a pessoa, no dia seguinte, domingo de manhã... tem até aquela música, né, que o cara diz que chega de passar mal no domingo de manhã. Então essas pessoas têm um problema com álcool.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Às vezes elas chegam a ter a Síndrome de Dependência do Álcool, seria o primeiro estágio do alcoolismo, que é quando a pessoa já começa a beber basicamente sozinha, a pessoa começa a disfarçar, esconde garrafa no armário, isso é uma coisa clássica também, esconder garrafa no armário, jura que não tá bebendo, e tá bebendo, a família, o cônjuge já tá meio preocupado, a pessoa começa a mudar um pouco, já começa a ser alguma coisa que ela não era. Isso já indica um problema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Às vezes a pessoa fica muito tempo nesse estágio, e dentro dela tem sempre aquela necessidade de beber, ela não consegue conceber um momento de não beber. Às vezes fica lá uma semana sem beber:</p>



<p>"Tá vendo? Eu fico uma semana, não tenho problema nenhum".</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aí na outra semana ela vai beber quase que descontando, ou fim de semana, né, aquela pessoa de fim semana precisa beber demais. São pessoas que têm um problema com álcool, e quando eles chegam na fase da Síndrome da Dependência de Álcool, a pessoa não consegue pensar em outra coisa que não seja beber, precisa beber pra ser feliz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como eu disse, essas pessoas às vezes têm liberação de opiáceos, da dinorfina, que é um mediador da felicidade, então a pessoa, pra ela ser feliz, é beber, isso é um dos principais sinais, e quando ela para, ela fica nervosa e sente-se, por vezes até, mal. Quais os sinais de que o álcool pode estar sendo realmente prejudicial, pode tá machucando principalmente o seu cérebro? Isso é uma coisa que chama-se palimpsesto alcoólico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que que é isso? É quando a pessoa não lembra absolutamente nada do que fez na noite anterior, quando a pessoa bebeu, passou do limite. Isso é um mau sinal porque já indica que o hipocampo, que é uma área relacionada à memória, que é relacionada ao bem-estar, é uma área, digamos, antidepressiva, que, quando ela funciona bem, dificilmente a pessoa vai entrar em depressão, está sendo afetada. Isso é um mau sinal, é sinal de que o álcool está prejudicando o cérebro, que é um dos principais órgãos alvos do álcool. Então ele tem um limite, existe um limite tênue do que faz bem, existem alguns trabalhos que mostram.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muita gente fala:</p>



<p>"Não, beber vinho, beber um pouquinho".</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sim, beber um pouquinho, uma dose muito limitada pode ser saudável, a partir de um ponto ela passa a ser prejudicial mesmo. E outra questão que quem tem problema com álcool não percebe, mas acaba enfrentando é o problema da tolerância que o álcool causa. Então como eu disse no começo, o álcool é um sedativo, é um depressor do sistema nervoso, porém conforme a pessoa vai bebendo, ela já vai se tornando tolerante a este efeito, e aí a pessoa bebe pra dormir, pra relaxar, e aí bebe e não consegue dormir. É um efeito muito rápido, a tolerância é muito rápida com o álcool.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então aí a pessoa não consegue dormir e a pessoa começa a ficar com insônia e aí, consequentemente, aumenta a ansiedade, porque ela fica tolerante ao efeito ansiolítico do álcool, e finalmente cai na depressão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitas pessoas procuram, em caso de depressão, estão em depressão, e, no fundo, no fundo, tudo foi causado pelo excesso de álcool. Então insônia, depressão, isso é uma causa, a pessoa tá bebendo mais ou tá bebendo muito, é hora de repensar os conceitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O alcoolismo é um problema, uma doença tolerada, o consumo é tolerado pela sociedade, pela maior parte das sociedades, mas existe uma linha tênue entre o que é saudável e o que é patológico. Então tá na hora, às vezes, de você rever os seus conceitos.Se você tem dúvida, dá um mês sem beber e você vai saber realmente se seus problemas tão ligados a isso ou não. Boa sorte.</p>]]></content:encoded>
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	<itunes:summary><![CDATA[Dr. Sergio Klepacz da Clínica TotalBalance fala a respeito do alcoolismo na pandemia.



Neste vídeo você irá conferir:



preciso rever meus conceitos sobre o álcool?Como saber se tenho um problema com o álcool?Quais são os sinais de alerta que devo me atentar?



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Transcrição



Drº Sergio Klepacz - Durante a pandemia muitas pessoas têm se queixado ou têm referido momento significativo do consumo de álcool, então a pessoa tá em casa, toma um vinho, cerveja, etc, etc.



Em geral o ócio é um dos grandes instrumentos que favorecem o consumo de álcool. Mas como a gente pode definir e que dica gente pode dar que tá na hora de você rever os seus conceitos sobre o álcool?



Primeiro lugar assim, vamos entender: como funciona o álcool? O que que ele faz? O álcool, ele basicamente é um depressor. Então chega um ponto que a pessoa bebe e a pessoa dorme; ele é um depressor do Sistema Nervoso Central e, ao mesmo tempo, um euforizante.



A princípio se dizia que ele inibia a inibição e, portanto, você teria uma resposta euforizante, mas, na verdade, a coisa é um pouquinho mais complexa. Algumas pessoas, que são as pessoas que têm muito risco de se tornar dependentes do álcool, tenham um prazer maior do que outras em beber, por liberação de um opiáceo que chama-se dinorfina. Tanto é que os tratamentos modernos usam bloqueadores de opiáceos pra gente poder tirar esse craving de álcool de algumas pessoas.



Mas como saber se a gente tem um problema com álcool? Muita gente diz:



"Não, eu não tenho problema com álcool, eu não sou alcoólatra, eu não preciso beber todo dia, eu não tomo pinga, eu só tomo cerveja ou eu só tomo vinho".



Cada um tem a sua desculpa.



"Eu não cheguei no fundo do poço".



Então as pessoas têm por conceito o alcoolismo como alguma coisa assim que você passa na rua e vê aquele alcoólatra terminal, aquela fase terminal da doença, que ele tá jogado na rua com uma garrafa de pinga, aquela coisa clássica.



"Ah, eu não tenho nada disso".



Sim, não quer dizer que você vai chegar nesse ponto, mas você pode ter prejuízos relacionados ao álcool.



Quem tem problema com álcool antes? Como é que a gente poderia definir, antes de qualquer coisa? São aquelas pessoas que têm qualquer prejuízo relacionado ao álcool, pode ser, por exemplo, um aumento de enzimas hepáticas, então a pessoa não tem nada, mas tem as enzimas hepáticas aumentadas num exame de rotina.



Eu tenho visto muito isso. Você olha assim, você não diz que a pessoa tem qualquer tipo de problema:



"Não, eu bebo todo dia uma dose de whisky, bebo duas doses, etc., etc.".



É, mas seu fígado tá em sofrimento, ou às vezes não, depende do metabolismo de cada pessoa. Outras pessoas têm problemas de relacionamento, então quando bebe, é clássico aquele indivíduo que bebe, chega em casa e agride os filhos, agride a mulher, etc, ou a mulher que chega em casa ou bebe numa festa e faz coisas que não devia ou depois se arrepende de ter feito. Então isso é um sintoma.



Outro sintoma clássico são ressacas muito fortes, a pessoa, no dia seguinte, domingo de manhã... tem até aquela música, né, que o cara diz que chega de passar mal no domingo de manhã. Então essas pessoas têm um problema com álcool.



Às vezes elas chegam a ter a Síndrome de Dependência do Álcool, seria o primeiro estágio do alcoolismo, que é quando a pessoa já começa a beber basicamente sozinha, a pessoa começa a disfarçar, esconde garrafa no armário, isso é uma coisa clássica também, esconder garrafa no armário, jura que não tá bebendo, e tá bebendo, a família, o cônjuge já tá meio preocupado, a pessoa começa a mudar um pouco, já começa a ser alguma coisa que ela não era. Isso já indica um problema.



Às vezes a pessoa fica muito tempo nesse estágio, e dentro dela tem sempre aquela necessidade de beber, ela não consegue conceber um momento de não beber. Às vezes fica lá uma semana sem beber:



"Tá vendo? Eu fico uma semana, não tenho problema nenhum".



Aí na o]]></itunes:summary>
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		<title>Alcoólatra, eu?</title>
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	<itunes:author><![CDATA[]]></itunes:author>	<googleplay:description><![CDATA[Dr. Sergio Klepacz da Clínica TotalBalance fala a respeito do alcoolismo na pandemia.



Neste vídeo você irá conferir:



preciso rever meus conceitos sobre o álcool?Como saber se tenho um problema com o álcool?Quais são os sinais de alerta que devo me atentar?



Siga o programa no Instagram.



Transcrição



Drº Sergio Klepacz - Durante a pandemia muitas pessoas têm se queixado ou têm referido momento significativo do consumo de álcool, então a pessoa tá em casa, toma um vinho, cerveja, etc, etc.



Em geral o ócio é um dos grandes instrumentos que favorecem o consumo de álcool. Mas como a gente pode definir e que dica gente pode dar que tá na hora de você rever os seus conceitos sobre o álcool?



Primeiro lugar assim, vamos entender: como funciona o álcool? O que que ele faz? O álcool, ele basicamente é um depressor. Então chega um ponto que a pessoa bebe e a pessoa dorme; ele é um depressor do Sistema Nervoso Central e, ao mesmo tempo, um euforizante.



A princípio se dizia qu]]></googleplay:description>
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	<title>Amor &#8211; Parte 2 &#8211; Predicados</title>
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	<pubDate></pubDate>
	<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
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	<description><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Dr. Sergio Klepacz da Clínica TotalBalance fala a respeito do amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste vídeo você irá conferir:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>dois predicados do amor; </li><li>o amor como um anexo; </li><li>e o amor como um compromisso moral; </li><li>o papel do sexo na relação.</li></ul>



<p class="wp-block-paragraph">Siga o <a href="https://www.instagram.com/clinicatotalbalance">programa no Instagram</a>.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Transcrição</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Bom, dando continuidade aos predicados do <a href="https://totalbalance.com.br/podcast/amor-parte1/" data-type="URL" data-id="https://totalbalance.com.br/podcast/amor-parte1/">amor</a>, pra gente entender, assim, tentar dar um significado real, né, à questão do amor, o terceiro ponto que o autor coloca é que o amor é um anexo, né? Como se fosse um anexo à nossa vida, né, você recebe lá o e-mail e tem o anexo, né? O anexo é importante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, o amor se torna um anexo importante na nossa vida. Então, sem aquela pessoa, a gente não consegue viver, né, a gente precisa daquela pessoa. E o sexo entra aí sempre no sentido... de qualquer atividade que resulta em orgasmo, prazer, resulta sempre no <a href="https://totalbalance.com.br/porque-bons-relacionamentos-sao-protetores-contra-a-depressao/" data-type="URL" data-id="https://totalbalance.com.br/porque-bons-relacionamentos-sao-protetores-contra-a-depressao/">fortalecimento</a> desse... dessa situação, né, do anexo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já a quarta, o quarto predicado do amor, é que o amor é um compromisso moral. Isso, a gente vê a partir do momento que a gente entra nos rituais da sociedade ou da religião, em relação ao casamento, né? O casamento seria a celebração desse predicado do amor, como um compromisso moral. Então, durante a cerimônia, todo o glamour, o charme, a música, né? E a toda sociedade envolvida, a família envolvida, isso é como uma marca no casal, né?</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que varia aqui, é que existe uma diferença entre como cada pessoa recebe ou introjeta esse compromisso moral. E às vezes isso é uma coisa que repercute praticamente na vida inteira da pessoa. No caso, por exemplo, da pessoa teve uma relação extraconjugal, ou no caso de divórcio, essa pessoa pode se sentir culpada por muitos e muitos anos, né? E algumas pessoas também não levam muito a sério o compromisso. Aí é uma coisa interna de cada um. E isso é uma das coisas que causam muito sofrimento em relação ao outro, quando há uma traição, quando há uma... um divórcio litigioso ou alguma questão assim, né?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então... E aí a gente vê, a gente é sempre chamado a intervir porque o grau de angústia e o grau de depressão que acomete quando há um rompimento desse compromisso moral, alguém sempre <a href="https://totalbalance.com.br/depressao-ou-infelicidade/" data-type="URL" data-id="https://totalbalance.com.br/depressao-ou-infelicidade/">sofre</a> muito.</p>]]></description>
	<itunes:subtitle><![CDATA[Dr. Sergio Klepacz da Clínica TotalBalance fala a respeito do amor.



Neste vídeo você irá conferir:



dois predicados do amor; o amor como um anexo; e o amor como um compromisso moral; o papel do sexo na relação.



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Tr]]></itunes:subtitle>
	<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Dr. Sergio Klepacz da Clínica TotalBalance fala a respeito do amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste vídeo você irá conferir:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>dois predicados do amor; </li><li>o amor como um anexo; </li><li>e o amor como um compromisso moral; </li><li>o papel do sexo na relação.</li></ul>



<p class="wp-block-paragraph">Siga o <a href="https://www.instagram.com/clinicatotalbalance">programa no Instagram</a>.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Transcrição</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Bom, dando continuidade aos predicados do <a href="https://totalbalance.com.br/podcast/amor-parte1/" data-type="URL" data-id="https://totalbalance.com.br/podcast/amor-parte1/">amor</a>, pra gente entender, assim, tentar dar um significado real, né, à questão do amor, o terceiro ponto que o autor coloca é que o amor é um anexo, né? Como se fosse um anexo à nossa vida, né, você recebe lá o e-mail e tem o anexo, né? O anexo é importante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, o amor se torna um anexo importante na nossa vida. Então, sem aquela pessoa, a gente não consegue viver, né, a gente precisa daquela pessoa. E o sexo entra aí sempre no sentido... de qualquer atividade que resulta em orgasmo, prazer, resulta sempre no <a href="https://totalbalance.com.br/porque-bons-relacionamentos-sao-protetores-contra-a-depressao/" data-type="URL" data-id="https://totalbalance.com.br/porque-bons-relacionamentos-sao-protetores-contra-a-depressao/">fortalecimento</a> desse... dessa situação, né, do anexo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já a quarta, o quarto predicado do amor, é que o amor é um compromisso moral. Isso, a gente vê a partir do momento que a gente entra nos rituais da sociedade ou da religião, em relação ao casamento, né? O casamento seria a celebração desse predicado do amor, como um compromisso moral. Então, durante a cerimônia, todo o glamour, o charme, a música, né? E a toda sociedade envolvida, a família envolvida, isso é como uma marca no casal, né?</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que varia aqui, é que existe uma diferença entre como cada pessoa recebe ou introjeta esse compromisso moral. E às vezes isso é uma coisa que repercute praticamente na vida inteira da pessoa. No caso, por exemplo, da pessoa teve uma relação extraconjugal, ou no caso de divórcio, essa pessoa pode se sentir culpada por muitos e muitos anos, né? E algumas pessoas também não levam muito a sério o compromisso. Aí é uma coisa interna de cada um. E isso é uma das coisas que causam muito sofrimento em relação ao outro, quando há uma traição, quando há uma... um divórcio litigioso ou alguma questão assim, né?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então... E aí a gente vê, a gente é sempre chamado a intervir porque o grau de angústia e o grau de depressão que acomete quando há um rompimento desse compromisso moral, alguém sempre <a href="https://totalbalance.com.br/depressao-ou-infelicidade/" data-type="URL" data-id="https://totalbalance.com.br/depressao-ou-infelicidade/">sofre</a> muito.</p>]]></content:encoded>
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	<itunes:summary><![CDATA[Dr. Sergio Klepacz da Clínica TotalBalance fala a respeito do amor.



Neste vídeo você irá conferir:



dois predicados do amor; o amor como um anexo; e o amor como um compromisso moral; o papel do sexo na relação.



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Transcrição



Bom, dando continuidade aos predicados do amor, pra gente entender, assim, tentar dar um significado real, né, à questão do amor, o terceiro ponto que o autor coloca é que o amor é um anexo, né? Como se fosse um anexo à nossa vida, né, você recebe lá o e-mail e tem o anexo, né? O anexo é importante.



Então, o amor se torna um anexo importante na nossa vida. Então, sem aquela pessoa, a gente não consegue viver, né, a gente precisa daquela pessoa. E o sexo entra aí sempre no sentido... de qualquer atividade que resulta em orgasmo, prazer, resulta sempre no fortalecimento desse... dessa situação, né, do anexo.



Já a quarta, o quarto predicado do amor, é que o amor é um compromisso moral. Isso, a gente vê a partir do momento que a gente entra nos rituais da sociedade ou da religião, em relação ao casamento, né? O casamento seria a celebração desse predicado do amor, como um compromisso moral. Então, durante a cerimônia, todo o glamour, o charme, a música, né? E a toda sociedade envolvida, a família envolvida, isso é como uma marca no casal, né?



O que varia aqui, é que existe uma diferença entre como cada pessoa recebe ou introjeta esse compromisso moral. E às vezes isso é uma coisa que repercute praticamente na vida inteira da pessoa. No caso, por exemplo, da pessoa teve uma relação extraconjugal, ou no caso de divórcio, essa pessoa pode se sentir culpada por muitos e muitos anos, né? E algumas pessoas também não levam muito a sério o compromisso. Aí é uma coisa interna de cada um. E isso é uma das coisas que causam muito sofrimento em relação ao outro, quando há uma traição, quando há uma... um divórcio litigioso ou alguma questão assim, né?



Então... E aí a gente vê, a gente é sempre chamado a intervir porque o grau de angústia e o grau de depressão que acomete quando há um rompimento desse compromisso moral, alguém sempre sofre muito.]]></itunes:summary>
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Neste vídeo você irá conferir:



dois predicados do amor; o amor como um anexo; e o amor como um compromisso moral; o papel do sexo na relação.



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Transcrição



Bom, dando continuidade aos predicados do amor, pra gente entender, assim, tentar dar um significado real, né, à questão do amor, o terceiro ponto que o autor coloca é que o amor é um anexo, né? Como se fosse um anexo à nossa vida, né, você recebe lá o e-mail e tem o anexo, né? O anexo é importante.



Então, o amor se torna um anexo importante na nossa vida. Então, sem aquela pessoa, a gente não consegue viver, né, a gente precisa daquela pessoa. E o sexo entra aí sempre no sentido... de qualquer atividade que resulta em orgasmo, prazer, resulta sempre no fortalecimento desse... dessa situação, né, do anexo.



Já a quarta, o quarto predicado do amor, é que o amor é um compromisso moral. Isso, a gente vê a partir do momen]]></googleplay:description>
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	<title>Amor &#8211; Parte 1</title>
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	<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
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	<description><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Dr. Sergio Klepacz da Clínica TotalBalance fala a respeito do amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste vídeo você irá conferir:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>o que é o amor;</li><li>porque o amor é uma força estabilizadora;</li><li>definições de amor por Stephen Levine;</li><li>os predicados do amor.</li></ul>



<p class="wp-block-paragraph">Siga o <a href="https://www.instagram.com/clinicatotalbalance">programa no Instagram</a>.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Transcrição</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Boas, pessoal. Tive aqui pensando em tentar trazer pra vocês alguma coisa bastante significativa, né? Assim, algo que impacta muito o nosso dia a dia, e que a gente observa aqui na prática clínica que tem um significado muito grande, que é um dos grandes motivos de queixa, é um dos grandes motivos que trazem as pessoas aqui para... para os psiquiatras. Isso chama-se amor. Né? </p>



<p class="wp-block-paragraph">A gente sabe que o amor, ele constrói, amor traz coisas muito boas para as pessoas, mas pode ter o efeito contrário quando ele se desfaz, né? Quando a gente perde alguém, a gente perde um objeto que a gente ama, a gente perde a pessoa que a gente ama, em geral, o psiquiatra precisa dar o apoio. Né? Então, o amor é a grande força estabilizadora e desestabilizadora. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Basicamente falando, nós não somos diferentes de um bando de zebras numa savana da África, por exemplo. Em que temos que estar todos juntos, né? Uma zebra isolada, ou um animal que tá... que é gregário, né, nós somos animais gregários, se estiver vivendo sozinho ou estiver desgarrado, ele vai pelo menos sofrer um grande impacto em termos de <a href="https://totalbalance.com.br/situacoes-de-risco-para-suicidio/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estresse</a>. E por isso que as pessoas querem todas morar nas grandes cidades, né? Que concentram grande parte da população. A gente tem o espaço enorme, mas ninguém, na verdade, quer morar sozinho, né? É praticamente uma coisa difícil. Algumas pessoas conseguem ser eremitas, né? Mas é uma tarefa muito difícil. A gente precisa, realmente, das pessoas. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O nosso relacionamento, ele é capaz de acalmar, ele é capaz de equilibrar e tirar a sensação de estresse. Uma pessoa isolada, se você prende uma pessoa, por exemplo, na cadeia, coloca ela num outro ambiente, você vai provocar uma <a href="https://totalbalance.com.br/depressao-ou-infelicidade/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">depressão</a> e um estresse enorme. Por quê? O teu nível de cortisol vai subir demais quando você rompe os relacionamentos que você tá acostumado. Existe uma... um antagonismo, em que o hormônio do amor, qual que é o hormônio do amor? Ele chama-se ocitocina. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje em dia, a gente fala muito ocitocina, e o cortisol que é o hormônio de estresse. Quando você rompe a ocitocina, você perde alguém que te... que você... um rosto amigável, um rosto, que você libera ocitocina, quando você perde esse contato, você tem um aumento do hormônio do estresse meio que automático, né? Então, conviver bons relacionamentos com pessoas que a gente ama, é fundamental pro equilíbrio. E aí, eu vou passar pra vocês agora, -podia até explicar basicamente, é uma coisa estranha de explicar, mas existe sim, trabalhos que demonstram e tentam explicar-, o que é o amor e por que que o amor tem um impacto tão grande na nossa vida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas afinal, o que é o amor? Eu vou usar pra vocês aqui a definição desse autor aqui, o (Stephen Levine), que é um psiquiatra especializado em relacionamento, né? E ele coloca assim, como um modo de entender o amor, pra gente poder compreender a dimensão do amor, ele coloca os... ele denomina os oito ou nove predicados do amor. São itens que compõem o sentimento do amor. Obviamente, é um sentimento... </p>



<p class="wp-block-paragraph">O amor é um sentimento subjetivo, e transitório, ninguém ama o tempo todo uma pessoa. Isso é um conceito importante, né? Tem dia que a gente não ama. Tem dia que a gente ama mais. Então, pra gente entender o amor, às vezes precisa do tempo e precisa às vezes olhar de longe. Falar: “Puxa, esta pessoa é a pessoa que eu amo”. Né? </p>



<p class="wp-block-paragraph">O primeiro predicado que ele coloca, é que o amor é uma ambição idealizada. É uma ambição de amar alguém e uma ambição de ser amado. E dentro dessa ambição, a gente tem a ambição de viver em harmonia, viver em felicidade, e que esse <a href="https://totalbalance.com.br/porque-bons-relacionamentos-sao-protetores-contra-a-depressao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">relacionamento</a> seja bom e que a gente vá construir coisas juntos, né? Esse é o primeiro conceito fundamental do amor. Outra coisa, o segundo pronome, né? </p>



<p class="wp-block-paragraph">O segundo predicado: o amor é um contrato. Né? Nos dias de hoje, os termos do contrato, por vezes, não são muito bem... não estão claros. A gente só começa a entender qual era o nosso contrato, mediante as grandes crises de relacionamento ou mesmo nos divórcios. Aí a gente tem que fazer o acerto do contrato, né, que a gente achou que sabia qual que era, mas não sabia. Em algumas culturas, ainda hoje, ou antigamente, era comum que os pais dos noivos fizessem o contrato, né? Os noivos praticamente não participavam e iam ter sim, que aceitar o contrato. Tá? Isso é uma coisa que a gente conhece bem ainda dos avós, provavelmente, né? </p>



<p class="wp-block-paragraph">O que a gente sabe que os relacionamentos, o amor assim, ele dura, -ele pode ser renovado-, mas esse contrato, em geral, dentro das pessoas, ele dura ao redor de sete anos. Depois de sete anos, parece que as coisas deixam de fazer aquele sentido que faziam no início. Então, pra isso, tem que haver uma reformulação desse contrato. Esse contrato tem que ser refeito. Se ele consegue ser refeito em bons termos para ambos, então, o relacionamento, possivelmente, pode prosseguir.</p>]]></description>
	<itunes:subtitle><![CDATA[Dr. Sergio Klepacz da Clínica TotalBalance fala a respeito do amor.



Neste vídeo você irá conferir:



o que é o amor;porque o amor é uma força estabilizadora;definições de amor por Stephen Levine;os predicados do amor.



Siga o programa no Instagram.]]></itunes:subtitle>
	<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Dr. Sergio Klepacz da Clínica TotalBalance fala a respeito do amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste vídeo você irá conferir:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>o que é o amor;</li><li>porque o amor é uma força estabilizadora;</li><li>definições de amor por Stephen Levine;</li><li>os predicados do amor.</li></ul>



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<h3 class="wp-block-heading">Transcrição</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Boas, pessoal. Tive aqui pensando em tentar trazer pra vocês alguma coisa bastante significativa, né? Assim, algo que impacta muito o nosso dia a dia, e que a gente observa aqui na prática clínica que tem um significado muito grande, que é um dos grandes motivos de queixa, é um dos grandes motivos que trazem as pessoas aqui para... para os psiquiatras. Isso chama-se amor. Né? </p>



<p class="wp-block-paragraph">A gente sabe que o amor, ele constrói, amor traz coisas muito boas para as pessoas, mas pode ter o efeito contrário quando ele se desfaz, né? Quando a gente perde alguém, a gente perde um objeto que a gente ama, a gente perde a pessoa que a gente ama, em geral, o psiquiatra precisa dar o apoio. Né? Então, o amor é a grande força estabilizadora e desestabilizadora. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Basicamente falando, nós não somos diferentes de um bando de zebras numa savana da África, por exemplo. Em que temos que estar todos juntos, né? Uma zebra isolada, ou um animal que tá... que é gregário, né, nós somos animais gregários, se estiver vivendo sozinho ou estiver desgarrado, ele vai pelo menos sofrer um grande impacto em termos de <a href="https://totalbalance.com.br/situacoes-de-risco-para-suicidio/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estresse</a>. E por isso que as pessoas querem todas morar nas grandes cidades, né? Que concentram grande parte da população. A gente tem o espaço enorme, mas ninguém, na verdade, quer morar sozinho, né? É praticamente uma coisa difícil. Algumas pessoas conseguem ser eremitas, né? Mas é uma tarefa muito difícil. A gente precisa, realmente, das pessoas. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O nosso relacionamento, ele é capaz de acalmar, ele é capaz de equilibrar e tirar a sensação de estresse. Uma pessoa isolada, se você prende uma pessoa, por exemplo, na cadeia, coloca ela num outro ambiente, você vai provocar uma <a href="https://totalbalance.com.br/depressao-ou-infelicidade/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">depressão</a> e um estresse enorme. Por quê? O teu nível de cortisol vai subir demais quando você rompe os relacionamentos que você tá acostumado. Existe uma... um antagonismo, em que o hormônio do amor, qual que é o hormônio do amor? Ele chama-se ocitocina. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje em dia, a gente fala muito ocitocina, e o cortisol que é o hormônio de estresse. Quando você rompe a ocitocina, você perde alguém que te... que você... um rosto amigável, um rosto, que você libera ocitocina, quando você perde esse contato, você tem um aumento do hormônio do estresse meio que automático, né? Então, conviver bons relacionamentos com pessoas que a gente ama, é fundamental pro equilíbrio. E aí, eu vou passar pra vocês agora, -podia até explicar basicamente, é uma coisa estranha de explicar, mas existe sim, trabalhos que demonstram e tentam explicar-, o que é o amor e por que que o amor tem um impacto tão grande na nossa vida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas afinal, o que é o amor? Eu vou usar pra vocês aqui a definição desse autor aqui, o (Stephen Levine), que é um psiquiatra especializado em relacionamento, né? E ele coloca assim, como um modo de entender o amor, pra gente poder compreender a dimensão do amor, ele coloca os... ele denomina os oito ou nove predicados do amor. São itens que compõem o sentimento do amor. Obviamente, é um sentimento... </p>



<p class="wp-block-paragraph">O amor é um sentimento subjetivo, e transitório, ninguém ama o tempo todo uma pessoa. Isso é um conceito importante, né? Tem dia que a gente não ama. Tem dia que a gente ama mais. Então, pra gente entender o amor, às vezes precisa do tempo e precisa às vezes olhar de longe. Falar: “Puxa, esta pessoa é a pessoa que eu amo”. Né? </p>



<p class="wp-block-paragraph">O primeiro predicado que ele coloca, é que o amor é uma ambição idealizada. É uma ambição de amar alguém e uma ambição de ser amado. E dentro dessa ambição, a gente tem a ambição de viver em harmonia, viver em felicidade, e que esse <a href="https://totalbalance.com.br/porque-bons-relacionamentos-sao-protetores-contra-a-depressao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">relacionamento</a> seja bom e que a gente vá construir coisas juntos, né? Esse é o primeiro conceito fundamental do amor. Outra coisa, o segundo pronome, né? </p>



<p class="wp-block-paragraph">O segundo predicado: o amor é um contrato. Né? Nos dias de hoje, os termos do contrato, por vezes, não são muito bem... não estão claros. A gente só começa a entender qual era o nosso contrato, mediante as grandes crises de relacionamento ou mesmo nos divórcios. Aí a gente tem que fazer o acerto do contrato, né, que a gente achou que sabia qual que era, mas não sabia. Em algumas culturas, ainda hoje, ou antigamente, era comum que os pais dos noivos fizessem o contrato, né? Os noivos praticamente não participavam e iam ter sim, que aceitar o contrato. Tá? Isso é uma coisa que a gente conhece bem ainda dos avós, provavelmente, né? </p>



<p class="wp-block-paragraph">O que a gente sabe que os relacionamentos, o amor assim, ele dura, -ele pode ser renovado-, mas esse contrato, em geral, dentro das pessoas, ele dura ao redor de sete anos. Depois de sete anos, parece que as coisas deixam de fazer aquele sentido que faziam no início. Então, pra isso, tem que haver uma reformulação desse contrato. Esse contrato tem que ser refeito. Se ele consegue ser refeito em bons termos para ambos, então, o relacionamento, possivelmente, pode prosseguir.</p>]]></content:encoded>
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	<itunes:summary><![CDATA[Dr. Sergio Klepacz da Clínica TotalBalance fala a respeito do amor.



Neste vídeo você irá conferir:



o que é o amor;porque o amor é uma força estabilizadora;definições de amor por Stephen Levine;os predicados do amor.



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Transcrição



Boas, pessoal. Tive aqui pensando em tentar trazer pra vocês alguma coisa bastante significativa, né? Assim, algo que impacta muito o nosso dia a dia, e que a gente observa aqui na prática clínica que tem um significado muito grande, que é um dos grandes motivos de queixa, é um dos grandes motivos que trazem as pessoas aqui para... para os psiquiatras. Isso chama-se amor. Né? 



A gente sabe que o amor, ele constrói, amor traz coisas muito boas para as pessoas, mas pode ter o efeito contrário quando ele se desfaz, né? Quando a gente perde alguém, a gente perde um objeto que a gente ama, a gente perde a pessoa que a gente ama, em geral, o psiquiatra precisa dar o apoio. Né? Então, o amor é a grande força estabilizadora e desestabilizadora. 



Basicamente falando, nós não somos diferentes de um bando de zebras numa savana da África, por exemplo. Em que temos que estar todos juntos, né? Uma zebra isolada, ou um animal que tá... que é gregário, né, nós somos animais gregários, se estiver vivendo sozinho ou estiver desgarrado, ele vai pelo menos sofrer um grande impacto em termos de estresse. E por isso que as pessoas querem todas morar nas grandes cidades, né? Que concentram grande parte da população. A gente tem o espaço enorme, mas ninguém, na verdade, quer morar sozinho, né? É praticamente uma coisa difícil. Algumas pessoas conseguem ser eremitas, né? Mas é uma tarefa muito difícil. A gente precisa, realmente, das pessoas. 



O nosso relacionamento, ele é capaz de acalmar, ele é capaz de equilibrar e tirar a sensação de estresse. Uma pessoa isolada, se você prende uma pessoa, por exemplo, na cadeia, coloca ela num outro ambiente, você vai provocar uma depressão e um estresse enorme. Por quê? O teu nível de cortisol vai subir demais quando você rompe os relacionamentos que você tá acostumado. Existe uma... um antagonismo, em que o hormônio do amor, qual que é o hormônio do amor? Ele chama-se ocitocina. 



Hoje em dia, a gente fala muito ocitocina, e o cortisol que é o hormônio de estresse. Quando você rompe a ocitocina, você perde alguém que te... que você... um rosto amigável, um rosto, que você libera ocitocina, quando você perde esse contato, você tem um aumento do hormônio do estresse meio que automático, né? Então, conviver bons relacionamentos com pessoas que a gente ama, é fundamental pro equilíbrio. E aí, eu vou passar pra vocês agora, -podia até explicar basicamente, é uma coisa estranha de explicar, mas existe sim, trabalhos que demonstram e tentam explicar-, o que é o amor e por que que o amor tem um impacto tão grande na nossa vida.&nbsp;



Mas afinal, o que é o amor? Eu vou usar pra vocês aqui a definição desse autor aqui, o (Stephen Levine), que é um psiquiatra especializado em relacionamento, né? E ele coloca assim, como um modo de entender o amor, pra gente poder compreender a dimensão do amor, ele coloca os... ele denomina os oito ou nove predicados do amor. São itens que compõem o sentimento do amor. Obviamente, é um sentimento... 



O amor é um sentimento subjetivo, e transitório, ninguém ama o tempo todo uma pessoa. Isso é um conceito importante, né? Tem dia que a gente não ama. Tem dia que a gente ama mais. Então, pra gente entender o amor, às vezes precisa do tempo e precisa às vezes olhar de longe. Falar: “Puxa, esta pessoa é a pessoa que eu amo”. Né? 



O primeiro predicado que ele coloca, é que o amor é uma ambição idealizada. É uma ambição de amar alguém e uma ambição de ser amado. E dentro dessa ambição, a gente tem a ambição de viver em harmonia, viver em felicidade, e que esse relacionamento seja bom e que a gente vá construir coisas juntos, né? Esse é o primeiro conceito fundamental do amor. Outra coisa, o segundo pronome, ]]></itunes:summary>
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		<title>Amor &#8211; Parte 1</title>
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Neste vídeo você irá conferir:



o que é o amor;porque o amor é uma força estabilizadora;definições de amor por Stephen Levine;os predicados do amor.



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Transcrição



Boas, pessoal. Tive aqui pensando em tentar trazer pra vocês alguma coisa bastante significativa, né? Assim, algo que impacta muito o nosso dia a dia, e que a gente observa aqui na prática clínica que tem um significado muito grande, que é um dos grandes motivos de queixa, é um dos grandes motivos que trazem as pessoas aqui para... para os psiquiatras. Isso chama-se amor. Né? 



A gente sabe que o amor, ele constrói, amor traz coisas muito boas para as pessoas, mas pode ter o efeito contrário quando ele se desfaz, né? Quando a gente perde alguém, a gente perde um objeto que a gente ama, a gente perde a pessoa que a gente ama, em geral, o psiquiatra precisa dar o apoio. Né? Então, o amor é a grande força estabilizado]]></googleplay:description>
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	<title>Live Como Anda a Sua Saúde Mental?</title>
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	<pubDate></pubDate>
	<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
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	<description><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Transcrição</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><strong>Cláudio Lottenberg:</strong></strong> É um prazer.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><strong>Sérgio Klepacz:</strong></strong> Muito obrigado pelo convite, Claudio, por ter lembrado. Muito obrigado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Imagina. Que isso, eu admiro muito o que você faz. Mesmo à distância, saiba que eu tenho muito respeito e vi coisas que você tem aprofundado, tentando ligar coisas que as pessoas, muitas vezes, tratam até com muito preconceito. E são coisas que talvez não são tão explicáveis dentro da lógica, dentro do pensamento cartesiano, e sim mais quântico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Sim, sim. Essa história do preconceito é interessante. Eu sempre conto essa história e até hoje tem uma marca do preconceito. Nos meus receituários, pelo menos em uns deles, eu não coloco o meu título de psiquiatra. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando eu comecei a exercer, em 1980, o preconceito era muito grande e quando eu falei: “Ah, vou ser psiquiatra”, as críticas foram enormes. Legal era ser cirurgião na época: “Não, você tem que ser cirurgião, porque psiquiatra é uma coisa estranha, esquisita, na família todo mundo é normal”. Aquele papo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Mas você sabe que é interessante, porque eu acho que a pandemia vai ajudar no sentido de as pessoas entenderem a importância da saúde mental. E eu queria te fazer uma pergunta, para começar: como é que você enxerga a questão da felicidade? Você fala muito sobre isso quando escreve. O que é felicidade?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Olha, Claudio, nós já temos muitos anos de profissão. Quando você fala das questões que você trata, você já tem toda uma reflexão sobre isso, toda uma profundidade. Então, deixa eu te contar a historinha. A historinha é simples. Quando você atende a pessoa, a pessoa sofre de depressão, aí a pessoa melhora: “Melhorou?”, “Eu melhorei, mas a vida é ruim mesmo”. E tem aquelas pessoas que falam: “Eu não sou assim, sou uma pessoa feliz”, aí quando você trata, a pessoa melhora e volta ao nível de felicidade. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Ou seja, hoje em dia – os próprios trabalhos demonstram, isso é uma coisa vista na prática – nós vemos que felicidade, grau de felicidade, humor e depressão, estão descolados parcialmente. São sistemas diferentes. Então, a história da felicidade é uma história, mas cada um tem a sua. Os trabalhos mostram que se você ganhar na loteria vai ficar muito feliz por seis meses, depois tudo volta ao normal, ao teu grau anterior. E o contrário também: se acontecer uma grande desgraça na sua vida, depois você volta ao normal. Para algumas pessoas isso aqui é um copo meio vazio, para outras está meio cheio. Isso seria o grau da felicidade. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A dinâmica é bem diferente, eu acho que felicidade é uma coisa que todos almejam, ninguém está imune a tentar desejar ser feliz, e nós traçamos dentro da gente nossos planos de felicidade. É até interessante, eu gosto muito de tentar trabalhar com essa coisa da química, de neurotransmissor, então até os neurotransmissores são diferentes do humor. O pessoal fala, “Puxa vida, se tomar um remédio <a href="https://totalbalance.com.br/porque-existem-tantos-tipos-de-antidepressivos/">antidepressivo</a>, você vai ser mais feliz?” – que, aliás, foi o marketing do Prozac nos anos 80. E não, não vai ser mais feliz. O seu nível de felicidade vai continuar igual. O humor sim, é um dos componentes da felicidade, mas não é só esse. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Realmente, para quem alcançou boa parte das coisas na vida, o que nós mais queremos é tentar pensar: “Sou feliz? Eu acho que eu sou feliz. Sou feliz. Eu acho que não totalmente, preciso disso e daquilo, mas eu vou chegar à felicidade”. Então, esse é nosso grande objetivo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Olha, que interessante. Esses termos, mesmo para quem é médico – que é o meu caso –, são termos difíceis de definir. Você falou do humor, quer dizer, um remédio que é um antidepressivo trabalha com o teu humor. Como você pode definir o humor perante os leigos?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> O humor já é mais objetivo, tem todas aquelas escalas e eu não vou falar delas. O humor é aquela coisa que nós sentimos, é um sentimento, com alguns componentes físicos. Já a felicidade não tem nenhum componente físico. Mas o humor tem um componente físico, então, quando a pessoa está em depressão, por exemplo, nós sabemos que o humor está ruim quando temos esse tipo de problema com o humor. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Nós sabemos, como na tua área, que temos um problema oftalmológico quando não estamos enxergando. Se não enxergar é porque eu tenho um problema, senão, ninguém pensa no funcionamento do olho, por exemplo. É a mesma coisa, fazendo um paralelismo. E o humor é um estado, nós chamamos de estado de ânimo. Quando nós estamos com ele muito feliz, ou muito eufórico, ou muito triste, ou em depressão, nós sabemos o que é o humor dentro da gente. Então, tem um componente físico, como eu falei, e um componente mental. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Componente mental tem a percepção do mundo, percepção das coisas, percepção de quanto o mundo é bom para a gente, ou de quanto é ruim, ou se nós merecemos ou não. Toda a ideação faz parte do humor. E tem também a sensação física, quando pessoas que estão com o humor depressivo têm basicamente sintomas físicos. É mais como se fosse taquicardia, por exemplo. Dor também é um sintoma de humor alterado. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Antigamente, na minha época, nos anos 80, quando eu fazia residência, falava-se de sintoma de depressão oculta: quando o pessoal vai no médico, tem dor nas costas, dor lombar e faz exame e não aparece nada. Então, tem esse componente físico também, bastante importante.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Uma pessoa pode ser feliz e estar com o humor ruim, para baixo?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Sim. O humor pode ser alterado por um remédio, por exemplo. Você pode ser uma pessoa – nós vemos muito isso – que não tem nenhum problema de humor, certas medicações podem te levar a uma depressão e você é uma pessoa feliz. É aquilo que eu te falei, Claudio, às vezes a pessoa é uma pessoa superfeliz e ela fala para mim o seguinte: “Doutor, eu não sou assim, cara. Eu não sei o que está acontecendo comigo, eu sou uma pessoa felicíssima, isso não sou eu”. É diferente. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando você tem uma pessoa com depressão que é infeliz, às vezes não tem muita relação, às vezes são coisas que andam até distintas. Ela fala assim: “Mas o mundo é ruim mesmo. Olha, eu nunca estive bem na minha vida”, aí você pergunta para alguém, pergunta para a mãe, pergunta para a pessoa que convive com ela, e ela fala: “Não, ela era assim normalmente. Não era aquela pessoa feliz, mas não tinha problema de humor”. E esta pessoa é o paciente mais difícil, porque ela sofre da infelicidade e da depressão. Aí é mais difícil. Essa pessoa até tende a tratar-se menos, porque ela justifica a depressão dentro do seu nível de felicidade baixo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> E as pessoas te procuram para tratar de questões de infelicidade ou questões de piora de humor? Ou ambas?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Essa pergunta foi boa. Ninguém tinha me perguntado isso, mas eu penso muito nisso. Eu penso sozinho. Sabe aquela coisa que você está conversando com a pessoa, com o paciente, aí você fala assim: “Será que isto é depressão ou é infelicidade?”. Às vezes eu falo para o paciente: “Olha, é como se fosse assim: duas áreas que têm uma área em comum, são duas bolas que se sobrepõem e têm uma areazinha em comum, aquela área do meio, que é uma área cinzenta, nós não sabemos que é uma área cinza”. Algumas pessoas, em geral, vêm mesmo por problemas de humor. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O problema da felicidade, do nível de felicidade, aparece durante o processo. E é difícil quando a pessoa está em depressão e você chega à conclusão a respeito do nível de felicidade que ela tem. Você vai tratando, “Mas você anda dormindo bem?”, “Sim”, “Está comendo?”, “Estou”, “Melhorou?”, “Mas, na verdade, eu nunca estive bem. Eu estou como eu sempre fui”. Aí eu falo: “Olha, aí é uma questão de felicidade. É uma coisa do seu nível de felicidade”. Como melhorar o nível de felicidade? Isso todo mundo quer. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, existe uma série de teorias: um objetivo na vida ou tentar com os neurotransmissores que estão mais ligados à felicidade, o que é muito difícil de mexer. Por exemplo, os receptores opiáceos estão ligados a essa questão da felicidade, só que você não pode ficar tomando opiáceo para tirar a dor da vida. A pessoa que é infeliz sente uma dor da existência, uma dor da vida, é diferente. As coisas para ela são muito doídas, tudo é muito doído, é muito difícil. Isso é muito difícil de tratar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Uma das dúvidas que surge muito é em relação às pessoas saberem buscar a forma, a porta de entrada, para tratar determinados sintomas de uma maneira mais geral. Porque o leigo procura, como aquele indivíduo que me procura, que tem uma baixa de visão. Alguém procura você talvez por um baixo astral. Como a pessoa pode discernir quando ela vai precisar de alguém que dê um suporte medicamentoso em vez de alguém que vai dar só um suporte de natureza de terapia? Há como as pessoas se autoalimentarem a respeito disso? Porque um dos grandes problemas que nós vemos em saúde – e aí eu digo como gestor – é a porta de entrada. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Às vezes, o indivíduo procura um pronto-socorro quando ele precisa procurar um médico, e aí ele acaba internado, com complicações e chega até a morrer por imperícia, por falta de segurança em práticas assistenciais. O indivíduo procura às vezes um profissional e faz uma batelada de exames que seriam desnecessários. Será que as pessoas têm condições de se entender a ponto de falar: “Não, aqui eu preciso de alguém que vai me dar um suporte terapêutico e que poderá entrar com medicação. Aqui não, aqui eu preciso de um suporte de natureza terapêutica, para uma terapia”? Há como nós passarmos para os leigos algum tipo de orientação em relação a isso?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Sim. Basicamente nós temos dois tipos de pacientes. Tem aquelas pessoas que se percebem e as pessoas que não se percebem. Eu estou falando em termos mais grosseiros agora, depois eu vou baixar um pouco para esse nível do psicológico, o que é psicológico ou o que não é psicológico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Exatamente. É por aí, isso mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Essa é a grande questão que eu tenho lidado nos últimos 40 anos. É até fácil nós termos um familiar e observarmos que essa pessoa está diferente, tem um olhar diferente, dorme demais ou dorme de menos etc. Então, às vezes algumas pessoas chamadas alexitímicas – tem até um nome para isso, alexitimia – não percebem o seu estado de ânimo. Precisaria a família ou a esposa trazer por livre e espancada vontade. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu sempre digo: “Puxa, você veio por livre e espancada vontade?”, “Pô, doutor, eu não tenho nada. Eu estou pensando na vida aqui, não é nada disso, as pessoas estão vendo demais”. Aí quando você faz o tratamento, obriga ela a fazer, por livre e espancada vontade, ela melhora. E tem aquelas pessoas que vêm espontaneamente, que talvez seja até a maioria. O mundo psiquiátrico era muito diferente. A psiquiatria sofreu, nesses últimos anos, uma revolução gigantesca, e esses conceitos todos foram sendo recolocados, revistos. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando eu me formei, ou antes de me formar, quando eu comecei a fazer estágio em psiquiatria, existiam nitidamente dois tipos de psiquiatra: o psiquiatra psicanalista, que era o psíquico dinâmico orientado, e o organicista. Então, você dizia assim: “Esse paciente precisa de remédio ou terapia?”, e quando o cara era bonzinho fazia os dois. Primeiro lugar, nós vivíamos numa época de total ignorância em relação aos próprios mecanismos de estresse, isso em 1970. E a coisa foi evoluindo. Eu sei que quando eu acabei a minha residência – eu sempre conto essa história –, não existia o famoso Prozac, o Fluoxetina ainda não tinha sido inventado. </p>



<p class="wp-block-paragraph">As pessoas reclamam hoje dos tratamentos psiquiátricos: “Ah, estou tomando remédio”, “Você não sabe o que eram os remédios de 1980, você não tem ideia”. Realmente, naquela época isso era uma verdade, Claudio. Naquela época, você entrava em tratamento psiquiátrico ou por questão de humor, depressão, e era um processo até arriscado, porque a tolerabilidade, os efeitos colaterais dos remédios, eram terríveis. E o que se conhecia era zero, não se sabia nada. Então, nos últimos 40 anos houve uma evolução enorme. E hoje nós sabemos que não é nem tanto uma coisa e nem tanto outra. Você tem uma pequena descompensação nos processos psíquicos por um pequeno estresse, aquilo vai rodando e você não percebe. E aí aparecem os sintomas psiquiátricos. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, você pode começar com um problema psicológico, um conflito em casa, e aquilo, se não solucionado, pode virar um quadro depressivo no qual a serotonina está baixa, o cortisol está alto, com mais uma série de alterações. E, hoje, todos os <em>guidelines</em>, os tratamentos, dizem que teoricamente o melhor seria você ter as duas abordagens. Hoje não se fala mais em depressão endógena, por exemplo. Na nossa época, quando eu estudava psiquiatria, falava-se assim: “É depressão endógena, o cara nasceu com a depressão”. Tem esses casos sim, mas uma boa parte, da chamada depressão maior, do estado depressivo ou do transtorno depressivo, tem uma questão psíquica e uma questão física. Hoje elas se comunicam. Então, quando você vai pegar o paciente, como você dá o remédio para um e talvez não dê para outro? Em geral, para quem vai me consultar eu sempre dou, porque as pessoas já vão sabendo que vão precisar. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Deixa eu colocar um negócio que eu acho uma das coisas mais bonitas que nós acabamos percebendo, que a ciência começou a entender. O que é a depressão? O que é a alteração do estado do humor? É uma consequência de um estresse agudo ou crônico. Em geral, estou falando das pessoas que não sofrem de um distúrbio depressivo de base, de uma questão química. Tem as pessoas que têm os genes. Hoje nós estamos na era do gene, então, nós já sabemos até quais são os genes que provocam a depressão. Vamos supor que a pessoa não tenha nenhum desses genes ou que tenha um pouquinho, que exista uma tendência. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Você tem uma tendência, tem um, dois, três genes que não são superbons em termos de serotonina, em termos de controle do seu eixo de estresse, você passa um estresse e aquilo vai desequilibrando o seu cortisol, que é o hormônio de estresse. Isso acontece conosco todos os dias. Então, tem a questão psicológica, o estresse, e tem a questão física. Elas se comunicam. Hoje não se fala mais de separação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> E eu queria te perguntar uma coisa, porque a depressão é algo que tem um impacto tremendo em saúde, em saúde pública, em algo chamado comorbidade. Conta para as pessoas o quanto perde uma pessoa que tem depressão e não sabe, e que de repente tem insuficiência cardíaca ou hipertensão, ou aquele indivíduo que está infartado e não quer reconhecer que está deprimido também. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Quer dizer, o quanto que se nós, por acaso, tratarmos essas coisas juntas, não ajudaria a tratar um diabético, um hipertenso, para que ele vivesse melhor. Ou seja, tratando a depressão, as outras coisas melhorariam. Dá para você contar alguma coisa para a gente?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Outro dia eu estava vendo dados do Ministério da Saúde, estava falando de epidemiologia, estudos depressivos, estudos psiquiátricos. Aqui no Brasil, o Ministério da Saúde avalia em 50 milhões o número de pessoas hoje fazendo tratamento psiquiátrico. Apenas distúrbio de ansiedade são 12 milhões, até porque o Brasil não é um país muito favorável a você ficar calmo. Depressão, hoje nós sabemos, é uma doença como outra qualquer, como a diabete. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Em geral, a depressão acaba se tornando uma doença crônica. Então, muita gente fala: “Pô, tomar remédio para o resto da vida, tem que tomar remédio, tomar remédio”. E eu sempre digo assim: “Qual o custo benefício desse remédio?”. Acho que é isso que você está me perguntando. Nós sabemos que a manutenção do estado depressivo ou de uma alteração de humor diminui a vida. Eu não tenho o número exato de cabeça agora, toda hora aparece um trabalho novo, mas se fala realmente em diminuição, além da qualidade da própria vida. Nós sabemos que aumenta a incidência de enfarte, a incidência de câncer – existe todo um estudo completo a respeito disso –, a incidência de doenças neurodegenerativas, que é um grande problema. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, quando nós falamos em consertar o nível de serotonina, tomar um remedinho para aumentar a serotonina, porque vai te fazer bem, para você se sentir bem, não é só você se sentir bem. Por exemplo, a serotonina é um neurotransmissor que está espalhado pelo corpo todo, por todo o organismo. Aliás, o nível dela no cérebro é o menor, de apenas 3%. Nós sabemos que ela está relacionada à questão vasomotora, à questão de mobilidade intestinal, à imunidade. Muitas pessoas têm quedas de imunidade, isso é uma coisa que eu vejo muito no consultório: “Doutor, nossa, eu estou com estresse, nasceu a herpes Zóster. Puxa, estive internado por infecção urinária”. Ainda tem preconceito sim, bem menos do que antes, mas ainda muita gente tem preconceito. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Se nós conseguirmos fazer as pessoas entenderem que depressão não é um simples problema, frescura, coisa de gente fraca, que é todo um problema de saúde complexo. E você se manter em depressão – isso que eu sempre explico para os pacientes – vai te colocar em risco. A chance de você se defender de uma infecção é muito baixa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Você sabe que eu comecei a entender determinadas questões daquilo que o paciente sente quando eu fui operado daquilo que eu sempre operei. Eu operei a catarata agora recentemente, mas operei cinco anos atrás. E aí eu senti o que o paciente sentia, e eu me transformei num médico melhor e mais humano. E, nesse entendimento, eu comecei a conversar sobre coisas que os pacientes se queixam e nós, muitas vezes, não damos bola, coisas que passam batido, porque nós estamos vendo objetivamente uma explicação para aquilo. E o contexto da sociedade contemporânea traz duas reversões que eu acho que são importantes, aí talvez resgatando o nosso tempo de atividade médica. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Primeiro, o papel de um terapeuta, seja ele alguém que dá remédio ou não. Eu vi amigos e pessoas muito próximas sucumbirem a doenças muito tratáveis, digamos assim, por absoluta falta de suporte de natureza terapêutica. Tomar algum remédio para trabalhar o teu humor, para buscar uma zona de equilíbrio, isso é bom, e assumir que você tem um terapeuta, que você tem um psiquiatra. Eu, por exemplo, faço terapia. Acho que se não fizesse terapia, Sérgio, eu certamente não conseguiria suportar a pressão que eu tenho no dia a dia, porque você oscila muito, com momentos de grande alegria por algo que te estimula, decepções, pré-disposição pública com algumas pessoas. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, eu acho que o reposicionamento do papel do psiquiatra como bem entendido, como um grande ativo é algo que muda a sociedade. A outra profissão, que eu acho que ajuda muito, é o papel do fisioterapeuta. Quando nós éramos moleques o fisioterapeuta era um massagista.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> É verdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Hoje, com o alongamento da vida, o aumento da expectativa de vida de todos nós... você vê jovem com correção de vício postural. São coisas, na verdade, que eram pouco valorizadas, e hoje mudaram por completo. Principalmente se as pessoas tiverem a mente aberta e atuarem sem preconceitos. Eu acho que você, em algum momento, também comenta alguma coisa sobre a alimentação. Como é que nós trabalhamos isso em termos de qualidade de vida, em termos de humor? O que você pode falar de nutrição, que também é uma forma de aumentar o escopo da visão da saúde?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Sim. Esse é um assunto que começou a me fascinar 20 anos atrás. E quando nós falávamos essas coisas o pessoal dava risada, nos meios acadêmicos isso era piada. E, hoje, por incrível que pareça, os trabalhos já mostraram a importância. Eu acho que nós temos duas questões: o aspecto micronutricional e o aspecto macronutricional. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Falando no macronutricional, a grosso modo, é o quanto você come, se você come pouco ou come muito. E nós sabemos que a obesidade é uma das grandes causas de depressão. Nós vemos muito isso. Quando eu vou fazer uma consulta, eu tenho daquelas balanças que dão a porcentagem. Aquilo é fundamental. A pessoa fala: “Doutor, eu estou muito cansado...”, eu falo “Você dorme bem?”, “Não, eu acordo quebrado”, então eu falo, “Bom, você já olhou o seu peso? O que você come à noite?”, “Ah, à noite eu tomo dois whiskies, como macarrão, como uma pizza, e acordo no dia seguinte acabado”. Eu falo: “Desculpa, eu também iria acordar acabado”. Então, com relação a esse aspecto macronutricional, fazer exercício físico e manter o controle metabólico é fundamental, principalmente para você dormir. Não tem como você manter seu equilíbrio emocional sem dormir um sono reparador. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Na verdade, Cláudio, o que eu sempre digo para os pacientes é: “Antes de falarmos de psiquiatria, de infelicidade, vamos falar do básico? Você come, você dorme, você faz xixi, você bebe água, você faz cocô?”. São as primeiras coisas que tem que perguntar para a pessoa, essa coisa de o psiquiatra ficar só, “Ah, quando você era criança o que aconteceu? Seu pai bateu na sua mãe e você sofreu bullying”. Não, isso é o de menos. Porque quantos casos nós vemos em que a pessoa não se mexe, não tem energia, porque aonde está a energia? A energia está na musculatura. Se você não mantém a energia a partir de uma certa idade, onde está mitocôndria? No osso muito pouco, em alguns tecidos ali espalhados um pouquinho. Onde tem mitocôndria? O cérebro consome 20%, 22% da energia do corpo, se esse corpo não fabrica energia, se ele está lotado de gordura, ou a gordura não produz energia e não tem mitocôndria, é um tecido gorduroso, não é um tecido muito útil para o cérebro. Ele gera inflamação. E nós sabemos que a depressão é uma doença inflamatória. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, a primeira coisa é olhar o peso, a porcentagem do próprio paciente, que são questões macronutricionais. Aí nós temos que começar a entrar com as questões: “O que você come? O que você faz no café da manhã?”, “Está bom. Doutor, mas você não é nutricionista”. Eu falo: “Não, eu não sou. Mas se você não tiver com a nutrição boa, esquece. Não tem remédio que ajude”, e isso é verdade. Não tem. “Doutor, eu fui em 400 médicos e já tomei todos os remédios para dormir. Eu acordo quebrada”, eu falei: “Você já tentou emagrecer?”, “Mas como assim?”, eu disse: “Mas então o problema é o peso. Com essa resistência à insulina, com essa gordura abdominal, como é que você acha que você tem insulina? Olha o teu rosto aqui, você está cheia de olheira, você dorme mal, está na cara”. E conforme você vai ficando mais velho, vai ficando pior. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, essa é a questão macronutricional. Além disso, hoje nós temos a questão micronutricional. Nós sabemos que o humor tem muito a ver – não só, mas tem muito a ver – com a questão de neurotransmissor. Então, em primeiro lugar, você tem que ter matéria-prima – isso é uma coisa que, na minha opinião, é básica. E hoje a psiquiatria acadêmica começa a ver isso, que, para você fabricar serotonina, você precisa ter vitamina B3, vitamina B12, ácido fólico. Nós já estamos na onda da nutrigenômica, e então nós vemos que existem pessoas que têm dificuldade – isso é uma coisa já conhecida internacionalmente na psiquiatria acadêmica –, que não têm genes para metabolizar o ácido fólico e até o metilfolato; portanto, não vão fabricar os neurotransmissores. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, essas pessoas precisam repor, por exemplo, o metilfolato, senão vão ter depressão. Por exemplo, hoje nós vemos muita gente que fez cirurgia bariátrica, que tem dificuldade de absorção de B12 ou certos tipos de dieta, ou pessoas que são veganas. Essas pessoas têm que cuidar da parte micronutricional, que são as vitaminas clássicas, básicas. Nós sabemos hoje que isso já é provado, é superimportante.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Sérgio, você está dando uma aula, porque está chamando a atenção para uma visão holística de ser humano. Nós somos médicos, quando o paciente me procura por um problema oftalmológico, de repente ele desencadeia uma questão comportamental da casa dele. Aliás, muita gente procura um médico oftalmologista porque está com dor de cabeça e está achando que é troca de óculos, aí você começa a conversar com a pessoa e vê que ela tem toda uma tensão na região cervical, por algum tipo de estresse, e você desencadeia uma questão de natureza relacional da vida dela. E nós, médicos, temos que conversar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, não é que: “Ah não, o psiquiatra é aquele indivíduo que está com o cachimbo”, quando nós lembramos as imagens antigas, de alguém sentado com um charuto, ouvindo, e não é isso. Nós somos médicos, e essa visão holística, esse entendimento do que é saúde, eu acho que nós temos falhado em relação a isso. Não estou dizendo no seu caso, estou dizendo de maneira geral. Uma conversa como essa tem que ser inspiracional para aqueles que estão escutando, que são da área da saúde, e os pacientes têm que encontrar a motivação dentro da relação com os seus médicos para engaja-los. Fale da atividade física e da questão da depressão. O esporte matinal, você tem algo para nos contar sobre isso?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Eu acho que o esporte tem duas questões. Pessoalmente, como você, eu faço muito esporte. Até demais. Então, eu tenho as minhas aulas. Uma coisa que eu faço há muitos anos é vela, mas eu acho que a vela, o iatismo, não são esportes físicos, mas aí é a questão do prazer. Eu acho que principalmente para as pessoas mais hiperativas, mais carentes de dopamina, para não sofrerem de tédio – e tédio em excesso leva à depressão –, o esporte é fundamental. Talvez você seja desse perfil também, que precisa do exercício para se sentir bem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, tem aquele esporte para você emagrecer e ganhar massa magra e tem o esporte para liberar as chamadas endorfinas e, principalmente, a dopamina. Eu tento fazer os dois. Nós sabemos, em termos químicos, falando em termos médicos, que quando você faz uma certa quantidade de exercício, você tem o aumento do seu nível de IGF-1. O que é a vida saudável, cientificamente falando? Todo dia você acumula um monte de problema, e aí o único jeito de você trabalhar esses problemas que são insolúveis, os conflitos etc., é você dormir muito bem, ter aqueles ciclos normais do sono. O seu cérebro trabalha os problemas por você de que jeito? Tira a importância. Então, você tem lá um conflito, você vai dormir e quando você acorda de manhã, você pensa: “Ah, não é tanto assim também, deixa quieto. Esqueci. Esqueci o problema”. Por quê?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque toda vez que você vai dormir existem fatores de crescimento. Nós sabemos que os fatores de crescimento cerebrais, fatores que fazem os neurônios se ligarem ou se modificarem, são importantes para a resiliência, para a capacidade de suportar os problemas que nós temos, decorrentes da vida no trabalho ou das questões pessoais. Quando você faz esporte tipo jiu-jitsu, ou um esporte que te faz realmente suar bastante, que exige bastante esforço físico, você libera um dos fatores de crescimento, que é o IGF-1, ligado ao tal do hormônio do crescimento. Então, à noite, quando você começa a dormir, você libera esse hormônio. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando você está gordinho, com muita insulina, você libera menos naquele momento. Quando você está mais magrinho, mais em forma, você está com mais musculatura funcionando e está se colocando em teste físico, está lá lutando jiu-jitsu, fazendo um esforço, sai suado, e à noite você libera mais IGF-1, ajudando na adaptação do seu cérebro, principalmente de uma área que chama-se hipocampo, que é uma área muito ligada ao humor. Pessoas que têm o hipocampo menor, mais atrofiado, além do problema de memória têm problema de humor. Então, se você faz exercício físico com muita regularidade, quatro, cinco vezes por semana, às vezes tem aquela questão do prazer, a questão do teste físico mesmo, você libera IGF-1 isso aumenta a sua resiliência. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, nós sabemos que – e muita gente faz isso – exercício físico é um grande antidepressivo, basicamente um excelente adaptador. Muitas vezes a pessoa vem ao meu consultório e diz: “Olha, doutor, eu fazia corrida, fazia bicicleta, mas sabe o que aconteceu? Quebrei o tendão, estourou o tendão, o joelho, e eu parei. E olha o que aconteceu comigo agora, eu estou muito triste, eu estou com depressão”. Aí eu explico: “O antidepressivo que você tomava, você não está conseguindo tomar agora, que era o exercício físico”. Mas, para você tratar a depressão com exercício físico, você precisa fazer muito exercício físico. Então, se você sofre de depressão, o exercício ajuda? Ajuda, mas é bom equilibrar também com outro tratamento, para você não ficar dependendo de uma coisa só, se você tem uma tendência.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> E é interessante, porque vieram duas perguntas para a gente sobre as quais eu queria que você falasse um pouquinho. Primeiro, como é que você enxerga a meditação nesse cenário? E o segundo aspecto é em relação a essas pessoas superprodutivas, que se organizam e se orgulham muitas vezes de dormir só quatro horas. Eu era assim, agora eu estou dormindo mais e estou percebendo que está me fazendo bem. Me fala dessas duas coisas: a meditação e a questão do sono e o orgulho das quatro horas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> É muito interessante isso também. Hoje nós sabemos que as técnicas de meditação agem como coadjuvantes ou (mindfulness). Eu até fui convidado para participar de grupos, mas eu, particularmente, não pratico. Muita gente usa a meditação e acho que ela vem de um princípio que é o grande desafio dentro da área da saúde mental, que é o controle do seu cérebro. O que a meditação tenta é mudar a tua atenção, o teu foco, e não deixar você se perder pelos pensamentos primitivos. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, quando nós falamos de doença psíquica, doença mental, depressão, nós ouvimos: “Poxa, doutor, mas será que eu tenho uma doença? Sou um doente? Doença mental, coisa feia”, eu falo: “Não, você não é um doente, você é desadaptado”. O nosso cérebro começou a se formar há dois milhões de anos, a civilização tem 10 mil anos, então nós temos mecanismos primários de sobrevivência. E o que eu sempre explico para as pessoas é: “Não sinta-se frustrada, porque seus pensamentos não lhe obedecem, porque o seu cérebro não foi feito para lhe obedecer, o cérebro foi feito para favorecer a manutenção da espécie”. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, por que você sofre de síndrome do pânico? Porque o seu cérebro não acredita no seu meio e não acredita em você também, ele não acha que você tem capacidade de discernir se tem um leão andando a solta por aí. Ele quer te garantir, quer que você fique dentro da caverna escondido, com síndrome do pânico. Para a espécie é melhor. Essa é a grande origem do preconceito: “Você não controla o seu cérebro, porque eu me controlo”. Isso é uma mentira, ninguém controla o cérebro, o cérebro não foi feito para você controla-lo. Então, a meditação tenta trazer isso, no meu modo de ver, tenta diminuir o barulho instintivo que o cérebro traz. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Qualquer cérebro traz essa carga instintiva de sobrevivência da espécie, então quando você faz o (mindfulness), que é uma das técnicas nas quais você visa focar a atenção, não deixar se perder, é no sentido sempre de diminuir esse barulho. Nós temos três ciclos nessa vida e temos que respeitar esses três ciclos. Isso é básico. Nós temos o ciclo da vigília, que é quando estamos acordados. O ciclo das ondas lentas, do sono de ondas lentas, que é aquele começo do sono. Quando você aprofunda o sono, ele dá uma boa revigorada com essa parte, você produz o IGF-1, o hormônio de crescimento (se você fizer exercício mais ainda) e, se você estiver tranquilo, relaxado e dormir profundamente, o seu cérebro vai se readaptar. </p>



<p class="wp-block-paragraph">E, no final, tem um terceiro ciclo da vida, que é o sono REM. Eles são meio separados, é uma outra dinâmica bem diferente, e é neste sono REM que você consolida e cria outras situações, consolida as memórias etc. Então, se você dormir quatro horas, talvez você se beneficie de dois ciclos apenas, perdendo um ciclo. Possivelmente, em algum momento, o seu nível de memória vai sofrer por isso, acredito eu. Eu sou contra, acho que qualidade de vida é tudo, hoje em dia nós sabemos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Fale um pouco da pandemia e das sequelas da saúde mental em relação à pandemia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Eu acho que a sociedade está pagando um preço enorme nessa questão da saúde mental. E agora o que aconteceu? ((corte no áudio 40:17)) da questão da saúde mental, por questões básicas, o que gera estresse nas pessoas? É a incapacidade de prever fatos. E nós estamos vivendo isso, juntamente à falta de compensação das suas frustrações. O brasileiro é um cara que dificilmente compensa as frustrações do dia a dia, e isso é um fator de aumento de estresse, esse estado que nós vivemos hoje de insegurança, de notícias ruins. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, há a alteração do ritmo circadiano, na época da quarentena as pessoas estão dormindo demais ou dormindo de menos, porque foram mudando seus hábitos, dormindo durante o dia, ficando acordado a noite toda, vendo filme, por exemplo. Isso tudo contribuiu para a piora da saúde mental, fora o trauma das pessoas que perderam gente pelo Covid. Nós estamos vivendo uma situação muito, muito ruim em termos de saúde mental.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> E em relação às crianças, qual é o impacto que você está vendo da pandemia na psique das crianças e dos adolescentes?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Nós sabemos que o aumento de estresse, dependendo da fase da vida, pode ter sequelas permanentes. Nós temos três áreas no cérebro que sofrem o excesso de bombardeio do estresse, que é do cortisol ou do glutamato, quimicamente falando. Tem a primeira área, o hipocampo; a segunda, a amígdala; e a terceira, a área pré-frontal. Principalmente a população mais desassistida já está com trauma, mas esse trauma não é do Covid. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu atendo algumas pessoas que já vêm com o trauma da violência, e agora, com mais esse trauma do Covid, eu acho que nós vamos ter uma geração muito problemática. Se nós não corrigirmos essa questão da violência na periferia, essa é uma consequência terrível, porque está atrofiando o cérebro das crianças. Se você fizer um exame, você vai ver. Está atrofiando a área pré-frontal, independente da idade da criança, e aí você tem uma sequela permanente que é o distúrbio bipolar, a personalidade psicopática, a depressão maior, dependendo da área que você sofre.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Sérgio, o que é mais arriscado, manter as crianças em casa ou correr o risco do Covid, mandando-as para a escola?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Ah, eu não sei. Não sei te dizer.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Sim. Eu concordo com você.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> É difícil tomar uma posição em relação a isso. Não tem uma resposta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Olha, infelizmente nós estamos na fase final da nossa conversa, que durou uma hora. O pedido que está vindo aqui para deixar mantida e gravada a tua entrevista é enorme. Então, esse é um estímulo para você continuar fazendo e eu também vou te convidar para conversar pessoalmente. Queria que você passasse uma mensagem final que misturasse saúde mental, (Rosh Hashaná), enfim, a tua fechadura de ouro, antes que corte o nosso tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Responsabilidade, Cláudio. Eu quero agradecer muitíssimo. É isso que nos faz feliz, estar falando de felicidade. A felicidade é, de repente, num sábado de manhã, meio com tédio e nada para fazer, alguém se lembrar de você e ainda reconhecer anos e anos de trabalho. E eu fico muito, muito orgulhoso, muito feliz mesmo. Eu me sinto muito, muito bem com isso. Óbvio, qualquer pessoa se sentiria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E a mensagem é: esse ano eu acho que não vai ter (inint 44:21), não. Eu acho que nós vamos ter que refletir o ano novo dentro de nós mesmos, com algumas poucas pessoas, mas eu acho que isso vai nos fortalecer para o ano que vem, porque nós estávamos tão acostumados. Sabe o que eu acho? Estávamos acostumados com toda essa correria. “Ah, vamos agora. Tem que ir na casa de não sei quem, vamos lá, vamos para cima, vamos para cá, e tem que fazer, tem que jejuar etc.”, e agora nós vamos nos recolher um pouquinho e vamos perceber a nossa essência de verdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que nós realmente pensamos, o que sentimos de verdade. E, para o ano que vem, vamos ter todos escritos aí, no livro da vida, e vamos vir no ano que vem com muito mais reflexão, muito mais sabedoria, cada um sabendo mais de si e buscando a felicidade de um jeito concreto mesmo, de um jeito real, e fazendo para a sociedade, fazendo para a gente, eu acho que isso é a vida. Isso é o que eu conto da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Sérgio, obrigado. Queria falar algo do Rabino Sobel: Só dá valor, quem tem valor. E eu fiquei muito feliz de poder ler um pouco mais sobre você, quero que realmente você dê um abraço carinhoso no seu pai, nessa idade você sabe o quanto é importante alguém saber que nós lembramos dele. Dá um abraço carinhoso, fala que eu lembro muito bem dele. Um abraço para sua esposa, via net, por aqui também, e vamos estar mais juntos. Um forte e carinhoso abraço. Obrigado, amigo. E um beijo grande, nos vemos. Tchau, tchau.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Um beijo para você, cara. Tchau, tchau.</p>]]></description>
	<itunes:subtitle><![CDATA[Transcrição



Cláudio Lottenberg: É um prazer.



Sérgio Klepacz: Muito obrigado pelo convite, Claudio, por ter lembrado. Muito obrigado.



Cláudio Lottenberg: Imagina. Que isso, eu admiro muito o que você faz. Mesmo à distância, saiba que eu tenho mui]]></itunes:subtitle>
	<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Transcrição</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><strong>Cláudio Lottenberg:</strong></strong> É um prazer.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><strong>Sérgio Klepacz:</strong></strong> Muito obrigado pelo convite, Claudio, por ter lembrado. Muito obrigado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Imagina. Que isso, eu admiro muito o que você faz. Mesmo à distância, saiba que eu tenho muito respeito e vi coisas que você tem aprofundado, tentando ligar coisas que as pessoas, muitas vezes, tratam até com muito preconceito. E são coisas que talvez não são tão explicáveis dentro da lógica, dentro do pensamento cartesiano, e sim mais quântico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Sim, sim. Essa história do preconceito é interessante. Eu sempre conto essa história e até hoje tem uma marca do preconceito. Nos meus receituários, pelo menos em uns deles, eu não coloco o meu título de psiquiatra. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando eu comecei a exercer, em 1980, o preconceito era muito grande e quando eu falei: “Ah, vou ser psiquiatra”, as críticas foram enormes. Legal era ser cirurgião na época: “Não, você tem que ser cirurgião, porque psiquiatra é uma coisa estranha, esquisita, na família todo mundo é normal”. Aquele papo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Mas você sabe que é interessante, porque eu acho que a pandemia vai ajudar no sentido de as pessoas entenderem a importância da saúde mental. E eu queria te fazer uma pergunta, para começar: como é que você enxerga a questão da felicidade? Você fala muito sobre isso quando escreve. O que é felicidade?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Olha, Claudio, nós já temos muitos anos de profissão. Quando você fala das questões que você trata, você já tem toda uma reflexão sobre isso, toda uma profundidade. Então, deixa eu te contar a historinha. A historinha é simples. Quando você atende a pessoa, a pessoa sofre de depressão, aí a pessoa melhora: “Melhorou?”, “Eu melhorei, mas a vida é ruim mesmo”. E tem aquelas pessoas que falam: “Eu não sou assim, sou uma pessoa feliz”, aí quando você trata, a pessoa melhora e volta ao nível de felicidade. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Ou seja, hoje em dia – os próprios trabalhos demonstram, isso é uma coisa vista na prática – nós vemos que felicidade, grau de felicidade, humor e depressão, estão descolados parcialmente. São sistemas diferentes. Então, a história da felicidade é uma história, mas cada um tem a sua. Os trabalhos mostram que se você ganhar na loteria vai ficar muito feliz por seis meses, depois tudo volta ao normal, ao teu grau anterior. E o contrário também: se acontecer uma grande desgraça na sua vida, depois você volta ao normal. Para algumas pessoas isso aqui é um copo meio vazio, para outras está meio cheio. Isso seria o grau da felicidade. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A dinâmica é bem diferente, eu acho que felicidade é uma coisa que todos almejam, ninguém está imune a tentar desejar ser feliz, e nós traçamos dentro da gente nossos planos de felicidade. É até interessante, eu gosto muito de tentar trabalhar com essa coisa da química, de neurotransmissor, então até os neurotransmissores são diferentes do humor. O pessoal fala, “Puxa vida, se tomar um remédio <a href="https://totalbalance.com.br/porque-existem-tantos-tipos-de-antidepressivos/">antidepressivo</a>, você vai ser mais feliz?” – que, aliás, foi o marketing do Prozac nos anos 80. E não, não vai ser mais feliz. O seu nível de felicidade vai continuar igual. O humor sim, é um dos componentes da felicidade, mas não é só esse. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Realmente, para quem alcançou boa parte das coisas na vida, o que nós mais queremos é tentar pensar: “Sou feliz? Eu acho que eu sou feliz. Sou feliz. Eu acho que não totalmente, preciso disso e daquilo, mas eu vou chegar à felicidade”. Então, esse é nosso grande objetivo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Olha, que interessante. Esses termos, mesmo para quem é médico – que é o meu caso –, são termos difíceis de definir. Você falou do humor, quer dizer, um remédio que é um antidepressivo trabalha com o teu humor. Como você pode definir o humor perante os leigos?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> O humor já é mais objetivo, tem todas aquelas escalas e eu não vou falar delas. O humor é aquela coisa que nós sentimos, é um sentimento, com alguns componentes físicos. Já a felicidade não tem nenhum componente físico. Mas o humor tem um componente físico, então, quando a pessoa está em depressão, por exemplo, nós sabemos que o humor está ruim quando temos esse tipo de problema com o humor. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Nós sabemos, como na tua área, que temos um problema oftalmológico quando não estamos enxergando. Se não enxergar é porque eu tenho um problema, senão, ninguém pensa no funcionamento do olho, por exemplo. É a mesma coisa, fazendo um paralelismo. E o humor é um estado, nós chamamos de estado de ânimo. Quando nós estamos com ele muito feliz, ou muito eufórico, ou muito triste, ou em depressão, nós sabemos o que é o humor dentro da gente. Então, tem um componente físico, como eu falei, e um componente mental. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Componente mental tem a percepção do mundo, percepção das coisas, percepção de quanto o mundo é bom para a gente, ou de quanto é ruim, ou se nós merecemos ou não. Toda a ideação faz parte do humor. E tem também a sensação física, quando pessoas que estão com o humor depressivo têm basicamente sintomas físicos. É mais como se fosse taquicardia, por exemplo. Dor também é um sintoma de humor alterado. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Antigamente, na minha época, nos anos 80, quando eu fazia residência, falava-se de sintoma de depressão oculta: quando o pessoal vai no médico, tem dor nas costas, dor lombar e faz exame e não aparece nada. Então, tem esse componente físico também, bastante importante.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Uma pessoa pode ser feliz e estar com o humor ruim, para baixo?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Sim. O humor pode ser alterado por um remédio, por exemplo. Você pode ser uma pessoa – nós vemos muito isso – que não tem nenhum problema de humor, certas medicações podem te levar a uma depressão e você é uma pessoa feliz. É aquilo que eu te falei, Claudio, às vezes a pessoa é uma pessoa superfeliz e ela fala para mim o seguinte: “Doutor, eu não sou assim, cara. Eu não sei o que está acontecendo comigo, eu sou uma pessoa felicíssima, isso não sou eu”. É diferente. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando você tem uma pessoa com depressão que é infeliz, às vezes não tem muita relação, às vezes são coisas que andam até distintas. Ela fala assim: “Mas o mundo é ruim mesmo. Olha, eu nunca estive bem na minha vida”, aí você pergunta para alguém, pergunta para a mãe, pergunta para a pessoa que convive com ela, e ela fala: “Não, ela era assim normalmente. Não era aquela pessoa feliz, mas não tinha problema de humor”. E esta pessoa é o paciente mais difícil, porque ela sofre da infelicidade e da depressão. Aí é mais difícil. Essa pessoa até tende a tratar-se menos, porque ela justifica a depressão dentro do seu nível de felicidade baixo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> E as pessoas te procuram para tratar de questões de infelicidade ou questões de piora de humor? Ou ambas?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Essa pergunta foi boa. Ninguém tinha me perguntado isso, mas eu penso muito nisso. Eu penso sozinho. Sabe aquela coisa que você está conversando com a pessoa, com o paciente, aí você fala assim: “Será que isto é depressão ou é infelicidade?”. Às vezes eu falo para o paciente: “Olha, é como se fosse assim: duas áreas que têm uma área em comum, são duas bolas que se sobrepõem e têm uma areazinha em comum, aquela área do meio, que é uma área cinzenta, nós não sabemos que é uma área cinza”. Algumas pessoas, em geral, vêm mesmo por problemas de humor. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O problema da felicidade, do nível de felicidade, aparece durante o processo. E é difícil quando a pessoa está em depressão e você chega à conclusão a respeito do nível de felicidade que ela tem. Você vai tratando, “Mas você anda dormindo bem?”, “Sim”, “Está comendo?”, “Estou”, “Melhorou?”, “Mas, na verdade, eu nunca estive bem. Eu estou como eu sempre fui”. Aí eu falo: “Olha, aí é uma questão de felicidade. É uma coisa do seu nível de felicidade”. Como melhorar o nível de felicidade? Isso todo mundo quer. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, existe uma série de teorias: um objetivo na vida ou tentar com os neurotransmissores que estão mais ligados à felicidade, o que é muito difícil de mexer. Por exemplo, os receptores opiáceos estão ligados a essa questão da felicidade, só que você não pode ficar tomando opiáceo para tirar a dor da vida. A pessoa que é infeliz sente uma dor da existência, uma dor da vida, é diferente. As coisas para ela são muito doídas, tudo é muito doído, é muito difícil. Isso é muito difícil de tratar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Uma das dúvidas que surge muito é em relação às pessoas saberem buscar a forma, a porta de entrada, para tratar determinados sintomas de uma maneira mais geral. Porque o leigo procura, como aquele indivíduo que me procura, que tem uma baixa de visão. Alguém procura você talvez por um baixo astral. Como a pessoa pode discernir quando ela vai precisar de alguém que dê um suporte medicamentoso em vez de alguém que vai dar só um suporte de natureza de terapia? Há como as pessoas se autoalimentarem a respeito disso? Porque um dos grandes problemas que nós vemos em saúde – e aí eu digo como gestor – é a porta de entrada. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Às vezes, o indivíduo procura um pronto-socorro quando ele precisa procurar um médico, e aí ele acaba internado, com complicações e chega até a morrer por imperícia, por falta de segurança em práticas assistenciais. O indivíduo procura às vezes um profissional e faz uma batelada de exames que seriam desnecessários. Será que as pessoas têm condições de se entender a ponto de falar: “Não, aqui eu preciso de alguém que vai me dar um suporte terapêutico e que poderá entrar com medicação. Aqui não, aqui eu preciso de um suporte de natureza terapêutica, para uma terapia”? Há como nós passarmos para os leigos algum tipo de orientação em relação a isso?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Sim. Basicamente nós temos dois tipos de pacientes. Tem aquelas pessoas que se percebem e as pessoas que não se percebem. Eu estou falando em termos mais grosseiros agora, depois eu vou baixar um pouco para esse nível do psicológico, o que é psicológico ou o que não é psicológico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Exatamente. É por aí, isso mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Essa é a grande questão que eu tenho lidado nos últimos 40 anos. É até fácil nós termos um familiar e observarmos que essa pessoa está diferente, tem um olhar diferente, dorme demais ou dorme de menos etc. Então, às vezes algumas pessoas chamadas alexitímicas – tem até um nome para isso, alexitimia – não percebem o seu estado de ânimo. Precisaria a família ou a esposa trazer por livre e espancada vontade. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu sempre digo: “Puxa, você veio por livre e espancada vontade?”, “Pô, doutor, eu não tenho nada. Eu estou pensando na vida aqui, não é nada disso, as pessoas estão vendo demais”. Aí quando você faz o tratamento, obriga ela a fazer, por livre e espancada vontade, ela melhora. E tem aquelas pessoas que vêm espontaneamente, que talvez seja até a maioria. O mundo psiquiátrico era muito diferente. A psiquiatria sofreu, nesses últimos anos, uma revolução gigantesca, e esses conceitos todos foram sendo recolocados, revistos. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando eu me formei, ou antes de me formar, quando eu comecei a fazer estágio em psiquiatria, existiam nitidamente dois tipos de psiquiatra: o psiquiatra psicanalista, que era o psíquico dinâmico orientado, e o organicista. Então, você dizia assim: “Esse paciente precisa de remédio ou terapia?”, e quando o cara era bonzinho fazia os dois. Primeiro lugar, nós vivíamos numa época de total ignorância em relação aos próprios mecanismos de estresse, isso em 1970. E a coisa foi evoluindo. Eu sei que quando eu acabei a minha residência – eu sempre conto essa história –, não existia o famoso Prozac, o Fluoxetina ainda não tinha sido inventado. </p>



<p class="wp-block-paragraph">As pessoas reclamam hoje dos tratamentos psiquiátricos: “Ah, estou tomando remédio”, “Você não sabe o que eram os remédios de 1980, você não tem ideia”. Realmente, naquela época isso era uma verdade, Claudio. Naquela época, você entrava em tratamento psiquiátrico ou por questão de humor, depressão, e era um processo até arriscado, porque a tolerabilidade, os efeitos colaterais dos remédios, eram terríveis. E o que se conhecia era zero, não se sabia nada. Então, nos últimos 40 anos houve uma evolução enorme. E hoje nós sabemos que não é nem tanto uma coisa e nem tanto outra. Você tem uma pequena descompensação nos processos psíquicos por um pequeno estresse, aquilo vai rodando e você não percebe. E aí aparecem os sintomas psiquiátricos. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, você pode começar com um problema psicológico, um conflito em casa, e aquilo, se não solucionado, pode virar um quadro depressivo no qual a serotonina está baixa, o cortisol está alto, com mais uma série de alterações. E, hoje, todos os <em>guidelines</em>, os tratamentos, dizem que teoricamente o melhor seria você ter as duas abordagens. Hoje não se fala mais em depressão endógena, por exemplo. Na nossa época, quando eu estudava psiquiatria, falava-se assim: “É depressão endógena, o cara nasceu com a depressão”. Tem esses casos sim, mas uma boa parte, da chamada depressão maior, do estado depressivo ou do transtorno depressivo, tem uma questão psíquica e uma questão física. Hoje elas se comunicam. Então, quando você vai pegar o paciente, como você dá o remédio para um e talvez não dê para outro? Em geral, para quem vai me consultar eu sempre dou, porque as pessoas já vão sabendo que vão precisar. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Deixa eu colocar um negócio que eu acho uma das coisas mais bonitas que nós acabamos percebendo, que a ciência começou a entender. O que é a depressão? O que é a alteração do estado do humor? É uma consequência de um estresse agudo ou crônico. Em geral, estou falando das pessoas que não sofrem de um distúrbio depressivo de base, de uma questão química. Tem as pessoas que têm os genes. Hoje nós estamos na era do gene, então, nós já sabemos até quais são os genes que provocam a depressão. Vamos supor que a pessoa não tenha nenhum desses genes ou que tenha um pouquinho, que exista uma tendência. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Você tem uma tendência, tem um, dois, três genes que não são superbons em termos de serotonina, em termos de controle do seu eixo de estresse, você passa um estresse e aquilo vai desequilibrando o seu cortisol, que é o hormônio de estresse. Isso acontece conosco todos os dias. Então, tem a questão psicológica, o estresse, e tem a questão física. Elas se comunicam. Hoje não se fala mais de separação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> E eu queria te perguntar uma coisa, porque a depressão é algo que tem um impacto tremendo em saúde, em saúde pública, em algo chamado comorbidade. Conta para as pessoas o quanto perde uma pessoa que tem depressão e não sabe, e que de repente tem insuficiência cardíaca ou hipertensão, ou aquele indivíduo que está infartado e não quer reconhecer que está deprimido também. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Quer dizer, o quanto que se nós, por acaso, tratarmos essas coisas juntas, não ajudaria a tratar um diabético, um hipertenso, para que ele vivesse melhor. Ou seja, tratando a depressão, as outras coisas melhorariam. Dá para você contar alguma coisa para a gente?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Outro dia eu estava vendo dados do Ministério da Saúde, estava falando de epidemiologia, estudos depressivos, estudos psiquiátricos. Aqui no Brasil, o Ministério da Saúde avalia em 50 milhões o número de pessoas hoje fazendo tratamento psiquiátrico. Apenas distúrbio de ansiedade são 12 milhões, até porque o Brasil não é um país muito favorável a você ficar calmo. Depressão, hoje nós sabemos, é uma doença como outra qualquer, como a diabete. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Em geral, a depressão acaba se tornando uma doença crônica. Então, muita gente fala: “Pô, tomar remédio para o resto da vida, tem que tomar remédio, tomar remédio”. E eu sempre digo assim: “Qual o custo benefício desse remédio?”. Acho que é isso que você está me perguntando. Nós sabemos que a manutenção do estado depressivo ou de uma alteração de humor diminui a vida. Eu não tenho o número exato de cabeça agora, toda hora aparece um trabalho novo, mas se fala realmente em diminuição, além da qualidade da própria vida. Nós sabemos que aumenta a incidência de enfarte, a incidência de câncer – existe todo um estudo completo a respeito disso –, a incidência de doenças neurodegenerativas, que é um grande problema. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, quando nós falamos em consertar o nível de serotonina, tomar um remedinho para aumentar a serotonina, porque vai te fazer bem, para você se sentir bem, não é só você se sentir bem. Por exemplo, a serotonina é um neurotransmissor que está espalhado pelo corpo todo, por todo o organismo. Aliás, o nível dela no cérebro é o menor, de apenas 3%. Nós sabemos que ela está relacionada à questão vasomotora, à questão de mobilidade intestinal, à imunidade. Muitas pessoas têm quedas de imunidade, isso é uma coisa que eu vejo muito no consultório: “Doutor, nossa, eu estou com estresse, nasceu a herpes Zóster. Puxa, estive internado por infecção urinária”. Ainda tem preconceito sim, bem menos do que antes, mas ainda muita gente tem preconceito. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Se nós conseguirmos fazer as pessoas entenderem que depressão não é um simples problema, frescura, coisa de gente fraca, que é todo um problema de saúde complexo. E você se manter em depressão – isso que eu sempre explico para os pacientes – vai te colocar em risco. A chance de você se defender de uma infecção é muito baixa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Você sabe que eu comecei a entender determinadas questões daquilo que o paciente sente quando eu fui operado daquilo que eu sempre operei. Eu operei a catarata agora recentemente, mas operei cinco anos atrás. E aí eu senti o que o paciente sentia, e eu me transformei num médico melhor e mais humano. E, nesse entendimento, eu comecei a conversar sobre coisas que os pacientes se queixam e nós, muitas vezes, não damos bola, coisas que passam batido, porque nós estamos vendo objetivamente uma explicação para aquilo. E o contexto da sociedade contemporânea traz duas reversões que eu acho que são importantes, aí talvez resgatando o nosso tempo de atividade médica. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Primeiro, o papel de um terapeuta, seja ele alguém que dá remédio ou não. Eu vi amigos e pessoas muito próximas sucumbirem a doenças muito tratáveis, digamos assim, por absoluta falta de suporte de natureza terapêutica. Tomar algum remédio para trabalhar o teu humor, para buscar uma zona de equilíbrio, isso é bom, e assumir que você tem um terapeuta, que você tem um psiquiatra. Eu, por exemplo, faço terapia. Acho que se não fizesse terapia, Sérgio, eu certamente não conseguiria suportar a pressão que eu tenho no dia a dia, porque você oscila muito, com momentos de grande alegria por algo que te estimula, decepções, pré-disposição pública com algumas pessoas. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, eu acho que o reposicionamento do papel do psiquiatra como bem entendido, como um grande ativo é algo que muda a sociedade. A outra profissão, que eu acho que ajuda muito, é o papel do fisioterapeuta. Quando nós éramos moleques o fisioterapeuta era um massagista.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> É verdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Hoje, com o alongamento da vida, o aumento da expectativa de vida de todos nós... você vê jovem com correção de vício postural. São coisas, na verdade, que eram pouco valorizadas, e hoje mudaram por completo. Principalmente se as pessoas tiverem a mente aberta e atuarem sem preconceitos. Eu acho que você, em algum momento, também comenta alguma coisa sobre a alimentação. Como é que nós trabalhamos isso em termos de qualidade de vida, em termos de humor? O que você pode falar de nutrição, que também é uma forma de aumentar o escopo da visão da saúde?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Sim. Esse é um assunto que começou a me fascinar 20 anos atrás. E quando nós falávamos essas coisas o pessoal dava risada, nos meios acadêmicos isso era piada. E, hoje, por incrível que pareça, os trabalhos já mostraram a importância. Eu acho que nós temos duas questões: o aspecto micronutricional e o aspecto macronutricional. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Falando no macronutricional, a grosso modo, é o quanto você come, se você come pouco ou come muito. E nós sabemos que a obesidade é uma das grandes causas de depressão. Nós vemos muito isso. Quando eu vou fazer uma consulta, eu tenho daquelas balanças que dão a porcentagem. Aquilo é fundamental. A pessoa fala: “Doutor, eu estou muito cansado...”, eu falo “Você dorme bem?”, “Não, eu acordo quebrado”, então eu falo, “Bom, você já olhou o seu peso? O que você come à noite?”, “Ah, à noite eu tomo dois whiskies, como macarrão, como uma pizza, e acordo no dia seguinte acabado”. Eu falo: “Desculpa, eu também iria acordar acabado”. Então, com relação a esse aspecto macronutricional, fazer exercício físico e manter o controle metabólico é fundamental, principalmente para você dormir. Não tem como você manter seu equilíbrio emocional sem dormir um sono reparador. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Na verdade, Cláudio, o que eu sempre digo para os pacientes é: “Antes de falarmos de psiquiatria, de infelicidade, vamos falar do básico? Você come, você dorme, você faz xixi, você bebe água, você faz cocô?”. São as primeiras coisas que tem que perguntar para a pessoa, essa coisa de o psiquiatra ficar só, “Ah, quando você era criança o que aconteceu? Seu pai bateu na sua mãe e você sofreu bullying”. Não, isso é o de menos. Porque quantos casos nós vemos em que a pessoa não se mexe, não tem energia, porque aonde está a energia? A energia está na musculatura. Se você não mantém a energia a partir de uma certa idade, onde está mitocôndria? No osso muito pouco, em alguns tecidos ali espalhados um pouquinho. Onde tem mitocôndria? O cérebro consome 20%, 22% da energia do corpo, se esse corpo não fabrica energia, se ele está lotado de gordura, ou a gordura não produz energia e não tem mitocôndria, é um tecido gorduroso, não é um tecido muito útil para o cérebro. Ele gera inflamação. E nós sabemos que a depressão é uma doença inflamatória. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, a primeira coisa é olhar o peso, a porcentagem do próprio paciente, que são questões macronutricionais. Aí nós temos que começar a entrar com as questões: “O que você come? O que você faz no café da manhã?”, “Está bom. Doutor, mas você não é nutricionista”. Eu falo: “Não, eu não sou. Mas se você não tiver com a nutrição boa, esquece. Não tem remédio que ajude”, e isso é verdade. Não tem. “Doutor, eu fui em 400 médicos e já tomei todos os remédios para dormir. Eu acordo quebrada”, eu falei: “Você já tentou emagrecer?”, “Mas como assim?”, eu disse: “Mas então o problema é o peso. Com essa resistência à insulina, com essa gordura abdominal, como é que você acha que você tem insulina? Olha o teu rosto aqui, você está cheia de olheira, você dorme mal, está na cara”. E conforme você vai ficando mais velho, vai ficando pior. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, essa é a questão macronutricional. Além disso, hoje nós temos a questão micronutricional. Nós sabemos que o humor tem muito a ver – não só, mas tem muito a ver – com a questão de neurotransmissor. Então, em primeiro lugar, você tem que ter matéria-prima – isso é uma coisa que, na minha opinião, é básica. E hoje a psiquiatria acadêmica começa a ver isso, que, para você fabricar serotonina, você precisa ter vitamina B3, vitamina B12, ácido fólico. Nós já estamos na onda da nutrigenômica, e então nós vemos que existem pessoas que têm dificuldade – isso é uma coisa já conhecida internacionalmente na psiquiatria acadêmica –, que não têm genes para metabolizar o ácido fólico e até o metilfolato; portanto, não vão fabricar os neurotransmissores. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, essas pessoas precisam repor, por exemplo, o metilfolato, senão vão ter depressão. Por exemplo, hoje nós vemos muita gente que fez cirurgia bariátrica, que tem dificuldade de absorção de B12 ou certos tipos de dieta, ou pessoas que são veganas. Essas pessoas têm que cuidar da parte micronutricional, que são as vitaminas clássicas, básicas. Nós sabemos hoje que isso já é provado, é superimportante.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Sérgio, você está dando uma aula, porque está chamando a atenção para uma visão holística de ser humano. Nós somos médicos, quando o paciente me procura por um problema oftalmológico, de repente ele desencadeia uma questão comportamental da casa dele. Aliás, muita gente procura um médico oftalmologista porque está com dor de cabeça e está achando que é troca de óculos, aí você começa a conversar com a pessoa e vê que ela tem toda uma tensão na região cervical, por algum tipo de estresse, e você desencadeia uma questão de natureza relacional da vida dela. E nós, médicos, temos que conversar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, não é que: “Ah não, o psiquiatra é aquele indivíduo que está com o cachimbo”, quando nós lembramos as imagens antigas, de alguém sentado com um charuto, ouvindo, e não é isso. Nós somos médicos, e essa visão holística, esse entendimento do que é saúde, eu acho que nós temos falhado em relação a isso. Não estou dizendo no seu caso, estou dizendo de maneira geral. Uma conversa como essa tem que ser inspiracional para aqueles que estão escutando, que são da área da saúde, e os pacientes têm que encontrar a motivação dentro da relação com os seus médicos para engaja-los. Fale da atividade física e da questão da depressão. O esporte matinal, você tem algo para nos contar sobre isso?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Eu acho que o esporte tem duas questões. Pessoalmente, como você, eu faço muito esporte. Até demais. Então, eu tenho as minhas aulas. Uma coisa que eu faço há muitos anos é vela, mas eu acho que a vela, o iatismo, não são esportes físicos, mas aí é a questão do prazer. Eu acho que principalmente para as pessoas mais hiperativas, mais carentes de dopamina, para não sofrerem de tédio – e tédio em excesso leva à depressão –, o esporte é fundamental. Talvez você seja desse perfil também, que precisa do exercício para se sentir bem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, tem aquele esporte para você emagrecer e ganhar massa magra e tem o esporte para liberar as chamadas endorfinas e, principalmente, a dopamina. Eu tento fazer os dois. Nós sabemos, em termos químicos, falando em termos médicos, que quando você faz uma certa quantidade de exercício, você tem o aumento do seu nível de IGF-1. O que é a vida saudável, cientificamente falando? Todo dia você acumula um monte de problema, e aí o único jeito de você trabalhar esses problemas que são insolúveis, os conflitos etc., é você dormir muito bem, ter aqueles ciclos normais do sono. O seu cérebro trabalha os problemas por você de que jeito? Tira a importância. Então, você tem lá um conflito, você vai dormir e quando você acorda de manhã, você pensa: “Ah, não é tanto assim também, deixa quieto. Esqueci. Esqueci o problema”. Por quê?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque toda vez que você vai dormir existem fatores de crescimento. Nós sabemos que os fatores de crescimento cerebrais, fatores que fazem os neurônios se ligarem ou se modificarem, são importantes para a resiliência, para a capacidade de suportar os problemas que nós temos, decorrentes da vida no trabalho ou das questões pessoais. Quando você faz esporte tipo jiu-jitsu, ou um esporte que te faz realmente suar bastante, que exige bastante esforço físico, você libera um dos fatores de crescimento, que é o IGF-1, ligado ao tal do hormônio do crescimento. Então, à noite, quando você começa a dormir, você libera esse hormônio. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando você está gordinho, com muita insulina, você libera menos naquele momento. Quando você está mais magrinho, mais em forma, você está com mais musculatura funcionando e está se colocando em teste físico, está lá lutando jiu-jitsu, fazendo um esforço, sai suado, e à noite você libera mais IGF-1, ajudando na adaptação do seu cérebro, principalmente de uma área que chama-se hipocampo, que é uma área muito ligada ao humor. Pessoas que têm o hipocampo menor, mais atrofiado, além do problema de memória têm problema de humor. Então, se você faz exercício físico com muita regularidade, quatro, cinco vezes por semana, às vezes tem aquela questão do prazer, a questão do teste físico mesmo, você libera IGF-1 isso aumenta a sua resiliência. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, nós sabemos que – e muita gente faz isso – exercício físico é um grande antidepressivo, basicamente um excelente adaptador. Muitas vezes a pessoa vem ao meu consultório e diz: “Olha, doutor, eu fazia corrida, fazia bicicleta, mas sabe o que aconteceu? Quebrei o tendão, estourou o tendão, o joelho, e eu parei. E olha o que aconteceu comigo agora, eu estou muito triste, eu estou com depressão”. Aí eu explico: “O antidepressivo que você tomava, você não está conseguindo tomar agora, que era o exercício físico”. Mas, para você tratar a depressão com exercício físico, você precisa fazer muito exercício físico. Então, se você sofre de depressão, o exercício ajuda? Ajuda, mas é bom equilibrar também com outro tratamento, para você não ficar dependendo de uma coisa só, se você tem uma tendência.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> E é interessante, porque vieram duas perguntas para a gente sobre as quais eu queria que você falasse um pouquinho. Primeiro, como é que você enxerga a meditação nesse cenário? E o segundo aspecto é em relação a essas pessoas superprodutivas, que se organizam e se orgulham muitas vezes de dormir só quatro horas. Eu era assim, agora eu estou dormindo mais e estou percebendo que está me fazendo bem. Me fala dessas duas coisas: a meditação e a questão do sono e o orgulho das quatro horas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> É muito interessante isso também. Hoje nós sabemos que as técnicas de meditação agem como coadjuvantes ou (mindfulness). Eu até fui convidado para participar de grupos, mas eu, particularmente, não pratico. Muita gente usa a meditação e acho que ela vem de um princípio que é o grande desafio dentro da área da saúde mental, que é o controle do seu cérebro. O que a meditação tenta é mudar a tua atenção, o teu foco, e não deixar você se perder pelos pensamentos primitivos. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, quando nós falamos de doença psíquica, doença mental, depressão, nós ouvimos: “Poxa, doutor, mas será que eu tenho uma doença? Sou um doente? Doença mental, coisa feia”, eu falo: “Não, você não é um doente, você é desadaptado”. O nosso cérebro começou a se formar há dois milhões de anos, a civilização tem 10 mil anos, então nós temos mecanismos primários de sobrevivência. E o que eu sempre explico para as pessoas é: “Não sinta-se frustrada, porque seus pensamentos não lhe obedecem, porque o seu cérebro não foi feito para lhe obedecer, o cérebro foi feito para favorecer a manutenção da espécie”. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, por que você sofre de síndrome do pânico? Porque o seu cérebro não acredita no seu meio e não acredita em você também, ele não acha que você tem capacidade de discernir se tem um leão andando a solta por aí. Ele quer te garantir, quer que você fique dentro da caverna escondido, com síndrome do pânico. Para a espécie é melhor. Essa é a grande origem do preconceito: “Você não controla o seu cérebro, porque eu me controlo”. Isso é uma mentira, ninguém controla o cérebro, o cérebro não foi feito para você controla-lo. Então, a meditação tenta trazer isso, no meu modo de ver, tenta diminuir o barulho instintivo que o cérebro traz. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Qualquer cérebro traz essa carga instintiva de sobrevivência da espécie, então quando você faz o (mindfulness), que é uma das técnicas nas quais você visa focar a atenção, não deixar se perder, é no sentido sempre de diminuir esse barulho. Nós temos três ciclos nessa vida e temos que respeitar esses três ciclos. Isso é básico. Nós temos o ciclo da vigília, que é quando estamos acordados. O ciclo das ondas lentas, do sono de ondas lentas, que é aquele começo do sono. Quando você aprofunda o sono, ele dá uma boa revigorada com essa parte, você produz o IGF-1, o hormônio de crescimento (se você fizer exercício mais ainda) e, se você estiver tranquilo, relaxado e dormir profundamente, o seu cérebro vai se readaptar. </p>



<p class="wp-block-paragraph">E, no final, tem um terceiro ciclo da vida, que é o sono REM. Eles são meio separados, é uma outra dinâmica bem diferente, e é neste sono REM que você consolida e cria outras situações, consolida as memórias etc. Então, se você dormir quatro horas, talvez você se beneficie de dois ciclos apenas, perdendo um ciclo. Possivelmente, em algum momento, o seu nível de memória vai sofrer por isso, acredito eu. Eu sou contra, acho que qualidade de vida é tudo, hoje em dia nós sabemos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Fale um pouco da pandemia e das sequelas da saúde mental em relação à pandemia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Eu acho que a sociedade está pagando um preço enorme nessa questão da saúde mental. E agora o que aconteceu? ((corte no áudio 40:17)) da questão da saúde mental, por questões básicas, o que gera estresse nas pessoas? É a incapacidade de prever fatos. E nós estamos vivendo isso, juntamente à falta de compensação das suas frustrações. O brasileiro é um cara que dificilmente compensa as frustrações do dia a dia, e isso é um fator de aumento de estresse, esse estado que nós vivemos hoje de insegurança, de notícias ruins. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, há a alteração do ritmo circadiano, na época da quarentena as pessoas estão dormindo demais ou dormindo de menos, porque foram mudando seus hábitos, dormindo durante o dia, ficando acordado a noite toda, vendo filme, por exemplo. Isso tudo contribuiu para a piora da saúde mental, fora o trauma das pessoas que perderam gente pelo Covid. Nós estamos vivendo uma situação muito, muito ruim em termos de saúde mental.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> E em relação às crianças, qual é o impacto que você está vendo da pandemia na psique das crianças e dos adolescentes?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Nós sabemos que o aumento de estresse, dependendo da fase da vida, pode ter sequelas permanentes. Nós temos três áreas no cérebro que sofrem o excesso de bombardeio do estresse, que é do cortisol ou do glutamato, quimicamente falando. Tem a primeira área, o hipocampo; a segunda, a amígdala; e a terceira, a área pré-frontal. Principalmente a população mais desassistida já está com trauma, mas esse trauma não é do Covid. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu atendo algumas pessoas que já vêm com o trauma da violência, e agora, com mais esse trauma do Covid, eu acho que nós vamos ter uma geração muito problemática. Se nós não corrigirmos essa questão da violência na periferia, essa é uma consequência terrível, porque está atrofiando o cérebro das crianças. Se você fizer um exame, você vai ver. Está atrofiando a área pré-frontal, independente da idade da criança, e aí você tem uma sequela permanente que é o distúrbio bipolar, a personalidade psicopática, a depressão maior, dependendo da área que você sofre.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Sérgio, o que é mais arriscado, manter as crianças em casa ou correr o risco do Covid, mandando-as para a escola?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Ah, eu não sei. Não sei te dizer.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Sim. Eu concordo com você.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> É difícil tomar uma posição em relação a isso. Não tem uma resposta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Olha, infelizmente nós estamos na fase final da nossa conversa, que durou uma hora. O pedido que está vindo aqui para deixar mantida e gravada a tua entrevista é enorme. Então, esse é um estímulo para você continuar fazendo e eu também vou te convidar para conversar pessoalmente. Queria que você passasse uma mensagem final que misturasse saúde mental, (Rosh Hashaná), enfim, a tua fechadura de ouro, antes que corte o nosso tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Responsabilidade, Cláudio. Eu quero agradecer muitíssimo. É isso que nos faz feliz, estar falando de felicidade. A felicidade é, de repente, num sábado de manhã, meio com tédio e nada para fazer, alguém se lembrar de você e ainda reconhecer anos e anos de trabalho. E eu fico muito, muito orgulhoso, muito feliz mesmo. Eu me sinto muito, muito bem com isso. Óbvio, qualquer pessoa se sentiria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E a mensagem é: esse ano eu acho que não vai ter (inint 44:21), não. Eu acho que nós vamos ter que refletir o ano novo dentro de nós mesmos, com algumas poucas pessoas, mas eu acho que isso vai nos fortalecer para o ano que vem, porque nós estávamos tão acostumados. Sabe o que eu acho? Estávamos acostumados com toda essa correria. “Ah, vamos agora. Tem que ir na casa de não sei quem, vamos lá, vamos para cima, vamos para cá, e tem que fazer, tem que jejuar etc.”, e agora nós vamos nos recolher um pouquinho e vamos perceber a nossa essência de verdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que nós realmente pensamos, o que sentimos de verdade. E, para o ano que vem, vamos ter todos escritos aí, no livro da vida, e vamos vir no ano que vem com muito mais reflexão, muito mais sabedoria, cada um sabendo mais de si e buscando a felicidade de um jeito concreto mesmo, de um jeito real, e fazendo para a sociedade, fazendo para a gente, eu acho que isso é a vida. Isso é o que eu conto da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudio Lottenberg:</strong> Sérgio, obrigado. Queria falar algo do Rabino Sobel: Só dá valor, quem tem valor. E eu fiquei muito feliz de poder ler um pouco mais sobre você, quero que realmente você dê um abraço carinhoso no seu pai, nessa idade você sabe o quanto é importante alguém saber que nós lembramos dele. Dá um abraço carinhoso, fala que eu lembro muito bem dele. Um abraço para sua esposa, via net, por aqui também, e vamos estar mais juntos. Um forte e carinhoso abraço. Obrigado, amigo. E um beijo grande, nos vemos. Tchau, tchau.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Klepacz:</strong> Um beijo para você, cara. Tchau, tchau.</p>]]></content:encoded>
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	<itunes:summary><![CDATA[Transcrição



Cláudio Lottenberg: É um prazer.



Sérgio Klepacz: Muito obrigado pelo convite, Claudio, por ter lembrado. Muito obrigado.



Cláudio Lottenberg: Imagina. Que isso, eu admiro muito o que você faz. Mesmo à distância, saiba que eu tenho muito respeito e vi coisas que você tem aprofundado, tentando ligar coisas que as pessoas, muitas vezes, tratam até com muito preconceito. E são coisas que talvez não são tão explicáveis dentro da lógica, dentro do pensamento cartesiano, e sim mais quântico.



Sérgio Klepacz: Sim, sim. Essa história do preconceito é interessante. Eu sempre conto essa história e até hoje tem uma marca do preconceito. Nos meus receituários, pelo menos em uns deles, eu não coloco o meu título de psiquiatra. 



Quando eu comecei a exercer, em 1980, o preconceito era muito grande e quando eu falei: “Ah, vou ser psiquiatra”, as críticas foram enormes. Legal era ser cirurgião na época: “Não, você tem que ser cirurgião, porque psiquiatra é uma coisa estranha, esquisita, na família todo mundo é normal”. Aquele papo.



Cláudio Lottenberg: Mas você sabe que é interessante, porque eu acho que a pandemia vai ajudar no sentido de as pessoas entenderem a importância da saúde mental. E eu queria te fazer uma pergunta, para começar: como é que você enxerga a questão da felicidade? Você fala muito sobre isso quando escreve. O que é felicidade?



Sérgio Klepacz: Olha, Claudio, nós já temos muitos anos de profissão. Quando você fala das questões que você trata, você já tem toda uma reflexão sobre isso, toda uma profundidade. Então, deixa eu te contar a historinha. A historinha é simples. Quando você atende a pessoa, a pessoa sofre de depressão, aí a pessoa melhora: “Melhorou?”, “Eu melhorei, mas a vida é ruim mesmo”. E tem aquelas pessoas que falam: “Eu não sou assim, sou uma pessoa feliz”, aí quando você trata, a pessoa melhora e volta ao nível de felicidade. 



Ou seja, hoje em dia – os próprios trabalhos demonstram, isso é uma coisa vista na prática – nós vemos que felicidade, grau de felicidade, humor e depressão, estão descolados parcialmente. São sistemas diferentes. Então, a história da felicidade é uma história, mas cada um tem a sua. Os trabalhos mostram que se você ganhar na loteria vai ficar muito feliz por seis meses, depois tudo volta ao normal, ao teu grau anterior. E o contrário também: se acontecer uma grande desgraça na sua vida, depois você volta ao normal. Para algumas pessoas isso aqui é um copo meio vazio, para outras está meio cheio. Isso seria o grau da felicidade. 



A dinâmica é bem diferente, eu acho que felicidade é uma coisa que todos almejam, ninguém está imune a tentar desejar ser feliz, e nós traçamos dentro da gente nossos planos de felicidade. É até interessante, eu gosto muito de tentar trabalhar com essa coisa da química, de neurotransmissor, então até os neurotransmissores são diferentes do humor. O pessoal fala, “Puxa vida, se tomar um remédio antidepressivo, você vai ser mais feliz?” – que, aliás, foi o marketing do Prozac nos anos 80. E não, não vai ser mais feliz. O seu nível de felicidade vai continuar igual. O humor sim, é um dos componentes da felicidade, mas não é só esse. 



Realmente, para quem alcançou boa parte das coisas na vida, o que nós mais queremos é tentar pensar: “Sou feliz? Eu acho que eu sou feliz. Sou feliz. Eu acho que não totalmente, preciso disso e daquilo, mas eu vou chegar à felicidade”. Então, esse é nosso grande objetivo.&nbsp;



Cláudio Lottenberg: Olha, que interessante. Esses termos, mesmo para quem é médico – que é o meu caso –, são termos difíceis de definir. Você falou do humor, quer dizer, um remédio que é um antidepressivo trabalha com o teu humor. Como você pode definir o humor perante os leigos?



Sérgio Klepacz: O humor já é mais objetivo, tem todas aquelas escalas e eu não vou falar delas. O humor é aquela coisa que nós sentimos, é um sentimento, com alguns componentes físicos. Já a felicidade não tem nenhum componente físico. Mas]]></itunes:summary>
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		<title>Live Como Anda a Sua Saúde Mental?</title>
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Cláudio Lottenberg: É um prazer.



Sérgio Klepacz: Muito obrigado pelo convite, Claudio, por ter lembrado. Muito obrigado.



Cláudio Lottenberg: Imagina. Que isso, eu admiro muito o que você faz. Mesmo à distância, saiba que eu tenho muito respeito e vi coisas que você tem aprofundado, tentando ligar coisas que as pessoas, muitas vezes, tratam até com muito preconceito. E são coisas que talvez não são tão explicáveis dentro da lógica, dentro do pensamento cartesiano, e sim mais quântico.



Sérgio Klepacz: Sim, sim. Essa história do preconceito é interessante. Eu sempre conto essa história e até hoje tem uma marca do preconceito. Nos meus receituários, pelo menos em uns deles, eu não coloco o meu título de psiquiatra. 



Quando eu comecei a exercer, em 1980, o preconceito era muito grande e quando eu falei: “Ah, vou ser psiquiatra”, as críticas foram enormes. Legal era ser cirurgião na época: “Não, você tem que ser cirurgião, porque psiquiatra é uma coisa estranha, e]]></googleplay:description>
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	<title>Dia do Psiquiatra</title>
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	<pubDate></pubDate>
	<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
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	<description><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">No Dia do Psiquiatra o Dr. Sérgio Klepacz conta um pouco da sua carreira, e o histórico da área nos últimos 40 anos.</p>]]></description>
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		<title>Dia do Psiquiatra</title>
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	<title>Bye Bye, Corona</title>
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	<pubDate></pubDate>
	<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
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	<description><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">No vídeo de hoje, Dr. Sergio Klepacz da Clínica TotalBalance fala sobre como estamos entrando na fase do bye-bye Corona.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Siga o <a href="https://www.instagram.com/clinicatotalbalance">programa no Instagram</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Transcrição</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Passado toda essa fase da pandemia, essa pior fase, nós vamos entrar agora na fase do bye-bye Corona.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que significa isso?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele vai ter que sumir da nossa mente de alguma maneira. Ou seja, ele vai deixar de ser um monstro, essa fantasia, para ser algo dentro da realidade, algo dentro do controle.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso é muito importante para que a gente possa continuar vivendo, tá? Parece que o pico tá diminuindo, a tendência vai ser realmente diminuir a incidência de casos, mortes, etc., e etc.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas dúvidas pairam no ar, é importante a gente saber quais são essas dúvidas, sempre ajuda no sentido de desestressar a nossa mente, né? Pode ser que o Coronavírus vai ser uma doença insidiosa com pequenos episódios, epidemias localizadas, que representam perigo relativo, né?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pode ser que aconteça que nem aconteceu com a gripe espanhola, ele simplesmente desapareça e suma da face da Terra, ou pode aparecer uma vacina e ajudaria a desaparecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E uma das boas notícias possivelmente que eu tenho lido por aí, é que, de qualquer modo, parece que é possível que a mortalidade, provavelmente a mortalidade, a morbidade, vão diminuir, de algum modo, a tendência das viroses é ficar mais suave.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando elas vêm na primeira onda, parece que o baque é maior, depois, com o tempo, parece que elas vão acalmando, possivelmente aquelas primeiras cepas de vírus eram mais agressivas, essas depois, parece que estão mais adaptadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Veja bem, também não é interessante para o vírus matar o hospedeiro, porque senão, ele não tem como passar pra frente os seus filhotes, né? Seus viruzinhos. Vamos tentar trabalhar agora nessa desaceleração. Essa desaceleração do medo, do estresse e da tensão, é uma fase, de certa forma, perigosa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a gente começa a pisar no breque do nosso aparelho mental, do nosso tônus psíquico, a gente pode, algumas pessoa derraparem, como eu falei no vídeo passado, você desacelerar a sensação de perigo, após muito tempo acelerado, é que nem pisar no freio do carro, tá?</p>



<p class="wp-block-paragraph">O carro pode derrapar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, o que pode acontecer?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas pessoas podem aumentar o nível de ansiedade, podem desenvolver pânico ou podem voltar a episódios de pânico que tiveram no passado, e algumas pessoas podem se envolver com algum tipo de trauma, tá?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu me lembro na época quando surgiu a Aids, algumas pessoas incorporaram esse medo dentro dos seus outros problemas, né? Então, pode ser mais um problema, mas, na verdade, não é nada diferente do que já aconteceu, né?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na verdade, são pessoas que já têm uma tendência a focarem no perigo e vão só mudar o foco, né?</p>



<p class="wp-block-paragraph">É muito importante manter o equilíbrio nesse momento, manter sempre, o que eu digo, as pessoas que tão em tratamento, manter-se sempre em tratamento, não facilitar nesse momento e consultar sempre o médico, se precisar trocar a medicação, troque, vai ser o momento mais difícil, possivelmente até que um tempo atrás por razões que eu já expliquei.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, boa sorte.</p>]]></description>
	<itunes:subtitle><![CDATA[No vídeo de hoje, Dr. Sergio Klepacz da Clínica TotalBalance fala sobre como estamos entrando na fase do bye-bye Corona.



Siga o programa no Instagram.



Transcrição



Passado toda essa fase da pandemia, essa pior fase, nós vamos entrar agora na fase]]></itunes:subtitle>
	<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">No vídeo de hoje, Dr. Sergio Klepacz da Clínica TotalBalance fala sobre como estamos entrando na fase do bye-bye Corona.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Siga o <a href="https://www.instagram.com/clinicatotalbalance">programa no Instagram</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Transcrição</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Passado toda essa fase da pandemia, essa pior fase, nós vamos entrar agora na fase do bye-bye Corona.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que significa isso?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele vai ter que sumir da nossa mente de alguma maneira. Ou seja, ele vai deixar de ser um monstro, essa fantasia, para ser algo dentro da realidade, algo dentro do controle.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso é muito importante para que a gente possa continuar vivendo, tá? Parece que o pico tá diminuindo, a tendência vai ser realmente diminuir a incidência de casos, mortes, etc., e etc.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas dúvidas pairam no ar, é importante a gente saber quais são essas dúvidas, sempre ajuda no sentido de desestressar a nossa mente, né? Pode ser que o Coronavírus vai ser uma doença insidiosa com pequenos episódios, epidemias localizadas, que representam perigo relativo, né?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pode ser que aconteça que nem aconteceu com a gripe espanhola, ele simplesmente desapareça e suma da face da Terra, ou pode aparecer uma vacina e ajudaria a desaparecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E uma das boas notícias possivelmente que eu tenho lido por aí, é que, de qualquer modo, parece que é possível que a mortalidade, provavelmente a mortalidade, a morbidade, vão diminuir, de algum modo, a tendência das viroses é ficar mais suave.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando elas vêm na primeira onda, parece que o baque é maior, depois, com o tempo, parece que elas vão acalmando, possivelmente aquelas primeiras cepas de vírus eram mais agressivas, essas depois, parece que estão mais adaptadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Veja bem, também não é interessante para o vírus matar o hospedeiro, porque senão, ele não tem como passar pra frente os seus filhotes, né? Seus viruzinhos. Vamos tentar trabalhar agora nessa desaceleração. Essa desaceleração do medo, do estresse e da tensão, é uma fase, de certa forma, perigosa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a gente começa a pisar no breque do nosso aparelho mental, do nosso tônus psíquico, a gente pode, algumas pessoa derraparem, como eu falei no vídeo passado, você desacelerar a sensação de perigo, após muito tempo acelerado, é que nem pisar no freio do carro, tá?</p>



<p class="wp-block-paragraph">O carro pode derrapar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, o que pode acontecer?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas pessoas podem aumentar o nível de ansiedade, podem desenvolver pânico ou podem voltar a episódios de pânico que tiveram no passado, e algumas pessoas podem se envolver com algum tipo de trauma, tá?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu me lembro na época quando surgiu a Aids, algumas pessoas incorporaram esse medo dentro dos seus outros problemas, né? Então, pode ser mais um problema, mas, na verdade, não é nada diferente do que já aconteceu, né?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na verdade, são pessoas que já têm uma tendência a focarem no perigo e vão só mudar o foco, né?</p>



<p class="wp-block-paragraph">É muito importante manter o equilíbrio nesse momento, manter sempre, o que eu digo, as pessoas que tão em tratamento, manter-se sempre em tratamento, não facilitar nesse momento e consultar sempre o médico, se precisar trocar a medicação, troque, vai ser o momento mais difícil, possivelmente até que um tempo atrás por razões que eu já expliquei.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, boa sorte.</p>]]></content:encoded>
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Transcrição



Passado toda essa fase da pandemia, essa pior fase, nós vamos entrar agora na fase do bye-bye Corona.



O que significa isso?



Ele vai ter que sumir da nossa mente de alguma maneira. Ou seja, ele vai deixar de ser um monstro, essa fantasia, para ser algo dentro da realidade, algo dentro do controle.



Isso é muito importante para que a gente possa continuar vivendo, tá? Parece que o pico tá diminuindo, a tendência vai ser realmente diminuir a incidência de casos, mortes, etc., e etc.



Algumas dúvidas pairam no ar, é importante a gente saber quais são essas dúvidas, sempre ajuda no sentido de desestressar a nossa mente, né? Pode ser que o Coronavírus vai ser uma doença insidiosa com pequenos episódios, epidemias localizadas, que representam perigo relativo, né?



Pode ser que aconteça que nem aconteceu com a gripe espanhola, ele simplesmente desapareça e suma da face da Terra, ou pode aparecer uma vacina e ajudaria a desaparecer.



E uma das boas notícias possivelmente que eu tenho lido por aí, é que, de qualquer modo, parece que é possível que a mortalidade, provavelmente a mortalidade, a morbidade, vão diminuir, de algum modo, a tendência das viroses é ficar mais suave.



Quando elas vêm na primeira onda, parece que o baque é maior, depois, com o tempo, parece que elas vão acalmando, possivelmente aquelas primeiras cepas de vírus eram mais agressivas, essas depois, parece que estão mais adaptadas.



Veja bem, também não é interessante para o vírus matar o hospedeiro, porque senão, ele não tem como passar pra frente os seus filhotes, né? Seus viruzinhos. Vamos tentar trabalhar agora nessa desaceleração. Essa desaceleração do medo, do estresse e da tensão, é uma fase, de certa forma, perigosa.



Quando a gente começa a pisar no breque do nosso aparelho mental, do nosso tônus psíquico, a gente pode, algumas pessoa derraparem, como eu falei no vídeo passado, você desacelerar a sensação de perigo, após muito tempo acelerado, é que nem pisar no freio do carro, tá?



O carro pode derrapar.



Então, o que pode acontecer?



Algumas pessoas podem aumentar o nível de ansiedade, podem desenvolver pânico ou podem voltar a episódios de pânico que tiveram no passado, e algumas pessoas podem se envolver com algum tipo de trauma, tá?



Eu me lembro na época quando surgiu a Aids, algumas pessoas incorporaram esse medo dentro dos seus outros problemas, né? Então, pode ser mais um problema, mas, na verdade, não é nada diferente do que já aconteceu, né?



Na verdade, são pessoas que já têm uma tendência a focarem no perigo e vão só mudar o foco, né?



É muito importante manter o equilíbrio nesse momento, manter sempre, o que eu digo, as pessoas que tão em tratamento, manter-se sempre em tratamento, não facilitar nesse momento e consultar sempre o médico, se precisar trocar a medicação, troque, vai ser o momento mais difícil, possivelmente até que um tempo atrás por razões que eu já expliquei.



Então, boa sorte.]]></itunes:summary>
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Transcrição



Passado toda essa fase da pandemia, essa pior fase, nós vamos entrar agora na fase do bye-bye Corona.



O que significa isso?



Ele vai ter que sumir da nossa mente de alguma maneira. Ou seja, ele vai deixar de ser um monstro, essa fantasia, para ser algo dentro da realidade, algo dentro do controle.



Isso é muito importante para que a gente possa continuar vivendo, tá? Parece que o pico tá diminuindo, a tendência vai ser realmente diminuir a incidência de casos, mortes, etc., e etc.



Algumas dúvidas pairam no ar, é importante a gente saber quais são essas dúvidas, sempre ajuda no sentido de desestressar a nossa mente, né? Pode ser que o Coronavírus vai ser uma doença insidiosa com pequenos episódios, epidemias localizadas, que representam perigo relativo, né?



Pode ser que aconteça que nem aconteceu com a g]]></googleplay:description>
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	<title>Fim da Quarentena</title>
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	<pubDate></pubDate>
	<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
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	<description><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">No vídeo de hoje, Dr. Sergio Klepacz da Clínica TotalBalance fala sobre o fim da quarentena.</p>



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<h3 class="wp-block-heading">Transcrição</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Bom dia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Parece que a quarentena tá chegando ao fim, o que é uma boa notícia, mas não é o momento da gente confiar totalmente em termos de como o nosso sistema emocional pode reagir.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante essa percepção da tensão, do perigo, de que coisas estão acontecendo, coisas estranhas, no geral, nosso sistema endócrino libera uma grande quantidade de cortisol, que é o hormônio que prepara a gente para as grandes batalhas, né?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse cortisol, ele tem uma conversa com o <a href="https://totalbalance.com.br/10-fatos-interessantes-que-voce-precisa-saber-sobre-a-serotonina/">sistema serotonérgico</a> e toda vez que ele muda o seu sistema de funcionamento ou ele começa liberar demais à noite, liberar demais durante o dia, ou fica muito sensível em termos de situações que possam acontecer, o sistema serotonérgico sofre modificações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É um sistema complexo que, de certa forma, a princípio, quanto maior o cortisol, a serotonina acompanha, depois a serotonina abaixa, é todo um sistema que estamos começando a tentar entender ainda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tá?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, uma vez que a gente ficou em tensão por um bom período de tempo, acompanhando aquelas notícias, etc., etc., coisas que a gente já sabe, com muito medo, né?</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cortisol é o hormônio do medo, uma vez que a sensação do perigo vai cair, isso vai ser dado pelas pessoas em volta, pela mídia, pelas boas notícias que começam a surgir, e aí vem uma situação complicada, paradoxalmente complicada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma vez que a gente estava, de certa forma, acostumados com aquela tensão, uma vez caindo, alguns sintomas de aumento de ansiedade ou de sensação até de pânico, podem, em algumas pessoas, começar acontecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gente tem que ficar muito auto-observante em relação a isso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por quê?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque uma vez que o sistema serotonérgico foi mexido, qual vai ser a consequência disso no estado basal, ainda, pra certas pessoas, pode ser um problema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, a gente fica muito autointrospectivo em relação a esse aumento da <a href="https://totalbalance.com.br/o-mito-do-dominio-do-cerebro/">ansiedade</a>, aumento até da sensação de medo após o esgotamento, sessão de esgotamento, após esse período de tensão. Isso, de certa forma, até é um pouco normal, mas fica bastante... a orientação seria: se isso começar a mexer de verdade, procure ajude, não espere muito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De certa forma, é normal que aconteça, mas não é bom que isto aconteça.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, procure ajuda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se você já faz um tratamento, mantenha esse tratamento, não é o momento de relaxar, e procure sempre seu médico que é a melhor pessoa pra poder avaliar isso, às vezes a gente mesmo acaba se autoenganando, né?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, boa sorte pessoal. &nbsp;</p>]]></description>
	<itunes:subtitle><![CDATA[No vídeo de hoje, Dr. Sergio Klepacz da Clínica TotalBalance fala sobre o fim da quarentena.



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Transcrição



Bom dia.



Parece que a quarentena tá chegando ao fim, o que é uma boa notícia, mas não é o momento da gente ]]></itunes:subtitle>
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<h3 class="wp-block-heading">Transcrição</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Bom dia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Parece que a quarentena tá chegando ao fim, o que é uma boa notícia, mas não é o momento da gente confiar totalmente em termos de como o nosso sistema emocional pode reagir.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante essa percepção da tensão, do perigo, de que coisas estão acontecendo, coisas estranhas, no geral, nosso sistema endócrino libera uma grande quantidade de cortisol, que é o hormônio que prepara a gente para as grandes batalhas, né?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse cortisol, ele tem uma conversa com o <a href="https://totalbalance.com.br/10-fatos-interessantes-que-voce-precisa-saber-sobre-a-serotonina/">sistema serotonérgico</a> e toda vez que ele muda o seu sistema de funcionamento ou ele começa liberar demais à noite, liberar demais durante o dia, ou fica muito sensível em termos de situações que possam acontecer, o sistema serotonérgico sofre modificações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É um sistema complexo que, de certa forma, a princípio, quanto maior o cortisol, a serotonina acompanha, depois a serotonina abaixa, é todo um sistema que estamos começando a tentar entender ainda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tá?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, uma vez que a gente ficou em tensão por um bom período de tempo, acompanhando aquelas notícias, etc., etc., coisas que a gente já sabe, com muito medo, né?</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cortisol é o hormônio do medo, uma vez que a sensação do perigo vai cair, isso vai ser dado pelas pessoas em volta, pela mídia, pelas boas notícias que começam a surgir, e aí vem uma situação complicada, paradoxalmente complicada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma vez que a gente estava, de certa forma, acostumados com aquela tensão, uma vez caindo, alguns sintomas de aumento de ansiedade ou de sensação até de pânico, podem, em algumas pessoas, começar acontecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gente tem que ficar muito auto-observante em relação a isso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por quê?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque uma vez que o sistema serotonérgico foi mexido, qual vai ser a consequência disso no estado basal, ainda, pra certas pessoas, pode ser um problema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, a gente fica muito autointrospectivo em relação a esse aumento da <a href="https://totalbalance.com.br/o-mito-do-dominio-do-cerebro/">ansiedade</a>, aumento até da sensação de medo após o esgotamento, sessão de esgotamento, após esse período de tensão. Isso, de certa forma, até é um pouco normal, mas fica bastante... a orientação seria: se isso começar a mexer de verdade, procure ajude, não espere muito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De certa forma, é normal que aconteça, mas não é bom que isto aconteça.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, procure ajuda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se você já faz um tratamento, mantenha esse tratamento, não é o momento de relaxar, e procure sempre seu médico que é a melhor pessoa pra poder avaliar isso, às vezes a gente mesmo acaba se autoenganando, né?</p>



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	<itunes:summary><![CDATA[No vídeo de hoje, Dr. Sergio Klepacz da Clínica TotalBalance fala sobre o fim da quarentena.



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Bom dia.



Parece que a quarentena tá chegando ao fim, o que é uma boa notícia, mas não é o momento da gente confiar totalmente em termos de como o nosso sistema emocional pode reagir.



Durante essa percepção da tensão, do perigo, de que coisas estão acontecendo, coisas estranhas, no geral, nosso sistema endócrino libera uma grande quantidade de cortisol, que é o hormônio que prepara a gente para as grandes batalhas, né?



Esse cortisol, ele tem uma conversa com o sistema serotonérgico e toda vez que ele muda o seu sistema de funcionamento ou ele começa liberar demais à noite, liberar demais durante o dia, ou fica muito sensível em termos de situações que possam acontecer, o sistema serotonérgico sofre modificações.



É um sistema complexo que, de certa forma, a princípio, quanto maior o cortisol, a serotonina acompanha, depois a serotonina abaixa, é todo um sistema que estamos começando a tentar entender ainda.



Tá?



Então, uma vez que a gente ficou em tensão por um bom período de tempo, acompanhando aquelas notícias, etc., etc., coisas que a gente já sabe, com muito medo, né?



O cortisol é o hormônio do medo, uma vez que a sensação do perigo vai cair, isso vai ser dado pelas pessoas em volta, pela mídia, pelas boas notícias que começam a surgir, e aí vem uma situação complicada, paradoxalmente complicada.



Uma vez que a gente estava, de certa forma, acostumados com aquela tensão, uma vez caindo, alguns sintomas de aumento de ansiedade ou de sensação até de pânico, podem, em algumas pessoas, começar acontecer.



A gente tem que ficar muito auto-observante em relação a isso.



Por quê?



Porque uma vez que o sistema serotonérgico foi mexido, qual vai ser a consequência disso no estado basal, ainda, pra certas pessoas, pode ser um problema.



Então, a gente fica muito autointrospectivo em relação a esse aumento da ansiedade, aumento até da sensação de medo após o esgotamento, sessão de esgotamento, após esse período de tensão. Isso, de certa forma, até é um pouco normal, mas fica bastante... a orientação seria: se isso começar a mexer de verdade, procure ajude, não espere muito.



De certa forma, é normal que aconteça, mas não é bom que isto aconteça.



Então, procure ajuda.



Se você já faz um tratamento, mantenha esse tratamento, não é o momento de relaxar, e procure sempre seu médico que é a melhor pessoa pra poder avaliar isso, às vezes a gente mesmo acaba se autoenganando, né?



Então, boa sorte pessoal. &nbsp;]]></itunes:summary>
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Transcrição



Bom dia.



Parece que a quarentena tá chegando ao fim, o que é uma boa notícia, mas não é o momento da gente confiar totalmente em termos de como o nosso sistema emocional pode reagir.



Durante essa percepção da tensão, do perigo, de que coisas estão acontecendo, coisas estranhas, no geral, nosso sistema endócrino libera uma grande quantidade de cortisol, que é o hormônio que prepara a gente para as grandes batalhas, né?



Esse cortisol, ele tem uma conversa com o sistema serotonérgico e toda vez que ele muda o seu sistema de funcionamento ou ele começa liberar demais à noite, liberar demais durante o dia, ou fica muito sensível em termos de situações que possam acontecer, o sistema serotonérgico sofre modificações.



É um sistema complexo que, de certa forma, a princípio, quanto maior o cortisol, a serotonina acompanha, depois a serotoni]]></googleplay:description>
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